Um dia de muito calor no Parque Tejo, com concertos variados e um fecho em alta dos Linkin Park.
Apesar de o Rock in Rio Lisboa não ser propriamente o nosso evento predileto, não podíamos deixar passar a oportunidade de assistir ao vivo à nova vida dos Linkin Park, responsáveis por esgotar o segundo dia do festival. Mas já lá vamos.
À nossa chegada, por volta das 18h, e sob um calor tórrido, assistimos a um misto de corrida às bancas de bebidas e de corrida aos brindes, que são imensos e oferecidos pelas diversas marcas parceiras e patrocinadoras do Rock in Rio Lisboa. Ao mesmo tempo, já se preparavam para subir ao Palco Super Bock os Blasted Mechanism, a assinalar 30 anos de carreira, trazendo-nos depois um pouco do seu rock psicadélico e das suas irónicas máscaras. Revisitaram então alguns dos seus êxitos mais antigos, como “Warrior” e “Rebirth”, até a temas mais recentes como “Really Happen”, “Poison” e “New Militia”, que mereceram uma reação mais eufórica por parte do público. A festa final ficou para a mítica “Karkow”, que arrancou os pés do público do chão uma última vez.
Seguimos então para The Pretty Reckless, desta vez no Palco Mundo, que arrancaram a todo o vapor com o seu rock em estado puro, cheio de riffs e solos estridentes, liderado pela voz de Taylor Momsen – muitos não sabem, mas é uma ex-atriz. Começaram por “Death by Rock and Roll”, que levou o público a reagir de forma mais eufórica e a arriscar alguns passos de dança. Já antes de “Witches Burn”, Taylor perguntou onde estavam todas as mulheres no festival, algo a que o público feminino respondeu com vigor e presença. Seguiram-se temas como “Make Me Wanna Die”, a primeira música lançada pela banda, e “Heaven Knows”, e é de realçar a forma como Momsen foi puxando pelo público ainda meio adormecido devido à tarde de grande calor e à falta de grandes refúgios – leia-se sombras – no recinto. O concerto terminaria com “Heaven Knows” e “Going to Hell”, mas, antes, a bela da selfie para a posteridade.
Pelas 20h15, começavam a todo o gás os Kaiser Chiefs, que abriram com “The Factory Gates”, seguindo-se “Everyday I Love You Less and Less”, que arrancou sorrisos e dança por toda a plateia. De seguida, houve também um momento de interação com o público, com juras de amor a Portugal antes de começarem “Modern Way”. O concerto prosseguiu sempre com várias pausas para interações com o público, tendo sido tocados alguns dos maiores êxitos comerciais dos Kaiser Chiefs, como “Na Na Na Na Naa” e “Never Miss a Beat”. Foi então em “Ruby” que se registou a maior colaboração do público, com coros e palmas por todo o lado ao ritmo da música. De notar que houve sempre um cuidado especial de Ricky Wilson, vocalista dos Kaiser Chiefs, em agradecer em português ao público, que se ia deliciando com êxito após êxito do grupo.
Outro dos momentos altos foi “I Predict a Riot”, durante a qual Wilson subiu ao teto da tenda de som do Palco Super Bock. Houve ainda tempo para tocar “Blitzkrieg Bop”, dos Ramones, como já é tradição em todos os concertos dos Kaiser Chiefs, e terminaram com os hits “Take My Temperature” e “Oh My God”.
Depois de uma grande pausa para jantar – e desde já é de lamentar o facto de apenas servirem massa, sem qualquer fonte de proteína, na zona press, o que mostra bem o tratamento dado a jornalistas e bloggers -, fomos encontrar lugar no meio da enorme plateia do Parque Tejo para ainda observar um pouco do concerto dos Cypress Hill, o fogo de artifício e os tão esperados Linkin Park.
Começando pelos Cypress Hill, banda de hip-hop latina de Los Angeles, tocaram alguns dos seus temas, como “(Rock) Superstar”, “Lowrider” e “How I Could Just Kill a Man”. Mas foi em “Insane in the Brain” que os Cypress Hill obtiveram a maior reação por parte de um público meio morno, algo que se compreende após um dia já com muitas horas nas pernas.
Os Cypress Hill ainda anunciaram tempo para uma última música, momento que já não aconteceu devido a uma pausa forçada pela banda para que uma pessoa fosse assistida na plateia, o que fez com que o concerto terminasse ali. Do pouco que vimos, este foi certamente um dos concertos que encheu o coração de muita gente do público, sobretudo quem nasceu nas décadas de 70 e 80, mas que não obteve assim tanta aceitação por parte de grande parte dos presentes. Percebe-se ainda menos como é que os Cypress Hill foram alinhados entre duas bandas de rock como The Pretty Reckless e Linkin Park, o que, a nosso ver, acabou por cortar um pouco o espírito trazido do concerto anterior.
E agora? Claro está: preparavam-se os Linkin Park para subir ao palco, com a exibição do trailer do documentário UNSHATTER e, de seguida, um contador decrescente de 10 minutos. E aí vamos nós.
Os Linkin Park começaram o concerto com um espetáculo de imagem e laser, acompanhado por efeitos sonoros que caracterizam o seu último álbum, From Zero, enquanto a banda subia aos poucos ao palco. A primeira a ser disparada foi “Emptiness Machine”, a arrancar um autêntico coro do público. Estavam assim abertas as hostes para um concerto que se adivinhava como um dos mais longos do festival, equilibrado entre os temas mais clássicos e os mais recentes da banda. Seguiram-se então várias músicas como “Lying From You” e “Crawling”, com bastante intervenção do público, solicitada por Emily Armstrong, para que este cantasse ao máximo as partes que pertenciam ao malogrado Chester Bennington. A performance vocal da nova vocalista dos Linkin Park foi crescendo à medida que o concerto decorria e, em “Up From the Bottom”, já era bastante percetível o quebrar da voz, algo tão notório no último disco, From Zero.
A banda – atualmente composta por Mike Shinoda, Joe Hahn, Dave Farrell, Colin Brittain (substituiu Rob Bourdon na bateria), Brad Delson (é substituído por Alex Feder nas atuações ao vivo) e a já mencionada Emily Armstrong – foi sempre alternando entre músicas do novo álbum From Zero e vários clássicos lançados desde Hybrid Theory, sendo que, depois de uma música nova, vinha um clássico. Desta vez chegou “Somewhere I Belong”, que toda a gente reconhece logo a partir dos primeiros sons do sample, e que fez muitos tirarem o telemóvel para gravar o momento enquanto cantavam o refrão.
Nesta tour, os Linkin Park dividiram a performance ao vivo em três partes diferentes, o que ajudou claramente a criar uma narrativa musical e a gerir os vários momentos do concerto com energias e dinâmicas diferentes. Finalizado o primeiro ato, seguiu-se mais uma intro e a música “The Catalyst”, sendo sucedida por “Burn It Down”. E antes da interpretação de “Where’d You Go”, dos Fort Minor, Mike Shinoda explicou que foi a própria Emily quem propôs a inclusão da cover no alinhamento.
A ligação sem interrupções com a original dos Linkin Park, “Waiting for the End”, arrancou mais algumas centenas de coros do público e, de certa forma, emocionou Emily durante a performance, devido ao peso e significado que esta música tem para a banda. Depois de um clássico mais calmo, veio mais uma música a rasgar, “Two Faced”, a arrancar maior euforia do público e alguns mosh pits espalhados pela plateia do Palco Mundo. Sem perder muito tempo, seguiram-se mais alguns temas como “A Place for My Head”, “IGYEIH” e “One Step Closer”.
Também apareceu “Lost”, do álbum Meteora, ligeiramente encurtado e numa versão a piano, sendo imediatamente sucedido por “Breaking the Habit”, que arrancou novamente coros após o silêncio ensurdecedor da música anterior. Aqui o concerto começou a aquecer novamente com “Let You Fade” e “What I’ve Done” a serem disparadas de imediato, seguidas pouco depois por “Numb”, que começou na versão encore e seguiu para a sua versão normal. Para terminar em grande, os Linkin Park brindaram todos os presentes com uma das músicas mais badaladas e pesadas do novo álbum, “Heavy Is the Crown”, e ainda com temas de álbuns passados como “Bleed It Out”, “Papercut”, “In thfe End” e “Faint”, deixando-nos com a memória de um concerto marcante, que confirmou, perante todos os fãs de Linkin Park, a escolha acertada de Emily como vocalista da banda.
O Rock in Rio Lisboa regressa nos dias 27 e 28 de junho para concluir a edição deste ano. Os bilhetes para estas datas mantêm-se disponíveis nos canais habituais de venda.
