MEO Kalorama prepara quinta edição com intervenções artísticas e novas áreas no recinto

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O MEO Kalorama divulgou novas iniciativas para o recinto, incluindo comunicação aumentativa, campanha contra o assédio e oferta gastronómica.

A menos de dois meses do arranque, a organização do MEO Kalorama, marcado para 28, 29 e 30 de agosto, divulgou novos elementos relacionados com as áreas de arte, sustentabilidade e restauração, que têm vindo a assumir um papel crescente na identidade do evento.

A nível artístico, os palcos principais voltam a integrar intervenções concebidas especificamente para o recinto. A curadoria mantém-se a cargo da ETERNO e da Underdogs, estruturas ligadas ao grupo fundado por Alexandre Farto (Vhils), em parceria com a Cultural Affairs. A proposta resulta da articulação entre práticas de arte contemporânea e abordagens que cruzam espaço físico, tecnologia e contexto urbano.

O Palco MEO será desenvolvido pelo Diogo Aguiar Studio, gabinete de arquitetura que trabalha a dimensão sensorial e material dos espaços. A intervenção assenta numa estrutura composta por superfícies suspensas em malha metálica, dispostas a diferentes alturas e profundidades, criando um efeito visual baseado em transparência e variação de luz. A instalação pretende alterar a perceção do palco enquanto elemento funcional, integrando-o como parte ativa da experiência do público.

Já o Palco Sagres terá intervenção de Leonor Violeta, com formação em fotografia e design de comunicação. A proposta parte da desconstrução do escudo associado à Sagres, reinterpretando-o através de uma linguagem gráfica modular. A composição inspira-se na estética do azulejo português, utilizando repetição e padrões para criar uma ligação entre referências tradicionais e o ambiente do festival.

Na área da sustentabilidade, a organização destaca medidas centradas na inclusão, acessibilidade e segurança. Uma das principais novidades é a implementação de um sistema de Comunicação Aumentativa em todo o recinto do MEO Kalorama, desenvolvido com a Adapt 4 You. Este sistema recorre a pictogramas, sinalética adaptada e conteúdos visuais em ecrãs, além de tabelas de comunicação distribuídas por vários pontos, incluindo zonas de informação, primeiros socorros e instalações sanitárias. O objetivo é facilitar a orientação e interação de pessoas com necessidades complexas de comunicação.

Para além disso, será reforçada a política de prevenção de assédio e violência, através da campanha Não É Não, desenvolvida com a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género. A informação será difundida no recinto através de suportes visuais e códigos QR com acesso a protocolos de atuação e contactos úteis. Todas as equipas envolvidas no MEO Kalorama – incluindo segurança, staff e operadores – terão formação específica para lidar com este tipo de situações. Estão também previstos canais de denúncia presenciais e anónimos, bem como espaços dedicados para acompanhamento de ocorrências, com encaminhamento para entidades competentes quando necessário.

A Fundação MEO participa na vertente de acessibilidade digital, através da aplicação SENTIDO. A aplicação permite aceder, em tempo real, a audiodescrição e interpretação em Língua Gestual Portuguesa, concentrando no telemóvel funcionalidades que habitualmente estão limitadas a infraestruturas específicas. Segundo a organização, esta integração coloca o festival entre os primeiros em Portugal a disponibilizar este tipo de solução de forma generalizada.

A parceria com a Repsol mantém-se em 2026, com incidência nas áreas de mobilidade e energia. Os transportes oficiais do MEO Kalorama vão utilizar combustíveis renováveis produzidos a partir de resíduos, estando previstos shuttles gratuitos com ligações a vários pontos de Lisboa. Estes combustíveis serão também usados na frota associada à produção, nos geradores e em áreas de apoio logístico.

No mesmo âmbito, será criada uma nova zona de restauração, designada Guia Repsol Food Experience. O espaço reúne propostas gastronómicas de Henrique Sá Pessoa, Marlene Vieira e dos chefs José e Cláudia Neves, responsáveis pelo restaurante Ciclo. As abordagens variam entre cozinha de inspiração tradicional portuguesa com influências internacionais e propostas centradas em produtos sazonais e práticas agrícolas regenerativas.

Outro dos projetos associados ao festival é a residência artística Chelas É o Sítio, que decorre ao longo de três meses com artistas ligados à freguesia de Marvila, envolvendo também participantes de outras zonas da cidade. O programa inclui criação musical colaborativa entre artistas, DJs e produtores. O resultado desse trabalho será apresentado ao vivo no Palco Sagres durante o festival.

A Sagres associa-se a esta iniciativa como parceira cultural, no âmbito de programas de responsabilidade social ligados ao grupo Heineken, com foco na criação de oportunidades para artistas emergentes e na promoção de atividades culturais em contexto comunitário.

De resto, os bilhetes para o MEO Kalorama continuam disponíveis através dos canais habituais, com preços de 65€ por bilhete diário e 160€ pelo passe de três dias.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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