Florence and the Machine e Buraka Som Sistema marcaram o encerramento desta edição do NOS Alive, que já tem datas para regressar em 2027.
Texto: Patrícia Inês Vaz
Arrancámos para o terceiro e último dia do NOS Alive, igualmente esgotado como o segundo, e a expectativa para fechar esta grande festa era, de facto, enorme. Eram vários os artistas a disputar a nossa atenção, pelo que prometia ser um dia particularmente diverso em termos musicais.
Começámos com uns acordes de rock, numa plateia bem composta, com os Florence Road no Palco Heineken. A banda, seguida por várias gerações, percorreu o seu repertório e deu especial destaque aos temas mais recentes, que o público acompanhou a cantar com entusiasmo. O clima de devoção dos fãs foi evidente, e o feedback que ficou da banda é claro: querem voltar a Portugal para tocar de novo para este público.
Saltando para um ambiente mais dançável, o Palco WTF Clubbing deu-nos exatamente o que prometia: Fidju ki Txora mistura sonoridades africanas, sobretudo cabo-verdianas, com eletrónica, e o resultado é previsível – um público entusiasmado e de pé, a dançar e a admirar o som do ferrinho, idiofone de raspagem típico do funaná. Também a vertente visual do palco, fortemente ligada à imagética de Cabo Verde, ajudou a transportar-nos até lá.
Já numa vertente mais calma e intimista, no Palco Coreto, Suzana Francês hipnotizou o público com a sua voz suave ao longo de várias melodias, acompanhada por um guitarrista e um DJ, criando um ambiente bastante descontraído. Mas não foi apenas a voz a hipnotizar – ao pegar no violino, o som que saiu das cordas surpreendeu ainda mais. Apesar do tom predominantemente suave, o repertório da artista também tem o seu lado mais animado, dando espaço para dançar, e o público foi crescendo gradualmente ao longo do concerto.

Também no registo mais leve e intimista, mas no Palco Heineken, Alexi Rose realizou o seu primeiro concerto em Portugal, para apresentar o EP Voyeur Deluxe. O espaço reuniu pessoas de várias gerações, umas sentadas, outras de pé, todas a receber a artista com bastante entusiasmo.
De volta ao Palco WTF, a vibe de dançar regressou com Pedro da Linha, DJ e produtor português bem conhecido do público, que se fez acompanhar, além da mesa de mistura, por músicos que iam introduzindo instrumentos ao vivo – da guitarra ao saxofone -, criando uma sinergia bonita e interessante. O clima era claramente de dança, e os ritmos variados: funk, influências lusófonas e eletrónica.
No Palco NOS, de regresso a Portugal para um público que a esperava com ansiedade, Lorde abriu o concerto com “Royals”, que toda a gente reconheceu de imediato, e tomou conta do palco com uma presença irrepreensível, muito interativa – chegou mesmo a afirmar que “Lisbon is hot”, demonstrando o seu carinho pela cidade. Entre clássicos que todos conheceram e temas do novo álbum, Virgin, o concerto revelou-se um dos pontos altos da noite, com a artista a conquistar por completo a plateia.

No Palco Heineken, com a atuação dos Pixies, não havia espaço livre, seja dentro ou fora do recinto do palco – circular tornou-se praticamente impossível. A banda norte-americana de rock alternativo dominou por completo aquele canto do NOS Alive: são 40 anos de carreira a serem celebrados, e a entrega do público, tanto em número como em intensidade, confirmou que o momento esteve à altura da ocasião.
Mal terminou o concerto dos Pixies, foi visível uma verdadeira maré de gente a deslocar-se desse palco para o Palco NOS – a seguir seria a vez dos Florence and the Machine, de regresso ao NOS Alive depois da passagem em 2022. Em palco, uma autêntica musa, em movimento constante e totalmente entregue à música, perante um público que conhecia bem as canções e que se ouviu a cantar em uníssono. Animado do início ao fim, sempre ao ritmo de palmas, o concerto alternou entre momentos de delicadeza e explosões de energia.
Para encerrar a noite, os Buraka Som Sistema eram, para quem os conhece, um dos nomes mais aguardados, desta vez no Palco NOS. Antes da subida ao palco, a curadoria do grupo no Palco WTF Clubbing deixou-nos um presente e um aquecimento perfeito: a presença da kudurista angolana Titica. Acompanhada de um DJ e quatro bailarinos, Titica colocou toda a gente a dançar no Palco WTF Clubbing, trazendo a força e a irreverência do kuduro. Entre clássicos como “Olha o Boneco” e “Chão”, o concerto funcionou como o aquecimento ideal, mergulhando o público nas raízes angolanas antes do grande momento: o regresso dos Buraka.

Antes de os Buraka entrarem em palco, o entusiasmo já é evidente – afinal, estamos a falar do regresso de um dos maiores grupos do kuduro depois de uma década de pausa, uma banda que marcou várias gerações e cuja música nunca desapareceu das rádios, das festas, da vida das pessoas. E a expectativa foi totalmente correspondida: apareceram e cumpriram. O público cantou e reviveu todos os clássicos que o marcaram, e recebeu com igual entusiasmo o novo single, “Puro Mambo”.
Um concerto inesquecível – recordar, saltar, dançar e brindar à música e ao kuduro – e assim se fecharam três dias de NOS Alive, que já tem datas para regressar em 2027.
