Os sucessivos aumentos de preço da PlayStation 5, XBOX Series X|S e Nintendo Switch 2 poderão levar a uma quebra de quase 20% nas vendas de consolas este ano, de acordo com uma recente análise da S&P Global Market Intelligence.
Numa geração em que as consolas ficaram mais caras em vez de descerem de preço e ficarem acessíveis com a passagem do tempo, uma recente análise da S&P Global Market Intelligence (via GamesIndustry.biz) antecipa que haverá uma quebra significativa nas vendas de hardware ao longo de 2026.
De acordo com a empresa de análise, em 2026 deverão ser comercializadas cerca de 33,9 milhões de consolas, cerca de menos 19,5% do que em 2025. Esta descida surge depois de um ano marcado pelo lançamento da Nintendo Switch 2, que fez crescer o mercado em 13,5%, até um total 42,1 milhões de unidades, entre as principais fabricantes. A previsão inclui apenas as consolas da Nintendo, Sony e Microsoft.
Neil Barbour, analista da S&P Global Market Intelligence, tenta explicar a tendência, considerando que o mercado enfrenta atualmente vários problemas em simultâneo. Por um lado, muitas das consolas disponíveis já têm vários anos e começam a ficar datadas com uma nova geração já no horizonte, por outro, os sucessivos aumentos de preço tornaram-nas menos acessíveis. A isso junta-se ainda um calendário de lançamentos que considera pouco forte, com poucos jogos capazes de impulsionar e justificar as vendas – quando comparado com a cadência de gerações anteriores.
O atual cenário é pouco comum na indústria dos videojogos. Anteriormente, o preço das consolas tendia a baixar à medida que a geração avança, tornando-as mais apelativas para novos compradores. No entanto, a atual geração seguiu precisamente o caminho oposto, devido a várias circunstâncias, que começaram com a pandemia global e os efeitos na indústria tecnológica, com escassez de componentes e atrasos de desenvolvimento de jogos. Mais recentemente tivemos o advento da IA, o aumento dos custos de componentes, assim como interferências nas cadeias de logística afetadas pelos conflitos geopolíticos, para além de decisões e reestruturações internas dentro de cada empresa, nomeadamente na Sony e Microsoft.
O relatório partilha previsões para as diferentes tecnológicas, indicando, por exemplo, que a que a Nintendo Switch 2 possa terminar 2026 com cerca de 17,1 milhões de unidades vendidas, naquele que será um resultado semelhante ao alcançado pela Nintendo Switch original durante o seu segundo ano no mercado. Ainda assim, a empresa considera que a subida de 50 dólares no preço da consola (que, por cá, será de 30€ a partir do dia 1 de setembro) poderá ser o suficiente travar vendas, sobretudo numa altura em que o maior exclusivo da Nintendo até ao final do ano, será “apenas” um remake, com The Legend of Zelda: Ocarina of Time.
No lado da Sony, a PlayStation 5 deverá continuar a perder ritmo. Depois de ter vendido 17,1 milhões de unidades em 2025, menos 15,2% do que no ano anterior, a previsão aponta para uma descida para 13,2 milhões de unidades em 2026. A analise recorda também que a Sony aumentou o preço de todos os modelos da PlayStation 5 em abril deste ano, algo que para Neil Barbour são valores que se tornam difíceis de justificar quando se trata de hardware de 2020, questionando até que ponto o lançamento de Grand Theft Auto VI, que se prevê ter mais jogadores na consola da Sony, será suficiente para convencer mais pessoas a comprar uma PlayStation 5.
Já a situação da Microsoft com as XBOX Series X|S é ainda menos animadora. Depois de ter registado o pior ano de vendas desde o seu lançamento, com 3,2 milhões de unidades em 2025, a S&P prevê que esse número desça para apenas 2,5 milhões este ano, antecipando um fim de ciclo acelerado para o final da atual geração da Microsoft. Barbour acredita que este resultado se deve-se à combinação de uma oferta de jogos exclusivos pouco consistente, uma estratégia demasiado focada no Game Pass que não se traduziu num aumento das vendas de consolas e o facto de a XBOX Series X vir a ficar em breve substancialmente mais cara que a PlayStation 5.
Apesar da quebra, a S&P acredita que o mercado poderá recuperar a partir de 2028, quando a Sony e a Microsoft lançarem as suas novas gerações de consolas, assumindo que a atual crise de componentes abrandará até lá com preços alvo não muito superiores aos praticados atualmente. O que é uma visão do mercado particularmente otimista.
