Lisboa prepara novo Ascensor da Glória com tecnologia atual e enquadramento patrimonial, sem perder a ligação à memória da cidade.
O futuro Ascensor da Glória será uma instalação nova, construída de raiz e não uma recuperação do sistema anterior, num projeto que coloca a segurança no centro das decisões e mantém o equipamento no seu enquadramento histórico na Calçada da Glória, em Lisboa.
Numa publicação no LinkedIn, o CEO da Carris, Rui Lopo, deu novidades sobre o desenvolvimento do projeto, reconhecendo que a memória do acidente irá acompanhar todo o processo de desenvolvimento do novo ascensor. Segundo o próprio, acontecimento “alterou profundamente o sistema”, o que leva a que a intervenção em curso não possa ser encarada como uma simples reparação ou reposição do equipamento anterior.
O desenho e a execução do futuro Ascensor da Glória assentam em cinco princípios fundamentais, apresentados como linhas orientadoras da solução a implementar.
O primeiro princípio estabelece que se trata de uma nova instalação, enquadrada pelo Regulamento (UE) 2016/424, e não da recuperação do sistema anterior. O segundo princípio diz respeito à segurança de passageiros, trabalhadores e terceiros, com a integração da “melhor tecnologia e das melhores práticas disponíveis”.
O terceiro princípio visa preservar a Calçada da Glória como espaço pedonal, “atravessável e vivido”, o que implica que a intervenção não pode comprometer a função e a experiência do espaço público onde o ascensor se insere. O quarto princípio foca a valorização da identidade histórica e patrimonial do Ascensor, da própria Calçada e da sua relação com a cidade de Lisboa. O quinto e último princípio refere-se à acessibilidade universal, ao conforto e à inclusão, com o objetivo de proporcionar uma experiência adequada a diferentes perfis de passageiros.
Rui Lopo refere ainda que o Ascensor da Glória “é muito mais do que um meio de transporte”, integrando a identidade de Lisboa, a memória de várias gerações e a imagem da cidade. Nesse contexto, a noção de preservação é apresentada não como uma cristalização no tempo, mas como a garantia de que o património possa continuar a existir, a servir a cidade e a ser usado pelas gerações futuras “nas melhores condições de segurança, fiabilidade e confiança”.
Segundo o responsável, há ainda “muito trabalho pela frente”, mas o anúncio dos princípios orientadores é considerado um passo importante no sentido de devolver à cidade um Ascensor da Glória “preparado para o futuro”, sem perder a sua identidade e sem esquecer as lições retiradas do processo.
O futuro Ascensor da Glória terá duas cabines, travagem automática e materiais que não incluem madeira, estando prevista a abertura de concurso público no primeiro trimestre de 2027 e a inauguração em 2029.
