São Bento faz 110 anos: a estação que já viu o Porto mudar quase tudo à sua volta

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A Estação de São Bento, no Porto, completa 110 anos sem abandonar a operação ferroviária.

A Estação de Porto-São Bento completou esta semana 110 anos de existência, mantendo-se como uma das infraestruturas ferroviárias mais emblemáticas do país e um edifício classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1997.

A presença do caminho de ferro no centro do Porto começou duas décadas antes da inauguração do edifício atual. Em 1896, com a abertura da Linha Urbana, os comboios passaram a circular entre Campanhã e uma estação provisória em São Bento, assegurando pela primeira vez uma ligação ferroviária direta ao coração da cidade.

O edifício monumental que hoje se conhece foi inaugurado a 5 de outubro de 1916, no local onde antes existiu o Convento de São Bento de Avé Maria. O projeto é da autoria do arquiteto portuense José Marques da Silva e organiza-se em torno da gare e de uma ampla marquise metálica que cobre as linhas e plataformas. Desde a origem, a estação foi pensada para receber quem chegava à cidade e acompanhar quem partia, funcionando como um lugar ferroviário que, ao longo de mais de um século, se tornou também espaço de encontro, passagem e memória coletiva.

O vestíbulo da estação constitui um dos seus elementos mais distintivos. As paredes estão revestidas por mais de 20.000 azulejos concebidos pelo artista Jorge Colaço, onde se representam episódios da História de Portugal lado a lado com cenas do quotidiano, do trabalho e dos costumes, incluindo uma composição que retrata a evolução dos meios de transporte.

Ao longo dos anos, o edifício foi alvo de ações de conservação e valorização, procurando conciliar a preservação do património com novos usos e serviços. Atualmente, a vertente comercial, a hotelaria, a restauração e iniciativas culturais coexistem com a função essencial da estação: a operação ferroviária e o serviço aos passageiros.

Diariamente, São Bento continua a assegurar ligações ferroviárias regionais e suburbanas, num movimento permanente de passageiros que dá continuidade à história iniciada em 1896.

Foto: IP – Infraestruturas de Portugal

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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