A história e o crescimento do Yuko: da Foz à Baixa e ao futuro polo em Ramalde

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Após consolidar a casa-mãe na Rua de Costa Cabral, o Yuko chegou à Baixa do Porto e prepara nova unidade com cozinha de produção para abastecer os restaurantes da marca.

O panorama gastronómico da cidade do Porto tem assistido, ao longo dos últimos anos, a uma rápida proliferação de novas abordagens e conceitos em torno da francesinha, mas o percurso do Yuko continua a destacar-se pela fidelidade a um modelo de restauração estritamente familiar e tradicional. A génese do projeto começou a desenhar-se quando a família de José Cambas geria um restaurante na Foz do Douro, uma operação de grande envergadura cujo desgaste, aliado a problemas de saúde que afetaram o pai de José, motivou a necessidade premente de abrandar o ritmo de trabalho e encontrar um espaço de menores dimensões, mais calmo e controlável.

A transição deu-se com a passagem do estabelecimento situado na Rua de Costa Cabral, que operava já sob o nome Yuko. A designação fora atribuída pela antiga proprietária, uma mulher japonesa de nome Yuko que se apaixonara, casara e radicara na Invicta. Quando a família assumiu o negócio, achou piada à singularidade do nome e decidiu preservá-lo nos letreiros e nas ementas, onde figura o registo histórico de 1987. A estrutura fundadora assentou numa divisão clara de responsabilidades entre quatro elementos da mesma casa: o pai de José e um dos irmãos encarregaram-se do atendimento na sala, enquanto a mãe, Dona Fátima, e o outro irmão assumiram a confeção integral na cozinha.

Durante anos, a gestão do Yuko recusou planos de expansão agressiva, contrariando deliberadamente a trajetória tomada por outros ramos da família no mesmo setor gastronómico, que optaram por multiplicar estabelecimentos a um ritmo acelerado. A filosofia de José permaneceu focada num modelo de restauração intimista, em que a relação com os comensais emula o ambiente doméstico de receber amigos na própria sala de estar, garantindo um tratamento próximo e o conhecimento personalizado de cada cliente habitual pelo nome próprio.

Mas essa contenção começou a evoluir após a consolidação plena da operação na Rua de Costa Cabral. O gatilho para a abertura do segundo espaço surgiu através da desocupação de um imóvel na Baixa do Porto, anteriormente explorado por um conhecido da família que decidiu trespassar o local e apresentou a proposta a José. Embora o crescimento territorial nunca tivesse figurado como uma meta prioritária, a oportunidade foi acolhida após um longo e prudente processo de ponderação.

A concretização do espaço na Baixa da cidade, que o Echo Boomer visitou recentemente, exigiu uma fase demorada de obras estruturais, englobando intervenções profundas a nível de canalizações e de instalações elétricas, sem calendários precipitados ou datas fixadas sob pressão. O objetivo residiu em garantir que a nova casa abrisse apenas quando todas as variáveis operacionais estivessem plenamente controladas, salvaguardando a reputação construída ao longo de décadas e evitando que o novo passo prejudicasse os padrões da casa original.

A inauguração oficial do Yuko decorreu a 26 de março, disponibilizando uma capacidade de 98 lugares sentados. A receção por parte do público tem sido marcada por um fluxo constante de clientes, verificando-se a afluência de comensais habituais do espaço original que descem à Baixa para testar o espaço. Estes clientes apontam com frequência a diferença estética face à rusticidade característica da casa-mãe, ao mesmo tempo que validam a consistência da identidade culinária.

No que toca à oferta gastronómica, a francesinha do Yuko mantém-se fiel a uma linha tradicionalista estrita, recusando aproximações à proliferação de versões contemporâneas que têm surgido na restauração da cidade, exceção feita à variante vegetariana e vegana desenvolvida para acomodar restrições alimentares. A premissa de José Cambas assentou, desde a fundação, em retirar a francesinha do circuito exclusivo dos cafés e tascos informais para a colocar no centro de uma experiência de restaurante formal, preservando escrupulosamente a sua fórmula original. A matriz técnica do prato apoia-se em pilares fundamentais: a seleção criteriosa da carne, bife, salsicha e linguiça, adquiridos de forma ininterrupta aos mesmos fornecedores ao longo dos anos para evitar oscilações de produto, e um controlo milimétrico de cozinha. Este cuidado incide de forma decisiva na regulação térmica dos fornos e no tempo de cozedura a que cada prato é submetido, assegurando que o queijo atinja o ponto de fusão exato, sem queimar nem secar.

Como seria de esperar, o molho da casa demarca-se categoricamente das tendências modernas de perfis adocicados que ganharam espaço no mercado portuense, assumindo-se como um preparado clássico e robusto de carne e tomate. O segredo da receita continua centralizado nas mãos de Dona Fátima, que prepara pessoalmente a composição e a distribui em doses ensacadas pelas unidades, salvaguardando o método e os condimentos exatos que apenas partilha com os filhos. A supervisão de qualidade decorre de forma direta: a matriarca desloca-se aos restaurantes uma vez por semana, pede meia francesinha acompanhada por uma porção de molho servida à parte numa taça e prova-o meticulosamente colher a colher para aferir consistência, sabor e temperatura, garantindo que o produto servido aos clientes não sofre qualquer desvio técnico.

Como alternativa de prato principal fora da categoria de francesinhas, a carta do Yuko disponibiliza o Prego no prato, confecionado à base de bife de lombo de alta qualidade e servido com acompanhamento de batata frita e salada. No setor das sobremesas, o restaurante mantém uma política de confeção totalmente caseira. Apesar de o menu ter integrado sugestões mais recentes, como o Cheesecake, as receitas tradicionais continuam subordinadas ao receituário original de Dona Fátima. O Leite-creme mantém o processo ancestral de finalização, sendo queimado na hora à mesa ou na copa com um ferro em brasa colocado diretamente sobre a camada de açúcar, rejeitando a utilização de maçaricos a gás. Ao lado desta opção, a Mousse de chocolate surge como outro dos pilares históricos e intocáveis do cardápio, registando testes contínuos de estabilidade durante as fases de transporte entre cozinhas para assegurar que textura e cremosidade chegam intactas às mesas.

A estratégia de crescimento do Yuko prepara agora a sua fase mais ambiciosa, com a abertura para breve de um terceiro restaurante em Ramalde. Esta nova localização apresentará dimensões significativamente superiores às da Baixa, contando com uma sala ampla e uma esplanada espaçosa, elemento que distingue esta infraestrutura das restantes unidades do grupo.

E não só, uma vez que o projeto de Ramalde terá como elemento nuclear a instalação de uma cozinha de produção de grande envergadura. Esta infraestrutura logística permitirá centralizar a preparação dos componentes base, o corte de carnes e os caldos, canalizando a distribuição diária para os restantes restaurantes através de carrinhas de transporte devidamente refrigeradas, o que resolve os estrangulamentos operacionais e assegura uniformidade absoluta à escala da rede.

A nova unidade servirá igualmente como laboratório para a renovação da carta do Yuko, funcionando de forma combinada com o espaço da Baixa. Enquanto a unidade de Ramalde começará por testar e introduzir novos cortes e pratos de carne para responder a clientes que procuram alternativas sem recorrer à francesinha tradicional, o restaurante da Baixa assumirá a missão de diversificar o serviço ao longo da tarde e noite com o lançamento de uma seleção estruturada de petiscos e tapas de cariz tradicional português, alinhada com o perfil do público turístico e local da zona histórica.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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