Rock in Rio Lisboa regressa ao Parque Tejo com dois dias esgotados, mais espaço, novos palcos e um plano de mobilidade centrado no transporte público.
O Rock in Rio Lisboa regressa ao Parque Tejo já no próximo fim de semana com uma edição que, segundo a organização, confirma a transformação do festival num evento de maior escala, mais internacional e mais orientado para o turismo cultural. Já existem dois dias esgotados – sábado, com Katy Perry, e domingo, com os Linkin Park – num cartaz que soma mais de 80 atuações ao longo de quatro dias e que volta a ocupar um recinto mais amplo, com mais 25.000 m2 do que em 2024.
Roberta Medina, que falou sobre os preparativos da edição à SIC Notícias, defende que a mudança para o Parque Tejo alterou profundamente a identidade do festival em Lisboa. A responsável afirma que o Rock in Rio Lisboa “virou outro Rock in Rio”, apesar de manter o nome, porque passou a dispor de três palcos principais e de uma capacidade reforçada para receber públicos mais numerosos, nacionais e estrangeiros. Segundo a sua leitura, a mudança também permitiu alargar o tempo de permanência no recinto, depois de o público ter ficado, em 2024, cerca de duas horas mais tempo no evento do que a organização previa.
Essa aposta está agora diretamente ligada à estratégia de posicionamento turístico do festival. Medina sustenta que o Rock in Rio Lisboa tem sido pensado como uma peça da indústria do turismo, aproveitando o movimento de pessoas que viajam para city breaks com motivação cultural e espetáculos ao vivo, sempre com prioridade para o público português. De acordo com os números avançados no áudio, 60% dos visitantes vêm de fora da Grande Lisboa, há público de 125 países e já foram vendidos cerca de 18.000 bilhetes no estrangeiro, embora a organização espere apurar no recinto quantos não residentes efetivamente marcarão presença.
Depois dos problemas registados em edições anteriores, a organização garante estar a preparar um acesso mais controlado ao Parque Tejo, com a Carris a assumir o shuttle entre a estação do Oriente e o recinto, agora com o dobro da capacidade: 25 autocarros articulados na ida e 50 na saída. A maior alteração, porém, é estrutural: a zona envolvente ficará bloqueada a carros privados, algo que a organização considera decisivo para evitar o estacionamento irregular que, em 2024, travou avenidas e complicou a circulação de saída.
Ou seja, a única forma de chegar ao Parque Tejo será através de transporte público, com a estação do Oriente a ser apontada como o melhor ponto de entrada por estar ligada a vários modos de transporte. Sobre o tempo de saída do recinto, a responsável diz que a organização prefere uma evacuação faseada, sugerindo que o público vá deixando o espaço aos poucos, sobretudo porque, após o término do palco principal por volta da meia-noite e meia, ainda haverá programação no Digital Stage e bares abertos até às 2 da manhã. A saída total de um público que ronda as 90.000 pessoas, mais credenciados, pode levar cerca de uma hora, razão pela qual a coordenação das filas e dos acessos será ajustada em tempo real, com retenções curtas se necessário.
Outro ponto abordado foi a polémica em torno das isenções fiscais concedidas ao Rock in Rio Lisboa pela Câmara de Lisboa, num valor superior a 3 milhões de euros. Medina rejeita a ideia de que se trate de um privilégio injustificado, argumentando que o evento gera um impacto económico de 120 milhões de euros na cidade e que os montantes nunca seriam, na prática, cobrados a qualquer evento desta dimensão porque tornariam a operação financeiramente inviável. Acrescenta ainda que o estudo da Nova aponta para o equivalente a 2.000 empregos permanentes e cerca de 12 milhões de euros em impostos, defendendo que o benefício para a cidade deve ser medido pelo retorno económico, promocional e laboral, e não apenas pela renúncia de receitas fiscais.
O calor previsto para os dias do Rock in Rio Lisboa é outro desafio que a organização diz estar a enfrentar com medidas concretas. Com máximas de 35 graus, a estrutura terá mais zonas de sombra, água gratuita distribuída em 100 bebedouros espalhados pelo recinto e equipas preparadas para fornecer água junto aos palcos e nas entradas, se necessário. Medina recomenda boné, protetor solar e roupa confortável, insistindo na importância da hidratação num espaço que, segundo explica, não dispõe de árvores porque o terreno está contaminado e não permite o crescimento de raízes, o que obriga a soluções artificiais e a investimentos em mobiliário urbano, vasos e montes de terra.
O cartaz do Rock in Rio Lisboa está fechado e foi pensado para abranger várias gerações, das famílias com crianças ao público mais velho. Apesar da ausência de Ivete Sangalo nesta edição, Medina destaca nomes Pedro Sampaio, Calema, Xutos e Pontapés, GNR, Táxi, Carlão e Lola Índigo, num alinhamento que, segundo a responsável, procura equilibrar referências portuguesas, brasileiras e internacionais.
Há também espaço para momentos que extravasam o concerto em si. No dia em que Portugal joga com a Colômbia, no âmbito do Mundial 2026, a organização promete adaptar a programação para que o recinto viva uma atmosfera de festa coletiva, com bandeiras gigantes, espetáculo dos aviões e outros momentos pensados para prolongar a experiência do público.
