Stocks pré‑Volta podem continuar a ser vendidos.
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) reviu a orientação inicial e vai permitir que as empresas continuem a vender embalagens sem o símbolo Volta a partir de 10 de agosto, mesmo após o fim do período de transição definido para o canal HORECA. A decisão, comunicada após a retificação da Circular nº 01/2026/DFEMR, pretende evitar desperdício e facilitar o escoamento dos stocks existentes.
Segundo a AHRESP, esta clarificação significa que distribuidores, grossistas, retalhistas e estabelecimentos de hotelaria e restauração podem vender ao consumidor final as embalagens pré‑Volta, desde que os respetivos resíduos sejam encaminhados para o ecoponto amarelo.
Alternativas para empresas com embalagens antigas
Além da venda ao público, a AHRESP indica outras opções para quem ainda possui embalagens sem marcação Volta:
- Doação a instituições sociais para consumo próprio.
- Utilização interna dentro da empresa, evitando desperdício.
Estas alternativas permitem que o setor reduza perdas económicas e ambientais, enquanto decorre a adaptação ao novo Sistema de Depósito com Reembolso (SDR).
Volta já recolheu 100 milhões de embalagens
O sistema Volta, que introduz um depósito reembolsável em embalagens de bebidas de uso único, ultrapassou recentemente os 100 milhões de unidades devolvidas, com uma taxa de recolha de 38%. A SDR Portugal, entidade responsável pela operação, destaca a rápida adesão dos consumidores, apesar de reconhecer que o processo representa uma mudança significativa de hábitos.
Nos últimos meses, várias cidades registaram episódios de vandalização de caixotes do lixo e resíduos espalhados na via pública, motivados pela procura de embalagens com valor de reembolso. A SDR afirma estar disponível para colaborar com municípios e operadores económicos para reforçar a rede e ajustar soluções de recolha, sublinhando que são necessárias respostas eficazes para minimizar estes impactos.
Problemas iniciais são comuns noutros países
A SDR lembra que situações semelhantes ocorreram no arranque de sistemas equivalentes em países como Alemanha, Países Baixos, Letónia, Malta ou Irlanda. Em cada caso, foram adotadas soluções distintas, que foram desde campanhas de sensibilização à adaptação da infraestrutura urbana, passando por videovigilância em zonas críticas.
Com a expansão da rede e a normalização dos hábitos de devolução, estes problemas tendem a diminuir, afirma a entidade, que alerta que episódios pontuais não devem ser usados para tirar conclusões definitivas sobre uma política pública ainda em fase inicial.
