UEFA rejeita plano da FIFA para envolver investidores privados nas competições

- Publicidade -

A FIFA defende que a nova estrutura dará mais peso às associações-membro, enquanto a UEFA considera que o plano abre a porta a interesses privados.

A UEFA e as suas 55 associações-membro reafirmaram a oposição à proposta da FIFA para a criação da FIFA Forward Enterprise, defendendo que não participarão em competições da FIFA enquanto se mantiver em aberto qualquer plano que envolva a entrada de investidores privados na estrutura comercial do organismo. Do lado da FIFA, a resposta às críticas procurou enquadrar a proposta como um processo de consulta ainda em curso, insistindo que o objetivo não é vender o futebol, mas permitir que as 211 associações-membro possam ter uma participação mais direta no valor comercial gerado pelo jogo nos respetivos países.

A UEFA diz rejeitar, de forma unânime e inequívoca, qualquer tentativa de transferir participações na propriedade do Mundial e de outras competições da FIFA para investidores privados. Na leitura da organização europeia, o Mundial não pode ser tratado como um produto de investimento nem como um ativo comercial passível de ser cedido, dado representar uma herança desportiva construída ao longo de gerações por jogadores, seleções e adeptos em todo o mundo. A FIFA, por sua vez, sustenta que a proposta da FIFA Forward Enterprise foi apresentada justamente para garantir que todas as associações-membro possam beneficiar de forma significativa da oportunidade comercial associada ao futebol, sem que isso prejudique o espírito do jogo nem a governação da própria FIFA.

No centro da disputa está também o modo como o processo foi conduzido. A UEFA critica o facto de uma proposta desta dimensão ter sido preparada sem uma consulta pública verdadeiramente significativa às entidades responsáveis pela governação do futebol, considerando que isso representa uma falha grave de liderança e uma abdicação do dever da FIFA enquanto entidade tutelar do jogo. A FIFA responde que o processo de consulta foi perturbado por informações incorretas divulgadas na comunicação social e afirma que vai avançar com essa consulta para que cada associação-membro possa votar com base em factos. No entender da FIFA, nenhuma entidade isolada pode reclamar para si a representação de todas as 211 associações, devendo cada uma delas ter oportunidade de analisar a proposta e influenciar o seu futuro.

A divergência estende-se ao conteúdo da proposta. A FIFA explica que a FIFA Forward Enterprise serviria para transferir as atividades comerciais e operacionais de organização de eventos para uma subsidiária que continuaria permanentemente sob controlo da própria FIFA. Segundo a entidade, o valor comercial criado seria repartido por todas as 211 associações-membro, permitindo novos investimentos no futebol em cada país. A FIFA acrescenta ainda que cada associação receberia 20 milhões de dólares em financiamento FIFA Forward ao longo dos quatro anos entre 2027 e 2030, independentemente da sua posição sobre a proposta, e que esse reforço resultaria das receitas adicionais geradas pela gestão mais eficaz das operações comerciais.

A organização acrescenta também que o chamado FIFA Fast Forward Programme corresponde a um financiamento de desenvolvimento único, de mais 20 milhões de dólares por associação, sujeito a adesão voluntária, caso a proposta avance. A FIFA sublinha que esse modelo seria financiado por investimento externo, sem cedência de controlo nem alteração da sua estrutura de governação. Ao mesmo tempo, admite que, sem o apoio da maioria das associações-membro, as atividades comerciais da FIFA permanecerão inalteradas e a FIFA Forward Enterprise não será criada. A própria FIFA apresenta estes elementos como pontos de partida da consulta, que podem ainda ser aprovados, rejeitados ou alterados no todo ou em parte.

A UEFA, por seu lado, insiste que qualquer entrada de interesses privados nas competições da FIFA introduziria uma lógica de retorno comercial permanente, com pressão diária sobre decisões relativas ao calendário internacional, aos formatos competitivos e à evolução futura do futebol. A organização europeia defende que esse tipo de modelo colocaria os interesses de associações nacionais, ligas, clubes, jogadores e adeptos em posição subordinada face aos investidores e considera que o futebol não deve hipotecar o seu futuro em troca de ganho financeiro.

A posição europeia mantém-se, assim, inalterada: enquanto a proposta continuar viva, as seleções nacionais da UEFA não participarão em competições da FIFA, a menos que o plano seja abandonado na totalidade e existam garantias vinculativas de que a FIFA não voltará a abrir a sua governação ou as suas competições à propriedade privada. A FIFA, entretanto, contrapõe que o processo ainda está no início e que os princípios subjacentes à proposta passam por um financiamento de desenvolvimento sem precedentes, pela partilha global da oportunidade comercial do futebol e pela autodeterminação das associações-membro através de um processo democrático.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
- Publicidade -

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Relacionados