Neerlandesa Zeeman abandona Portugal e fecha lojas no país

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A Zeeman tinha um total de oito lojas em Portugal. O país era visto como “mercado-piloto” para a marca, mas pelos vistos os portugueses não aderiram como o esperado.

Portugal é, cada vez mais, um país para investimento estrangeiro. E não, não falamos apenas de imobiliário, mas também da abertura de novas cadeias de lojas. Porém, nem tudo é positivo, e há empresas que abandonaram, ou estão prestes a abandonar o país.

Em fevereiro, e antes do assunto se tornar conhecido para outros meios, falámos pela primeira vez sobre o encerramento da Gifi Portugal, que abandonou Portugal após a abertura de duas lojas. E agora, foi a vez da neerlandesa Zeeman, fundada nos Países Baixos em 1967, deixar de existir em Portugal.

Tudo começou em abril de 2023, quando ficámos a saber da chegada da Zeeman a Portugal, na altura com a inauguração de uma primeira loja em Matosinhos. Na altura, a empresa dizia que o nosso país seria uma peça fundamental do plano de crescimento na Europa, uma vez que a marca pretendia aproximar os portugueses do conceito de “loja de bairro”, o que passava por estar sempre perto dos clientes e evitar que tivessem de deslocar-se para longe para comprar roupa e têxteis de qualidade e ao melhor preço.

Com designs simples, que permitiamm uma produção em grandes quantidades, e através de uma organização inteligente, a Zeeman garantia os preços mais baixos possíveis. Apresentava uma vasta gama de produtos, dividida em quatro categorias principais: vestuário para bebé e criança; collants e meias; têxteis de cama, banho e cozinha; e roupa interior, lingerie e pijamas. Também comercializava moda feminina e masculina e produtos não têxteis, como acessórios domésticos e produtos de limpeza. 

Por exemplo, era possível comprar uma  t-shirt de criança por 2,99€ ou um pacote de quatro meias por 4,99€, tudo com boa qualidade e fabrico responsável. Como? De acordo com a Zeeman, tal era possível graças à mentalidade “zuinig”, que significa ser respeitoso e parcimonioso com as pessoas, o ambiente e a sociedade.

Com todas estas promessas, não admira que a marca se tenha então começado a expandir por cá, com lojas em Vila Nova de Gaia, Porto, Póvoa de Varzim, Braga, Paços de Ferreira, Penafiel e Ovar. Ou seja, tudo no norte do país, deixando o resto do território nacional sem lojas Zeeman. Referir ainda que foi também em 2023, dois meses após a abertura da primeira loja, que a empresa lançou a sua loja online.

Ora, desde julho do ano passado, mês em que foi inaugurada a loja de Ovar, que nunca mais se soube nada da Zeeman. E agora – na verdade desde maio – sabe-se o porquê: a Zeeman deixou de existir em Portugal.

Quem for ao site oficial pode agora ler a seguinte mensagem: “A Zeeman é uma cadeia neerlandesa com mais de 1300 lojas físicas e online nos Países Baixos, Bélgica, Luxemburgo, França, Alemanha e Espanha. Até julho de 2026 tínhamos também algumas lojas físicas e uma loja online em Portugal. Não obstante a apreciação dos nossos clientes em Portugal, decidimos fechar estas lojas para nos dedicarmos por completo aos países onde temos lojas em maior número.” Portanto, é um adeus da Zeeman ao nosso país… pelo menos para já.

Basicamente, Portugal e Aústria – outro país afetado pelo encerramento de lojas – eram classificados pela empresa como “mercados-piloto” que não demonstraram potencial suficiente para justificar a continuidade das operações.

Fica assim pelo caminho a história da Zeeman em Portugal, que chegou a pensar-se como uma alternativa à Primark.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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