Do ecrã que mal se nota a dobra, ao desempenho, o Find N6 é um equipamento que faz inveja aos seus melhores concorrentes.
O OPPO Find N6 é o mais recente smartphone dobrável topo de gama da marca chinesa e um dos melhores equipamentos com ecrã dobrável que já testei. Desde os primeiros momentos com Find N6 nas mãos, fiquei imediatamente com a sensação de que a marca afinou quase todos os detalhes para uma utilização bem agradável. A começar logo pela sua espessura, já que fechado conta com apenas 8,93 mm – mais próximo de um smartphone tradicional do que um dobrável -, e aberto, com apenas 4,21 mm, que aliado a uma maior área e distribuição de peso, mesmo com os seus 225 gramas, é capaz de transmitir uma sensação de leveza quase desconcertante, no bom sentido.
A experiência de utilização do Find N6 começa logo com o ecrã frontal de 6,62 polegadas, suficientemente amplo e nítido que não fez sentir a necessidade de abrir o dispositivo sempre que chegava uma notificação ou quando precisava de responder a alguém. E para complementar a OPPO também afinou a ergonomia, com os cantos arredondados dos ecrãs que contrastam com a borda reta junto à dobradiça, criando um visual peculiar mas funcional. Ao fim de algum tempo, eu acabava por abrir o Find N6 não por obrigação, mas porque queria aproveitar as 8,12 polegadas do ecrã interno, quase como se estivesse a desdobrar um pequeno espaço pessoal. Esse ecrã maior transforma-se facilmente num ambiente de trabalho ou numa zona de lazer. Como outros dispositivos do género, a possibilidade de correr várias aplicações lado a lado dá-lhe aquela versatilidade que, para mim, é onde os dobráveis realmente justificam a sua existência. Jogar, ver conteúdos ou navegar torna-se mais envolvente, e o chamado vinco “zero feel” faz justiça à sua promessa, já que é praticamente invisível e impercetível ao toque. Para conseguir isso, a marca recorreu a um vidro flexível com suavização automática que ajuda a manter o painel sempre plano, contribuindo para a sensação melhorada de qualidade estrutural. O Find N6 é também compatível com a OPPO AI Pen – vendida à parte -, que acrescenta uma camada extra de utilidade, sobretudo para quem gosta de escrever ou desenhar diretamente no ecrã (que confesso que não é o meu caso). E, apesar de ser um dispositivo dobrável, conta com certificação IP56 conferindo ao utilizador alguma tranquilidade contra água e poeira, algo que nem sempre vemos neste tipo de formato.

O desempenho do OPPO Find N6 foi otimizado para ser ser rápido, consistente e sempre pronto a acompanhar o ritmo de quem não tem paciência para pequenas esperas. Para isso, recorre a um Qualcomm Snapdragon 8 Elite Gen 5 que lhe confere um uma fluidez presente em quase todas as suas ações, desde o desbloqueio até à alternância entre aplicações. A sensação é de imediatismo, como se o dispositivo estivesse sempre um passo à frente das minhas ações, mesmo quando exigia mais dos dois ecrãs em simultâneo. Esta rapidez traduziu-se numa utilização mais lúdica do dispositivo, que comecei a usar para jogos, onde o processador simplesmente não vacila. Já na utilização multitarefa destaca-se a combinação entre o processador da Qualcomm e os seus 16GB de memória RAM, que garantem a estabilidade ao mover janelas, redimensioná‑las e ao executar várias aplicações lado a lado sem qualquer soluço. É um tipo de experiência que nos faz esquecer que estamos perante um dobrável, porque tudo acontece com a naturalidade de um smartphone topo de gama tradicional.
O ColorOS, a interface que se sobrepõe ao Android, mantém-se discreto e limpo. É uma interface que não tenta impor personalidade e que desaparece para que o dispositivo brilhe. E isso ajuda a reforçar a ideia da OPPO de que o Find N6 é um “posto de trabalho de IA de bolso”. Um exemplo disso, é recorrendo à tal OPPO AI Pen quando esta está disponível, uma vez que é, infelizmente, vendida à parte. A marca apresenta-a como a primeira stylus com inteligência artificial orientada para dobráveis, oferecendo uma escrita no ecrã interno natural, e uma integração com o sistema que permite transformar rabiscos em notas e desenhos em imagens, textos ou diagramas com um simples toque. São, claro, funcionalidades que parecem novidades para uma utilização curiosa, mas rapidamente que rapidamente se inserem no fluxo de trabalho.

Outro recurso que me surpreendeu foi a gravação por IA. Os quatro microfones captam vozes com uma clareza invulgar, e a transcrição automática facilita organizar ideias, criar resumos e até recuperar detalhes que poderiam passar despercebidos. É uma ferramenta que se sente pensada para quem trabalha em movimento. O Espaço Mental com IA segue a mesma lógica, e capturar notas, eventos ou convites com um toque e deixar que o sistema trate da organização. Depois, basta consultar ou fazer perguntas com base no que foi registado, como se o dispositivo tivesse ganho uma memória auxiliar dedicada ao utilizador.

O sistema de câmaras do OPPO Find N6 foi, para mim, uma das partes mais surpreendentes do dispositivo, que volta a contar com mais uma parceria com a Hasselblad, com resultados tangíveis. O sistema fotografico do Finf N6 é composto por uma combinação de uma lente ultra‑angular de 50MP, uma teleobjetiva periscópica de 50MP com Super Zoom de 120x e uma câmara Ultra Clear de 200MP que não parece pertencer a um smartphone dobrável, mas sim ao dos melhores smartphones do mercado. Durante as semanas em que usei o Find N6 como dispositivo principal, tirei centenas de retratos, paisagens, detalhes, selfies, e tudo saiu com uma consistência que me deixou confortável para confiar no telemóvel em qualquer situação. O modo de alta resolução da Hasselblad, que permite alternar entre 50MP e 200MP, tornou‑se rapidamente um dos meus favoritos. E a câmara de 200MP oferece uma excelente nitidez e cores quentes e naturais, com que dão vida às imagens sem exageros. Mas o mais interessante desta parte da experiência é a liberdade que esta alta resolução dá na edição, já que ampliar partes da fotografia sem perder detalhe é algo que muda completamente a forma como se fotografa. A teleobjetiva periscópica também merece destaque. Testei o zoom em Lisboa e em Faro e fiquei genuinamente surpreendido com o alcance e a clareza. Num estádio de futebol no Algarve, consegui aproximar‑me de assentos do lado oposto do campo como se estivesse a poucos metros do mesmo. Na zona de Belém consegui focar os mastros da Ponte 25 de Abril e o Cristo Rei com uma nitidez que não esperava num zoom tão extremo. As imagens finais mantiveram‑se claras e utilizáveis, algo que nem sempre acontece com zoom digital agressivo. Contudo, nem tudo é perfeito. Em cenários de pouca luz, o Find N6 não atinge o nível de detalhe que alguns concorrentes conseguem. As fotos continuam boas, mas não impressionam da mesma forma que os resultados obtidos durante o dia. Ainda assim, para um smartphone dobrável, o desempenho geral é extraordinário e acima da média.
No vídeo, o dispositivo grava em 4K, em HDR com certificação Dolby Vision, a 120 FPS, o que abre espaço para capturas fluidas e com excelente gama dinâmica. Aqui, o formato dobrável acrescenta uma vantagem prática para a captura, já que podemos fotografar ou filmar com o telemóvel semiaberto, pousado numa mesa, permitindo enquadrar facilmente e disparar remotamente, quase como se tivéssemos um pequeno tripé embutido. Também é possível utilizar a câmara traseira para selfies, aproveitando o ecrã frontal como monitor, uma solução simples que melhora drasticamente a qualidade das fotografias pessoais.

A autonomia do OPPO Find N6 foi outra das características que mais me marcou durante os testes. A bateria de silício‑carbono de 6000 mAh entrega aquilo que algo com esta capacidade promete, atingindo dois dias completos longe do carregador, com uso variado entre o ecrã frontal e o interno. A distribuição da bateria em ambos os lados da dobradiça foi uma decisão inteligente, permitindo aumentar a capacidade sem comprometer o design fino do dispositivo. Mas o que me surpreendeu mais foi a combinação entre essa generosa autonomia e a velocidade de carregamento. O SuperVOOC de 80W, incluído na caixa, permite carregar a bateria praticamente do zero até aos 100% em cerca de 45 minutos, algo que muda completamente a relação com o carregador. A sensação é de grande liberdade e despreocupação, e quando me esquecia de carregar o telemóvel à noite, bastava liga-lo quando ia fazer a higiene matinal para voltar a ter energia suficiente para o dia inteiro de utilização. O carregamento sem fios AirVOOC de 50W também se mostrou extremamente prático, e em cerca de 80 minutos, o Find N6 vai dos 0 aos 100%, sem cabos e sem complicações. Para um dobrável, esta combinação de autonomia e velocidade é particularmente relevante, porque elimina a preocupação constante de que o formato mais complexo possa comprometer a bateria.

Com tudo o que o OPPO Find N6 oferece, é difícil não o considerar um verdadeiro topo de gama. A construção transmite solidez e cuidado, os dois ecrãs são dos melhores que já utilizei num dobrável, o desempenho é irrepreensível e o sistema de câmaras Hasselblad coloca-o a um nível que poucos smartphones conseguem alcançar. E a bateria de 6000mAh, aliada ao carregamento rápido, completa um pacote que pensado para quem quer potência, versatilidade e autonomia num único dispositivo.
No entanto, há um aspeto que não joga muito em seu favor, que é o facto de na alturas de escrita desta análise ainda não existir uma previsão oficial da sua chegada ao mercado nacional. Apesar de tudo no Find N6 gritar qualidade, também vai grita a investimento, já que o seu preço não será baixo e será sempre acima dos 1800€~1900€. Ainda assim, é aquele tipo de smartphone que nos conquista pela experiência, mas que nos faz hesitar quando pensamos no valor necessário para o ter no bolso. Para quem procura o melhor que um dobrável pode oferecer, este é um dos poucos que realmente justificam a ambição.

Este dispositivo foi cedido para análise pela OPPO
