OMODA 9 Driving Experience: muito mais do que um simples test-drive

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Conduzimos o OMODA 9 além da estrada: em circuito, em aderência reduzida e em rotas mistas. O veredito? Um SUV mais ágil do que aparenta, mas com performance muito dependente do estado da bateria.

Há apresentações de automóveis em que conduzimos algumas dezenas de quilómetros, tiramos umas fotografias, exploramos o interior e, no final, ficamos com uma primeira impressão do veículo.

E depois há eventos como o OMODA 9 Driving Experience, organizado pela OMODA | JAECOO no Autódromo Internacional do Algarve, onde foi possível perceber muito melhor aquilo que o novo topo de gama da marca consegue realmente fazer.

Estive em Portimão no dia 28 de setembro para conhecer o OMODA 9 e, mais do que os números, saí do Algarve com algumas conclusões que dificilmente conseguiria retirar num ensaio convencional de estrada.

Um evento pensado para realmente experimentar o automóvel

OMODA 9 Driving Experience

Começo por algo que nem sempre merece destaque, mas que desta vez merece: a organização. O programa foi bastante completo, mas decorreu com poucos tempos mortos e com uma sequência lógica entre as várias atividades.

Depois de uma apresentação e análise estática do OMODA 9, tivemos oportunidade de passar por diferentes exercícios de dinâmica e segurança ativa, condução em circuito e, posteriormente, experimentar também outros modelos da gama numa rota que combinava estrada e alguns troços fora de asfalto.

535 cv num SUV que esconde bem o seu tamanho

O grande protagonista do dia era, lá está, o OMODA 9, equipado com o sistema híbrido plug-in SHS, isto é, um motor de combustão com três motores elétricos, numa potência máxima combinada de 535 cv.

Os números oficiais falam em 4,9 segundos dos 0 aos 100 km/h, até 145 km de autonomia elétrica e mais de 1.100 km de autonomia combinada. Mas havia uma característica que me interessava particularmente perceber: como é que um SUV desta dimensão e deste posicionamento se comportaria quando começássemos a pedir-lhe algo mais do que conforto?

O OMODA 9 é mais ágil do que aquilo que a sua dimensão e aparência deixam antecipar. Naturalmente, não estamos perante um desportivo, seria absurdo avaliá-lo como tal, mas, nos exercícios realizados em circuito, foi possível perceber que existe um bom controlo dos movimentos da carroçaria e uma capacidade de mudança de direção bastante convincente para um SUV deste género. Há peso e sente-se que existe bastante tecnologia e complexidade por baixo de nós. Mas o carro consegue disfarçá-lo bastante bem, sendo precisamente esse o tipo de característica que dificilmente conseguimos explorar convenientemente numa utilização normal em estrada aberta.

Segurança ativa: Só mesmo experimentando

O OMODA 9 anuncia 19 sistemas avançados de assistência à condução, mas existe uma enorme diferença entre ler essa informação numa ficha técnica e experimentar alguns desses sistemas num exercício preparado especificamente para os colocar à prova. No Algarve, parte do programa decorreu em piso de aderência reduzida, permitindo perceber as reações do automóvel quando as condições deixam de ser ideais, como por exemplo como transfere peso ou como reage a uma mudança brusca de trajetória. E nessas situações, o OMODA 9 transmitiu uma sensação de segurança e previsibilidade bastante positiva.

Detalhe importante: a bateria

OMODA 9 Driving Experience

Nem tudo foram elogios, claro. E houve uma característica que é particularmente importante mencionar num automóvel cuja potência máxima depende significativamente da componente elétrica do sistema híbrido: quando a carga disponível na bateria desce significativamente, a diferença de performance é muito evidente.

Não estamos apenas a falar de uma pequena variação que se percebe olhando para um cronómetro. A própria resposta do automóvel muda de forma percetível. Com o sistema elétrico nas melhores condições, os 535 cv oferecem ao OMODA 9 uma capacidade de aceleração que chega a parecer quase incompatível com as dimensões do automóvel. Quando essa componente elétrica deixa de conseguir contribuir da mesma forma, porém, o automóvel perde uma parte importante dessa energia.

É uma característica que não é exclusiva do OMODA 9 – a gestão de potência e de energia é uma questão central nos híbridos plug-in de elevada performance -, mas que é importante compreender quando olhamos para números de potência combinada desta dimensão.

OMODA 5 e OMODA 7 também fizeram parte do programa

Embora o OMODA 9 tenha sido claramente a estrela do dia, a experiência não ficou limitada ao novo topo de gama. Houve também oportunidade de conduzir o OMODA 5 e o OMODA 7, numa rota que combinava estrada convencional com algumas zonas fora de asfalto. Foi uma forma interessante de perceber não apenas um automóvel isoladamente, mas também a evolução da gama e as diferenças de posicionamento entre os vários modelos.

E depois apareceu Noah Monteiro

O final do evento ainda guardava uma surpresa. Noah Monteiro juntou-se ao grupo no Autódromo Internacional do Algarve para uma sessão em pista com o OMODA 9. E aqui houve um pequeno detalhe que rapidamente despertou a atenção de todos: foram sorteadas quatro experiências de co-drive com o piloto português. Infelizmente, não fui um dos felizardos…

O OMODA 9 saiu melhor do que entrou

OMODA 9 Driving Experience

Antes deste evento já conhecia os principais argumentos do OMODA 9, mas o OMODA 9 Driving Experience permitiu perceber como é que os números e a tecnologia se traduzem quando começamos efetivamente a exigir alguma coisa ao automóvel. E foi sobretudo aí que fiquei surpreendido. Não só pelo conforto e pela tecnologia, mas principalmente pela agilidade e pelo comportamento dinâmico, que não são necessariamente as primeiras características que associamos a um SUV desta dimensão.

Há questões que merecem uma análise mais prolongada, entre elas perceber como o sistema híbrido gere a disponibilidade de potência numa utilização real e prolongada, especialmente com níveis mais baixos de carga. Mas como primeira experiência aprofundada, realizada num ambiente onde foi possível ir bastante além da utilização normal em estrada, o saldo foi claramente positivo. E isso talvez seja o melhor elogio que se pode fazer a um evento deste género…

Rui Farinha Pereira
Rui Farinha Pereira
Consultor de tecnologia e gestor de projetos de profissão, apaixonado por automóveis desde sempre. Alfista de coração, com experiência em competição automóvel nacional, participou em provas como a Rampa da Arrábida, Almada Xtreme Sprint e Sprint Cidade de Setúbal. Na EchoBoomer junta duas das suas grandes paixões: tecnologia e mobilidade. Escreve sobretudo sobre automóveis, inovação e novas tecnologias, privilegiando ensaios baseados na experiência real de utilização, sempre acompanhados, quando possível, pelas suas próprias fotografias e conteúdos em vídeo. Entre estradas reais e virtuais, mantém também uma forte ligação ao Sim Racing, onde acompanha e testa hardware, software e novas soluções ligadas ao mundo da competição.
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