A futura piscina de ondas Gemswell Surf Madrid deverá abrir em 2027, mas o projeto enfrenta críticas pelo consumo de água, pelo impacto no bairro e pelo enquadramento judicial.
Aquela que vai ser a maior piscina de ondas da Europa está a gerar contestação em Madrid. Moradores do distrito de San Blas-Canillejas e organizações ambientalistas têm vindo a questionar o consumo de água potável, o impacto urbano e o enquadramento legal do Gemswell Surf Madrid, projeto avaliado em 60 milhões de euros e cuja abertura está prevista para 2027.
De acordo com o El País, o complexo está a ser construído desde 2024 num terreno junto ao Riyadh Air Metropolitano, estádio do Atlético de Madrid, num projeto que ocupará cerca de 23.000 m2 e que prevê uma lagoa com 30.000 m3 de água potável. Segundo os dados divulgados pela Plataforma Ecologista de Madrid, a evaporação anual poderá ultrapassar a capacidade total da estrutura. Durante os meses de verão, a perda diária de água poderá chegar aos 184.000 litros.
15,7 milhões de euros vindos de fundos europeus
A contestação envolve organizações ambientalistas e associações de moradores. Os críticos opõem-se ao consumo de água associado ao empreendimento, que recebeu 15,7 milhões de euros em fundos públicos europeus destinados, em teoria, a projetos de turismo sustentável.
A situação é também marcada por uma disputa judicial relacionada com o ordenamento urbanístico da zona. O Tribunal Superior de Justiça de Madrid anulou o plano especial através do qual a autarquia procurava regularizar os terrenos municipais cedidos, anos antes, ao Atlético de Madrid, sendo que o município recorreu da decisão. E enquanto os grupos ambientalistas e os moradores defendem a suspensão dos trabalhos devido à incerteza jurídica, os responsáveis pelo futuro complexo afirmam que a piscina não é abrangida pela sentença.
De acordo com os cálculos apresentados pela Plataforma Ecologista de Madrid, baseados em dados fornecidos pela Agência Estatal de Meteorologia, a evaporação da piscina poderá provocar uma perda anual de 32.200 metros cúbicos de água. Esse volume corresponde a mais 7% do que a capacidade total prevista para a lagoa artificial.
A água utilizada para encher a piscina será potável e terá origem no Canal de Isabel II. Ora, a legislação espanhola não permite a utilização de água regenerada para fins recreativos, razão pela qual o complexo terá de recorrer à rede de abastecimento de água potável.
No projeto, e para além da piscina de ondas, está também prevista uma praia artificial com 5.500 m2, campos de golfe, um auditório e outras atividades comerciais, entre as quais um hotel e espaços de restauração.
Do lado da associação, diz-se que o projeto não foi submetido à avaliação ambiental considerada necessária. Já o Atlético de Madrid rejeita as críticas relacionadas com o impacte ambiental, salientando que o projeto obteve uma avaliação positiva do princípio europeu DNSH, sigla de Do No Significant Harm, que determina que uma atividade não deve causar danos significativos aos objetivos ambientais da União Europeia.
A avaliação foi realizada por um especialista independente e, segundo o clube, os seis objetivos ambientais europeus analisados receberam uma apreciação favorável. Entre as medidas previstas para reduzir o consumo e as perdas de água estão uma impermeabilização técnica de elevada resistência, um sistema de drenagem em espinha de peixe, destinado a recuperar eventuais infiltrações, e bota-ondas instalados no perímetro da piscina para limitar as perdas provocadas pelos salpicos.
Impacto no bairro
A Associação de Moradores Las Musas–Las Rosas também se opõe ao projeto. A organização teme que a zona junto ao estádio se transforme num centro de atividade comercial e empresarial, mais do que num espaço dedicado ao desporto.
Uma das principais preocupações é o estacionamento. A associação receia que os lugares previstos não sejam suficientes e que os veículos acabem por ocupar as ruas do bairro, agravando os problemas de circulação e estacionamento já existentes.
