Euro 7: o que é, quando começa e que veículos abrange

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Nova norma europeia Euro 7 unifica limites de emissões em 60 mg/km, exige mais durabilidade às baterias e torna testes mais rigorosos.

A norma Euro 7 é o mais recente conjunto de regras europeias para emissões de veículos, aprovado em 2024, e que passa a aplicar-se por fases aos modelos novos que chegam ao mercado. Em causa está um reforço das exigências ambientais, com impacto direto na forma como os automóveis são homologados, mas sem obrigar os condutores atuais a substituir os seus carros.

A Euro 7 surge num contexto em que a qualidade do ar nas cidades continua a ser um problema de saúde pública. As normas anteriores, como a Euro 6, focavam-se essencialmente nas emissões libertadas pelo escape. A nova regulamentação mantém esses limites e amplia o âmbito para outras fontes de poluição até então menos consideradas: as partículas resultantes do desgaste dos travões e dos pneus, que devem ser reduzidas em 27%.

Os travões libertam partículas finas durante a travagem, que podem agravar doenças respiratórias, enquanto os pneus geram microplásticos em resultado do atrito com a estrada, especialmente em travagens e curvas, acabando por contaminar solos e cursos de água. Esta medida aplica-se a todos os veículos, incluindo os elétricos e híbridos, que embora não emitam gases de escape, continuam a produzir partículas através do desgaste mecânico dos travões e pneus.

Para os carros de passageiros e veículos comerciais ligeiros, as novas regras aplicam-se a partir de 28 de novembro de 2026 para novos modelos homologados. Já para todas as matrículas novas de veículos ligeiros, a obrigatoriedade começa em 28 de novembro de 2027. No caso dos veículos pesados, como camiões, autocarros e reboques, o calendário é mais alargado: as novas homologações terão de cumprir a norma a partir de 28 de maio de 2028, e todas as matrículas novas a partir de 28 de maio de 2029.

Outra mudança relevante diz respeito à durabilidade das baterias dos veículos elétricos. A Euro 7 impõe requisitos mínimos para garantir que as baterias mantenham capacidade útil por mais tempo, reduzindo a necessidade de substituição precoce.

A norma mantém também a obrigatoriedade de testes em condições reais de condução, para garantir que os valores de emissões registados em laboratório correspondem ao desempenho em estrada. Os veículos terão de manter o cumprimento dos limites antipoluição durante períodos mais longos: 10 anos ou 200.000 quilómetros, em vez dos atuais 5 anos ou 100.000 quilómetros.

A norma introduz ainda limites de emissão unificados, com um valor único de 60 mg/km para emissões de poluentes, aplicável tanto a motores a gasolina como a gasóleo, eliminando a distinção anterior que permitia 80 mg/km para os veículos diesel. Também os testes de homologação se tornam mais rigorosos, passando a incluir condições mais exigentes, como temperaturas até 45ºC, antes 35ºC, e cenários de condução mais próximos da realidade, incluindo deslocações curtas e emissões durante a fase de aquecimento do motor.

Para quem já tem carro, a Euro 7 não impõe qualquer obrigação de troca, uma vez que a norma apenas se aplica a modelos novos, dentro do calendário definido. Os condutores atuais podem, portanto, continuar a usar os seus veículos sem alterações decorrentes desta regulamentação.

Para gestores de frotas, a norma Euro 7 exige planeamento antecipado: conhecer as datas de aplicação por segmento de veículos, antecipar eventuais diferenças de custo na aquisição e manutenção, e preparar políticas de manutenção que assegurem o controlo de consumos e emissões ao longo da vida útil dos veículos.

Recorde-se que o Parlamento Europeu chegou a aprovar a proibição de vendas de automóveis com emissões poluentes a partir de 2035, mas o Conselho Europeu reviu essa decisão após pressão do setor automóvel. No novo quadro, os fabricantes terão de reduzir 90% das emissões pelo tubo de escape a partir de 2035, podendo compensar os 10% restantes através do uso de aço de baixo carbono produzido na UE ou de combustíveis alternativos, incluindo eletrónicos e biocombustíveis.

Esta abordagem permite que híbridos, híbridos plug-in e motores de combustão interna continuem a ser comercializados além de 2035, coexistindo com veículos totalmente elétricos e a hidrogénio. Antes dessa data, pequenos veículos elétricos acessíveis produzidos na UE beneficiarão de “supercréditos” para estimular a sua presença no mercado. As metas de 2030 incluem ainda ajustes específicos para veículos comerciais, cuja eletrificação tem sido mais lenta.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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