Geely chega oficialmente a Portugal com o E5, E2 e Starray EM-i

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O plano de crescimento da Geely em Portugal contempla uma forte expansão de portefólio nos próximos anos.

O Grupo Salvador Caetano assinalou a celebração dos seus 80 anos de história com a entrada oficial da Geely no mercado automóvel português, concretizando uma aliança estratégica com o gigante automóvel chinês para reforçar a oferta de mobilidade eletrificada no país. A cerimónia de lançamento, que contou com a presença de membros da delegação da Embaixada da China em Portugal e dos principais responsáveis internacionais da marca, serviu de palco para a revelação de metas comerciais ambiciosas, investimentos em infraestruturas e a estreia comercial de três modelos: o SUV totalmente elétrico E5, o SUV super-híbrido plug-in Starray EM-i e o compacto 100% elétrico E2.

A cooperação entre o grupo industrial português e o conglomerado chinês assenta numa relação de longo curso que ultrapassa as fronteiras nacionais e se estende por diversos mercados. Para a Geely, a Europa e o mercado português representam um compromisso de longo prazo, suportado pela solidez que a marca acumulou desde as suas primeiras apostas internacionais. Com presença ativa em mais de uma centena de países através de nove insígnias distintas, a multinacional alcançou em 2025 um volume de vendas superior a 4,1 milhões de viaturas a nível global, o que representou uma subida de 26% face ao ano anterior. Nesse mesmo exercício, os modelos de novas energias – englobando soluções híbridas, híbridas plug-in e elétricas puras – atingiram 2,3 milhões de unidades, perfazendo cerca de 60% das vendas totais do grupo e impulsionando a empresa para o topo dos construtores chineses de escala global no primeiro trimestre de 2026.

Para além da vertente automóvel convencional, a Geely opera um ecossistema tecnológico e industrial que abrange uma divisão aeroespacial dedicada a satélites de baixa órbita destinados a apoiar a navegação de precisão, as comunicações e os sistemas de condução autónoma dos veículos, bem como o desenvolvimento de semicondutores próprios e a investigação em aeronaves inteligentes. No plano produtivo e de engenharia de segurança, a marca dispõe do Geely Safety Centre, complexo que integra o maior túnel de vento do mundo para testes em diferentes altitudes e condições climatéricas, pistas cobertas de colisão e um leque de 27 tipologias de ensaios que já lhe valeram cinco recordes no Livro Guinness.

Já o centro Geely Technology Europe atua diretamente na adaptação das soluções de engenharia, comportamento dinâmico e software às exigências dos condutores europeus, aplicando uma filosofia orientada à segurança em detrimento do impacto dos custos de produção. A montagem dos veículos modernos apoia-se em fábricas como a unidade inteligente de Xi’an, uma infraestrutura totalmente automatizada, operada com apoio de redes 5G e margens de tolerância de montagem inferiores a 0,5 milímetros.

O plano comercial para o território português apoia-se numa rede de distribuição e assistência técnica desenhada para assegurar cobertura integral. O arranque de operações faz-se com 13 pontos de venda ativos, estando prevista a expansão para mais de 15 concessionários até ao final de 2026, momento em que a marca projeta atingir 100% de cobertura territorial em Portugal. A estrutura de pós-venda beneficia de um investimento em stock local de componentes com níveis de serviço superiores a 85% de disponibilidade imediata de peças, complementado pela perspetiva de abertura, em 2027, de um entreposto central europeu de distribuição. Os técnicos da rede concessionária contam com mais de 400 horas de formação contínua certificada em áreas técnicas, comerciais e de produto, garantindo suporte especializado às motorizações eletrificadas.

A nível de garantias, a Geely introduziu no mercado nacional uma cobertura geral do veículo de 8 anos ou 160.000 quilómetros, acompanhada por 8 anos para a bateria de alta tensão, 8 anos para a pintura e 12 anos de proteção contra a perfuração por corrosão. A fase de lançamento agrega ainda a oferta de 5 anos de manutenção preventiva programada para as três viaturas do catálogo inaugural. A estratégia para clientes particulares e frotistas contempla soluções financeiras desenvolvidas em parceria com o Santander Consumer Finance e serviços de carregamento integrados em parceria com a Galp, viabilizando o fornecimento de cabos, wallboxes domésticas e cartões de acesso a redes públicas.

A gama disponível em Portugal abre com o Geely E5, um SUV do segmento C totalmente elétrico construído sobre a arquitetura global GEA (Geely Electric Architecture), concebida para integrar a bateria na própria estrutura através de uma célula de aço de alta resistência capaz de dispersar forças de colisão por múltiplos canais. O E5 apresenta um comprimento de 4,61 metros, potência de 218 cavalos e uma bateria de 60 kWh, registando uma autonomia homologada em ciclo WLTP de 430 quilómetros. Distinguido com a pontuação máxima de cinco estrelas nos testes de colisão do Euro NCAP, o modelo incorpora de série o conjunto integral de assistências à condução ADAS, disponibilizando cinco cores de carroçaria e dois ambientes interiores. Em termos de posicionamento de preços, a variante Pro chega ao mercado por 28.990€, ao passo que o nível de equipamento Max se fixa nos 30.990€.

A oferta híbrida plug-in é materializada pelo SUV Geely Starray EM-i, veículo de 4,74 metros de comprimento que assenta na mesma plataforma modular GEA e recorre ao sistema motriz EM-i, desenvolvido de raiz com elevado rendimento térmico. A motorização combina um bloco térmico de 1,5 litros com uma unidade elétrica para entregar uma potência combinada de 262 cavalos, sendo que o modelo atinge uma autonomia total combinada de até 1.055 quilómetros, assegurando uma circulação exclusivamente elétrica de até 136 quilómetros.

Tal como o irmão elétrico, o Starray EM-i foi classificado com cinco estrelas pelo Euro NCAP e inclui de origem os sistemas de apoio e assistência à condução. No mercado português, a versão de entrada Pro com bateria de 18 kWh tem um valor anunciado de 28.850€, a especificação intermédia Max de 18 kWh custa 30.060€ e a configuração topo de gama Max Plus, equipada com uma bateria de maior capacidade de 30 kWh, situa-se nos 32.030€.

A novidade de maior impacto para o meio urbano reside no Geely E2, um compacto 100% elétrico que se posiciona num dos escalões de mercado com maior ritmo de crescimento em Portugal. O segmento dos veículos utilitários e compactos movidos a bateria registou uma subida homóloga de 41% nos primeiros oito meses de 2026, período em que se matricularam cerca de seis mil unidades nesta categoria no território nacional, inserido num mercado global de elétricos que avançou 43% no mesmo intervalo. Desenvolvido em estreita articulação com a equipa de engenharia do Geely Technology Europe para responder ao gosto e às exigências dos utilizadores europeus, o E2 ostenta uma carroçaria com 4,14 metros de comprimento, 1,80 metros de largura, 1,54 metros de altura e uma distância entre eixos alongada que permitiu maximizar a volumetria da cabina e criar um piso traseiro plano.

O aproveitamento do espaço a bordo do E2 inclui um compartimento de arrumação frontal sob o capot com 70 litros de capacidade, uma mala traseira com 375 litros de carga e um vão adicional de 38 litros oculto sob os bancos traseiros. A assinatura luminosa é caracterizada por óticas dianteiras com tecnologia DRL contínua e grupos óticos traseiros em LED. A nível da dinâmica, o citadino elétrico recorre a uma configuração de tração traseira e beneficia de um acerto de suspensão e direção específico para o mercado europeu. A segurança ativa e passiva baseia-se num chassis de elevada rigidez com recurso a aços de ultra-alta resistência, sete airbags interiores – concebidos para criar um efeito de casulo de proteção no habitáculo – e um dispositivo de desconexão instantânea de alta voltagem que atua em milissegundos após um embate para anular o risco de incêndio da bateria.

O equipamento tecnológico do E2 integra o sistema de infodivertimento inteligente Flyme Auto, comandado através de um ecrã tátil central de 14,6 polegadas com resolução de alta definição e complementado por um painel de instrumentos digital de 8,8 polegadas, ambos atualizáveis remotamente através de tecnologia over-the-air. O condutor tem ainda acesso à aplicação móvel Geely App, que permite consultar o estado de carga, planear rotas e gerir comandos do veículo à distância. As ajudas à condução incluem monitorização de fadiga e distração por reconhecimento ótico do olhar, programador de velocidade adaptativo para tráfego urbano e autoestrada, câmara de visualização panorâmica de 360 graus e alertas de aproximação de tráfego em cruzamentos dianteiros e traseiros.

O modelo é também o primeiro produto da marca desenvolvido para cumprir na íntegra as novas e mais rigorosas diretrizes de segurança dos protocolos Euro NCAP de 2026, mantendo o objetivo das cinco estrelas.

No plano comercial, a gama nacional do Geely E2 arranca com a versão Pro, dotada de uma bateria de 35 kWh, autonomia de 252 quilómetros em percurso combinado e 368 quilómetros em ambiente urbano, proposta por 17.810€. As configurações intermédia Max e de topo Ultra partilham uma bateria de 47 kWh, alcançando 345 quilómetros de autonomia mista e 497 quilómetros de condução citadina, com preços de tabela fixados em 20.245€ e 22.600€, respetivamente, distinguindo-se a versão Ultra pela dotação alargada de equipamento, incluindo pintura exterior em dois tons, bancos dianteiros e volante com aquecimento elétrico e portão traseiro motorizado com memória de altura.

O plano de crescimento da Geely em Portugal contempla uma forte expansão de portefólio nos próximos anos. Até 2027, prevê-se a introdução de novos modelos que culminarão numa gama nacional composta por nove propostas, entre veículos elétricos puros e variantes híbridas recarregáveis, abrangendo tipologias SUV e berlinas de diferentes dimensões.

No plano global da marca para a Europa, a estratégia de médio prazo prevê o lançamento de até 18 novos modelos nos próximos dois anos. Para o primeiro ano completo de comercialização no mercado português, em 2026, a marca estabeleceu a meta de atingir um milhar de unidades vendidas, posicionando-se como um operador de relevo no processo de transição energética e democratização da mobilidade sustentável no país.

Hugo Faria
Hugo Faria
Licenciado em Informática de Gestão e com Mestrado em Sistemas de Informação de Gestão na Coimbra Business School, fui um dos que contribuiu, do ponto de vista tecnológico, para o nascimento do Echo Boomer. Tenho uma paixão que se divide pela tecnologia, pela música e pelos automóveis, tópicos esses que são explorados por mim em cada artigo que escrevo e publico por aqui.
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