O caso do Estripador de Lisboa vai ser adaptado para teatro imersivo, a partir do podcast baseado na investigação jornalística.
O caso conhecido como o do Estripador de Lisboa vai ser adaptado para um espetáculo de teatro imersivo, em Lisboa, em cena a partir de 28 de outubro nas instalações da Comunidade Hindu de Lisboa, na Alameda Mahatma Gandhi, na zona do Lumiar. A produção baseia-se no trabalho jornalístico que deu origem ao podcast A Caça ao Estripador de Lisboa, ouvido mais de um milhão de vezes.
A história remonta ao início da década de 1990. Entre 1992 e 1993, três mulheres ligadas à prostituição foram assassinadas na zona de Lisboa. Os corpos foram encontrados em circunstâncias semelhantes e os crimes deram origem a uma investigação da Polícia Judiciária, que contou também com a elaboração de um perfil pelo FBI.
As vítimas identificadas no material de apresentação são Valentina, Fernanda e Maria João. Ao longo do processo, foram considerados 12 suspeitos, mas o caso nunca chegou a ser resolvido.
O espetáculo parte precisamente dessa investigação e pretende reconstruir alguns dos espaços, acontecimentos e momentos associados ao caso. A narrativa acompanha as diligências policiais e jornalísticas, bem como os vários intervenientes que estiveram ligados ao processo. Segundo a produção, o guião foi desenvolvido a partir da informação recolhida pela equipa de jornalistas responsável pelo podcast, em colaboração com os guionistas e os atores.
A encenação coloca o público dentro dos locais representados e permite a circulação pelos diferentes espaços. Os espectadores poderão assistir a cenas, ouvir testemunhos e contactar com personagens relacionadas com a investigação. A proposta não segue, por isso, o modelo de uma peça convencional, em que o público permanece sentado a assistir à ação do princípio ao fim.
Cada sala apresenta uma parte da história e diferentes perspetivas sobre os acontecimentos. A investigação é apresentada através de pistas, relatos contraditórios, suspeitos e testemunhos de pessoas relacionadas com o caso. A imprensa, a atuação das autoridades e as condições de vida das mulheres envolvidas na prostituição fazem igualmente parte da narrativa.
A produção descreve o espetáculo como uma abordagem ao caso que não se limita à procura do responsável pelos homicídios. A história inclui também as circunstâncias sociais, policiais e mediáticas que marcaram a investigação e a forma como os crimes foram acompanhados pelo público.
A narrativa recupera o ambiente de Lisboa no início dos anos 90, um período de transformação social e económica em Portugal. A cidade modernizava-se, a televisão ganhava influência e os jornais tinham um papel relevante na forma como os acontecimentos eram apresentados e discutidos. Ao mesmo tempo, persistiam zonas marginalizadas e realidades que permaneciam afastadas da atenção pública.
É nesse contexto que o espetáculo enquadra os homicídios das três mulheres e a investigação que se seguiu. A produção pretende cruzar os elementos documentais recolhidos para o podcast com uma representação teatral dos intervenientes e dos acontecimentos.
Quanto ao elenco, é composto por Carolina Burnay, Ema Fonseca, Joana Ruela, Mariana Lencastre, Mariana Sardinha, Celso Pedro, Hugo Mestre Amaro, Hugo Nicolau, Leonardo Dias e Sérgio Moura Afonso.
As sessões estão previstas para as quintas-feiras, sextas-feiras e sábados, sempre às 21h, até 26 de dezembro de 2026. Quanto aos bilhetes, estão disponíveis através da Fever e custam 49,50€ por pessoa. A experiência demora cerca de 1h45 e atenção que há dress code, pois devem ir vestidos de preto.
