Depois de quatro meses a viver com o SwitchBot S20, a conclusão a que cheguei é simples: este é o primeiro robô que me deixou mesmo em paz.
Texto de: Diogo Alvo
A SwitchBot não é propriamente uma desconhecida, mas também está longe de ser um nome óbvio quando se fala em robôs aspiradores. A marca nasceu em 2016 com um produto bem mais modesto, o SwitchBot Bot, um pequeno robô mecânico que empurra interruptores físicos, pensado para quem vive de arrendamento e não pode andar a substituir tomadas ou interruptores.
Foi a partir desse gesto simples, o de “carregar num botão à distância”, que a empresa construiu todo um ecossistema de casa inteligente: cortinas motorizadas, fechaduras, sensores, purificadores de ar.
Só em 2023 é que decidiu entrar no mercado dos aspiradores robô, com o S10, e o S20, modelo que estive a testar nos últimos meses, é a evolução natural dessa aposta mais recente. Ou seja, ao contrário da iRobot ou da Roborock, que vivem e respiram aspiradores há uma década, a SwitchBot chega a este segmento como quem chega tarde, mas bem preparada. E isso nota-se, tanto nos acertos como nos pequenos deslizes que ainda restam.
Uma casa nova, um robô à medida
Antes do SwitchBot S20, o meu percurso por este mundo já ia longo. Comecei com um daqueles Xiaomi básicos, sem estação, que era preciso esvaziar de mão em mão praticamente todos os dias, uma tarefa que rapidamente se torna um chorrilho de queixumes ao fim de umas semanas.
Depois vim a subir de patamar com o Roborock S8 Pro Ultra, o meu primeiro contacto com uma estação de limpeza completa, capaz de lavar e secar as mopas sozinha. Foi um upgrade e tanto na altura, mas o entusiasmo esbateu-se com um erro 13 que voltava com uma regularidade irritante e que nunca consegui eliminar por completo, apesar de tentar praticamente tudo o que a comunidade sugeria online.
Foi com essa bagagem, e com alguma desconfiança à mistura, que o SwitchBot S20 chegou no momento certo: uma casa nova, no caso um T2 com uma sala grande, dois quartos e uma casa de banho, no total de cerca de 120 m2. E foi aqui que a coisa mudou. Este acabou por ser o tal match perfeito entre casa e máquina: nem demasiado grande para o espaço, nem subaproveitado. É certo que a estação, vista assim de fora, é um equipamento de dimensão considerável, mas colocada no sítio certo, acaba por se integrar no espaço como mais um móvel qualquer, e ao fim de pouco tempo já nem reparo que ali está.
A folha de especificações ajuda a explicar porquê. Os 10.000 Pa de sucção e a bateria de 4.000 mAh dão-lhe músculo suficiente para não se perder a meio da tarefa, mesmo numa casa com esta dimensão.
Mapeia bem e reconhece o que interessa
Um dos primeiros momentos de verdade com qualquer robô deste género é o mapeamento inicial, e é também onde muitos tropeçam, sobretudo em casas com layouts menos óbvios. Felizmente, o SwitchBot S20 não me deu esse desgosto. Com o LiDAR a fazer o trabalho pesado, percorreu a casa toda numa primeira passagem e devolveu um mapa fiel à realidade, sem salas trocadas nem contornos estranhos que depois é preciso andar a corrigir manualmente na aplicação: um problema que já vi acontecer com outros robôs.
Mais impressionante ainda foi a forma como reconheceu de imediato o tapete que tenho na sala. Sem qualquer intervenção da minha parte, o S20 percebeu que aquela zona era diferente do resto do pavimento e passou a aplicar-lhe um tratamento próprio: a aspirar com mais força ali e a evitar molhar a superfície durante a lavagem. É um detalhe que, tecnicamente, se explica pela combinação do LiDAR com a deteção de tapetes e o levantamento automático das mopas, mas que na prática se traduz numa coisa bem mais simples: não tive de configurar zona nenhuma à mão para proteger o tapete.
Uma casa inteira, sem paragens a meio
Um dos maiores testes de resistência para qualquer aspirador robô é justamente este: aguentar uma casa completa sem ter de voltar à base a meio da limpeza para recarregar. Nos meus 120 m2, o SwitchBot S20 despacha a casa toda em cerca de uma hora, de ponta a ponta, sem qualquer interrupção.
Pode parecer um detalhe menor, mas quem já teve de lidar com um robô a parar a meio de uma sala para ir carregar e a voltar depois sem memória exata de onde tinha ficado sabe bem a diferença que isto faz no dia a dia. Aqui, o processo é sempre o mesmo: sai da base, despacha a casa toda, volta e só nessa altura é que me lembro que o equipamento existe, até porque, ao longe, ouço o som da estação a despejar o lixo.
Versátil como manda a receita da categoria
Tal como seria de esperar de um aspirador nesta gama de preço, o SwitchBot S20 não se limita a um único modo de trabalho. A aplicação permite escolher entre diferentes potências de aspiração e diferentes intensidades de lavagem, fazer limpezas dirigidas a uma divisão específica da casa, ou simplesmente deixar tudo entregue a uma rotina automática – sendo esta última, sem qualquer dúvida, a funcionalidade que mais uso e que mais valor traz ao dia a dia.
Defini uma limpeza diária e, desde então, deixei de precisar de pensar no assunto: chego a casa e já está feito. Nos dias de teletrabalho, então, é ainda mais evidente: desligo o computador ao final da tarde e a casa já está limpa, sem que em momento algum tenha tido de interromper o que estava a fazer para lhe dar atenção.
Ao nível da deteção de obstáculos, o SwitchBot S20 também se porta bem. A combinação de câmara com inteligência artificial, sensor infravermelho frontal e sensor PSD lateral consegue identificar cadeiras, fios e outros pequenos entraves do quotidiano com uma taxa de acerto que, ao longo destes quatro meses, me deixou surpreendido pela positiva. Foram raras as vezes em que tive mesmo de o ir resgatar de algum sítio onde tivesse ficado preso – e para quem já teve de andar à procura do robô encravado nas pernas de uma cadeira ou a espalhar aquele carregador maroto que nunca está no sítio certo, sabe que este é meio caminho andado para uma boa relação com a máquina.
A manutenção é fácil, mas há um pequeno problema
A estação faz praticamente todo o trabalho sujo por mim: avisa quando é preciso repor a água limpa, esvaziar a suja, e sinaliza também quando o saco de recolha de pó está prestes a encher. Um ciclo que, segundo a própria SwitchBot, ronda os 90 dias de utilização antes de ser necessário substituir. Tudo isto acontece sem que eu tenha de pensar muito no assunto, que é exatamente como deve ser num aparelho que se propõe a poupar-nos tempo.
O problema é que esse saco de aspiração – o único consumível que realmente precisa de substituição regular – só se encontra à venda no site oficial da SwitchBot. E aí a experiência degrada-se: o prazo de entrega ronda os nove dias úteis, e a esse tempo de espera soma-se ainda um custo extra de 9€ em portes de envio. Numa altura em que a generalidade dos consumíveis de outras marcas se encontra facilmente disponível em qualquer marketplace ou loja de eletrodomésticos, esta limitação pesa bastante, sobretudo quando o saco decide esgotar-se sem aviso prévio, a meio de uma semana em que preciso mesmo do robô a funcionar em piloto automático.
Vale o investimento?
Para quem procura um aspirador robô que trate da aspiração e da lavagem do chão sem exigir intervenção constante, o SwitchBot S20 cumpre bem aquilo a que se propõe. Depois de uma experiência mais atribulada com um modelo de outra marca, o S20 devolveu-me algo que tinha perdido pelo caminho: a confiança de deixar o robô a trabalhar sozinho, sem estar constantemente de olho para ver se ficou preso ou se voltou à base sem terminar o trabalho.
E é isso, no fundo, que mais valorizo passados estes quatro meses: deixei de usar o aspirador manual. Por completo. A única exceção é um aspirador de mão, reservado para aqueles cantos mais pequenos ou situações pontuais onde não vale a pena mandar o robô – mas o aspirador vertical, esse, está arrumado há meses sem uso. Nunca tinha chegado a este ponto com nenhum dos robôs anteriores, e é provavelmente o maior elogio que consigo fazer ao SwitchBot S20: não é só que limpe bem, é que me convenceu a confiar-lhe a limpeza da casa por inteiro.
Fica a faltar apenas essa disponibilidade mais alargada dos consumíveis, algo que a SwitchBot facilmente poderia resolver se abrisse a venda dos sacos a outros canais de distribuição, à semelhança do que já acontece com marcas mais estabelecidas neste mercado. De resto, é um robô sólido, competente, e que, pelo menos nesta casa e com este tamanho, encontrou finalmente o espaço certo para mostrar do que é capaz.
Portanto, e respondendo, claro que o SwitchBot S20 vale o investimento. Ainda por cima quando falamos de um produto que foi lançado por 799.99€ e que, agora, pode ser adquirido por 368€, ou seja, com 54% de desconto.

Este dispositivo foi cedido para análise pela SwitchBot
