Com um formato dobrável e definitivamente interessante, o Logi Mobi Fold oferece uma experiência pouco satisfatória e acaba depressa no bolso, levando-nos a voltar ao touch e ao trackpad dos nossos equipamentos portáteis.
Uma coisa tenho de admitir, o novo rato da Logitech para trabalhar em viagem é giro e adorável, tanto pelo formato e pelo design como pela sua gimmick que lhe dá identidade: a capacidade de dobrar, reduzindo a sua dimensão e tornando-se mais compacto e transportável. É um formato reminiscente dos smartphones dobráveis e, fechado, até pode ser confundido com um gadget desses, dado que o seu corpo é bastante fino, com cantos arredondados e um perfil bem flat. No entanto, a sua utilização não permite uma abertura a 180 graus, e ainda bem, mantendo um ângulo arqueado para pousar as mãos.
O Logi Mobi Fold aposta na simplicidade e tem apenas três inputs principais, os dois botões de muito baixo perfil e uma área tátil ao centro que pode ser usada como scroll wheel e ao qual pode ser atribuído mais dois cliques. Já na parte interior, conta com um outro botão de emparelhamento, com LEDs apropriados, para poder ser ligado até três dispositivos, com esse botão a servir de alternador. Um toque bem útil para quem quiser passar do seu PC, por exemplo, para um tablet, como um iPad, onde até o usei mais tempo.
A nível técnico, o Logi Mobi Fold é também ele simplista e orientado para um uso casual. Com um sensor ótico capaz de ir aos 4000 DPI, uma bateria de 100mAh capaz de atingir uns impressionantes 32 dias e ligação Bluetooth de baixa energia. Definitivamente não vai receber prémios, tão pouco é indicado para utilizadores mais intensivos, mas tudo o que oferece é perfeitamente normal e utilizável. Contudo, após o meu tempo com o Logi Mobi Fold, acho mesmo que este é um dos piores ratos que já usei e o seu design mete-se no caminho.
A primeira questão que levantei ao pegar e abrir o Logi Mobi Fold foi: porquê? Para o tipo de utilização para que este rato aponta, qual a necessidade de abrir e fazer este arco? A resposta é simples, é o fator ergonómico. Mas, na verdade, não imagino ninguém a usar este rato horas a fio ao ponto de a ergonomia ser um problema. Mesmo fechado, ficando com a sua altura um pouco maior, o rato agarra-se particularmente melhor e parece mais fácil de clicar nos seus botões. Mas, claro, fechado é inoperacional.
E falando da ergonomia, mesmo aberto esta não é a melhor. Dada a natureza flat do corpo do rato, mesmo o seu ângulo tem dificuldades em abraçar as mãos e sente-se um bocado o vinco da dobra, quase como agarrar uma caixa de cartão por um canto. Não magoa, longe disso, mas é uma sensação demasiado estranha e pouco satisfatória, especialmente comparando com outros ratos tradicionais.
Infelizmente, o resto da experiência oferecida pelo Logi Mobi Fold também não é a ideal. O seu sensor ótico tem dificuldades em responder em algumas superfícies, a sensação de deslize é insatisfatória, parecendo que por vezes estamos a riscar a mesa ou a secretária; o ponteiro é extremamente impreciso em todos os dispositivos em que o usei; o pressionar dos botões também não é agradável, requerendo alguma pressão no clique, resultando por vezes em cliques fantasma ou duplos cliques acidentais; e o trackpad de scroll é simplesmente atroz, com atrasos e também movimentos fantasma.
E como outros dispositivos semelhantes, o Logi Mobi Fold requer software próprio para personalização e afinações, nomeadamente para atribuir funções diferentes aos botões, onde é possível usar o clique do trackpad para ações de copiar e colar e, claro, afinar a resolução por DPI, que não é alta o suficiente para o meu uso regular.
À parte da sua utilização inconsistente e pouco satisfatória, o Logi Mobi Fold é um rato definitivamente giro e que chama a atenção pelo seu formato. Mas sinto que, para o efeito e pelo preço de 79,99€, existem soluções muito mais funcionais, completas e igualmente compactas.
Este dispositivo foi cedido para análise pela Logitech.
