Para muitos músicos em Portugal, o seu ganha-pão é proveniente de espetáculos organizados pela autarquias, isto é, pelas câmaras municipais do país.
O músico, produtor e compositor português Ruben Monteiro, mais conhecido como Ben Monteiro, que faz parte dos D’Alva e que colabora também com muitos outros artistas portugueses, como por exemplo em concertos, publicou um vídeo de reação a um outro vídeo do youtuber Wuant, no qual desconstrói as conclusões deste sobre os rendimentos auferidos pelos artistas em Portugal com base nas contratações públicas divulgadas no portal Base.gov.
Perante a leitura do criador de conteúdos relativamente às verbas pagas pelas autarquias, Ben Monteiro explicou a realidade das despesas logísticas, equipas técnicas e impostos que incidem sobre os valores brutos contratualizados.
Para contextualizar o mercado português, o também professor conta-nos que as remunerações artísticas são divididas em quatro patamares distintos. O escalão de entrada, onde se encontram nomes emergentes e bandas independentes com material original, dificilmente alcança os 3.000€ por concerto, exigindo frequentemente cedências técnicas para viabilizar as deslocações. Segue-se um segundo nível em redor dos 10.000€, um terceiro escalão fixado entre os 15.000 e os 20.000€ e, por fim, um segmento de topo com valores superiores e variáveis, mas normalmente a partir dos 40.000€, composto por artistas capazes de garantir grandes lotações.
Para demonstrar como opera a contabilidade real na estrada, o músico apresentou uma simulação detalhada caso realizasse um concerto no Porto, partindo de Lisboa, com um cachet bruto de 10.000€. Feito esse exercício, sobram, no final, cerca de 2.300€, mas, como o próprio indica no vídeo, todos os valores indicados estão “muito por baixo”, isto é, que dificilmente refletem a realidade da vida de um músico na estrada. Ou seja, esse montante de 2.300€ será bastante ilusório.
Ben Monteiro refere ainda que os espetáculos assegurados pelas autarquias com acesso livre ao público representam o principal motor de subsistência para grande parte do setor musical em Portugal, gerando em simultâneo retorno económico para os negócios locais através da ocupação hoteleira e da restauração nas regiões anfitriãs.
