Mesmo quase coberto pela Lua, o Sol pode causar danos na retina. Conheçam as regras para observar o eclipse solar em segurança.
Portugal poderá observar, no próximo dia 12 de agosto, um eclipse solar visível em todo o território nacional. O fenómeno deverá suscitar o interesse de muitos observadores, mas a sua observação implica cuidados específicos. Olhar diretamente para o Sol, mesmo durante um período curto, pode provocar lesões graves e permanentes na retina.
O risco mantém-se ao longo das diferentes fases do eclipse. Mesmo quando a Lua cobre grande parte do disco solar e a luminosidade diminui significativamente, a radiação emitida pelo Sol continua a atingir níveis capazes de causar danos na visão. A redução da luz visível pode criar uma falsa sensação de segurança, mas não significa que seja seguro observar o fenómeno sem proteção.
Segundo recomendações da Lusíadas Saúde, o eclipse solar não deve ser observado à vista desarmada em nenhuma circunstância. A regra aplica-se tanto ao período anterior e posterior ao máximo do eclipse como à fase em que o Sol parece estar quase totalmente coberto pela Lua. Não é seguro olhar diretamente para o Sol “apenas por alguns segundos”, uma vez que a exposição pode ser suficiente para provocar uma lesão na retina.
Óculos próprios são indispensáveis
A observação direta deve ser feita apenas com óculos próprios para eclipses ou com visores solares concebidos especificamente para esse fim. Estes equipamentos devem cumprir a norma ISO 12312-2 e apresentar marcação CE. Devem também incluir informação que permita identificar o fabricante e a origem do produto. Óculos sem estas indicações ou cuja procedência não possa ser confirmada não devem ser utilizados para observar o Sol.
Também é necessário verificar o estado do equipamento antes da utilização. Os filtros devem estar devidamente fixos, sem rasgões, riscos, perfurações ou outros sinais de deterioração. Dobrar os óculos, armazená-los de forma inadequada ou expô-los a condições que possam danificar os filtros pode comprometer a sua capacidade de proteção. Se existirem dúvidas sobre o estado dos óculos, estes não devem ser usados.
A forma de colocar e retirar os óculos é igualmente importante. Os óculos devem ser colocados antes de o observador dirigir o olhar para o Sol e só devem ser retirados depois de o olhar ser desviado. A utilização de proteção adequada não significa que seja recomendável permanecer continuamente a olhar para o Sol. As observações devem ser curtas e espaçadas, reduzindo o tempo de exposição direta.
Os óculos de sol convencionais não oferecem proteção suficiente para este tipo de observação. O mesmo se aplica a materiais improvisados, como radiografias, negativos fotográficos ou outros filtros caseiros. Embora possam reduzir a intensidade da luz visível, esses materiais não garantem a filtragem da radiação solar responsável por lesões na retina. A menor luminosidade não permite concluir que a observação seja segura.
Equipamentos óticos exigem filtros específicos
A utilização de instrumentos óticos requer precauções adicionais. Câmaras fotográficas, telemóveis, binóculos, telescópios e equipamentos semelhantes não devem ser apontados para o Sol sem filtros solares próprios, instalados de acordo com as especificações do fabricante. Estes instrumentos concentram a radiação solar, podendo causar lesões oculares imediatas quando utilizados para observar através deles sem a proteção adequada. A exposição também pode danificar os próprios equipamentos.
No caso das crianças, a observação deve ser acompanhada por um adulto durante todo o período. Os mais novos podem ter dificuldade em manter os óculos corretamente colocados ou em seguir as instruções, além de poderem tentar olhar diretamente para o Sol por curiosidade. Antes do eclipse, é importante explicar os riscos, mostrar como colocar e retirar os óculos e confirmar que a proteção permanece corretamente posicionada durante a observação.
Os sintomas de uma lesão ocular podem não surgir imediatamente. Entre as alterações a que se deve estar atento encontram-se a visão desfocada, a percepção de uma mancha escura ou de um ponto cego no centro do campo visual e a distorção das imagens. Caso surja qualquer alteração depois da observação do eclipse, deverá ser procurada avaliação por um oftalmologista.
A observação do eclipse solar deve, por isso, ser feita apenas com equipamento adequado e respeitando as regras de segurança. Sem proteção certificada, não é seguro olhar diretamente para o Sol, independentemente da fase do fenómeno ou do tempo de exposição.
