O SPC Circles aposta numa comunicação segura, regras progressivas e integração familiar para uma entrada equilibrada no mundo digital.
Num contexto em que o contacto com dispositivos digitais ocorre em idades cada vez mais precoces, a SPC apresentou esta quarta-feira, dia 17 de junho, uma proposta centrada na utilização acompanhada da tecnologia em ambiente familiar. Dá pelo nome de SPC Circles, uma aplicação que cria círculos de confiança onde crianças e familiares comunicam de forma segura, com controlo total sobre quem participa e que conteúdos podem ser partilhados.
A iniciativa assenta numa solução digital integrada, concebida para permitir que crianças e adultos explorem em conjunto ferramentas tecnológicas, focando-se em questões como segurança, privacidade e adaptação progressiva ao uso autónomo.
Mas antes da apresentação da nova solução, pudemos assistir a uma conversa conduzida por Manuel Ferreira, Country Manager da SPC, que contou com a participação do psicólogo clínico, psicanalista e autor Eduardo Sá, conhecido pelo seu trabalho nas áreas da saúde familiar, parentalidade e desenvolvimento infantil, que apresentou dados alarmantes sobre os hábitos digitais da população e traçou um retrato negro do quotidiano infanto-juvenil, servindo de preâmbulo para a apresentação de uma nova estratégia de literacia digital familiar por parte da SPC.
Nas palavras de Eduardo Sá, a dependência dos ecrãs começa pelo exemplo dos próprios adultos. O psicólogo avançou que a população portuguesa dedica, em média, duas horas e meia por dia ao ato de fazer scroll nas redes sociais. Esta métrica, quando transposta pelo especialista para uma perspetiva física, equivale à realização de 17 maratonas anuais completas utilizando apenas os dedos, ou ao esforço necessário para efetuar uma peregrinação a pé entre Lisboa e Fátima. Eduardo Sá classificou o impacto deste hábito no sistema nervoso central como devastador, explicando que a constante exposição a estímulos visuais rápidos introduza entre 4.500 e 9.000 conteúdos diários diretamente no cérebro. Este fluxo maciço, segundo o psicólogo, obriga os neurónios a um esforço contínuo e sem pausas que consome níveis massivos de oxigénio, resultando em quadros de fadiga extrema e perda de memória no final de cada dia.
Esta realidade dos adultos reflete-se de forma direta e nociva no quotidiano das crianças. Eduardo Sá ligou estes hábitos ao sedentarismo preocupante que hoje caracteriza a infância, descrevendo rotinas estruturadas e rígidas que se estendem das oito da manhã às oito da noite, o que deixa muito pouco espaço para o brincar livre e espontâneo. O psicólogo afirmou mesmo que a infância se encontra literalmente à beira da extinção, criticando duramente as instituições escolares por persistirem em educar as crianças com ferramentas e métodos concebidos para o século passado. O stresse e a agitação psicomotora tornaram-se permanentes e, na perspetiva do especialista, constata-se que os mais novos verbalizam cada vez menos os seus estados emocionais por serem frequentemente silenciados através da entrega imediata de um ecrã sempre que manifestam desagrado ou agitação.
O psicólogo rebateu também o mito generalizado de que a introdução precoce de dispositivos digitais no ensino facilita a aprendizagem, sustentando que a motricidade é a maior aliada da atenção e da imaginação. Estas competências degradam-se quando o toque num ecrã substitui a exploração física do mundo. Eduardo Sá esclareceu que não se trata de tecnofobia, mas de combater a ideia de que as crianças são nativas digitais e possuem uma biologia diferente, lembrando que os videojogos, embora estimulem o raciocínio lógico em tempo real, transformam-se numa dependência perigosa e geram comportamentos impulsivos e agressivos quando consumidos sem regras.
A análise do psicólogo clínico estendeu-se à adolescência e ao agravamento do isolamento virtual provocado pelas plataformas digitais, com dados ainda mais severos do que os registados nos adultos. Eduardo Sá indicou que as crianças e os jovens passam, em média, cerca de quatro horas por dia agarrados às redes sociais. Numa análise anual, o especialista demonstrou que este tempo representa 90 dias completos de isolamento virtual, o que significa que, em cada quatro anos de vida, um ano inteiro é integralmente consumido pelo ecossistema digital. Segundo o psicólogo, esta exposição precoce e sem filtros deforma a perceção da realidade e gera jovens com baixa autoestima e com um foco de atenção tão disperso que compromete gravemente o sucesso académico e a estabilidade emocional, multiplicando as crises de pânico e o consumo de psicofármacos na infância.
Esta leitura foi corroborada na primeira pessoa por Ana Castro Santos. A criadora de conteúdos partilhou a sua preocupação como mãe de duas meninas, destacando que o ambiente das redes sociais e das aplicações de mensagens se tornou altamente tóxico. Ana Castro Santos alertou para o facto de o bullying digital ter assumido proporções alarmantes e silenciosas, estendendo-se para lá dos muros da escola e afetando as crianças dentro das suas próprias casas através de interações com pessoas que nem sequer conhecem. A par disso, criticou a pressão estética e a ilusão de perfeição digital que atua como um espelho distorcido, levando as jovens a tentar idolatrar padrões irreais, o que destrói a sua saúde mental.
Perante as dúvidas manifestadas pelas mães e pelo público sobre como travar este ciclo e garantir a segurança dos filhos, a SPC utilizou o debate para apresentar o ecossistema Discovery. A tecnológica explicou que a sua proposta nasce da necessidade de preencher o vazio de orientação que as famílias enfrentam, baseando-se nos princípios da segurança, liberdade, acompanhamento e confiança. O núcleo deste ecossistema é a aplicação SPC Circles, uma ferramenta desenvolvida integralmente no espaço europeu e em estrita conformidade com o RGPD. A aplicação opera através de círculos familiares fechados, onde a partilha de imagens é blindada contra exportações ou capturas de ecrã não autorizadas. Os pais assumem o papel de administradores, validando pedidos de contacto através de um sistema de dupla autorização que exige o consentimento dos tutores de ambas as crianças envolvidas, permitindo ainda a configuração de perfis de gestão personalizados e o controlo rigoroso dos tempos de ecrã.
Com este ecossistema, a marca estreou também a gama de equipamentos WUUM, composta pelo WUUM ONE, descrito como o primeiro dispositivo móvel evolutivo do mercado, e pelo WUUM TAB, um tablet concebido para aprender, explorar e brincar. Ambos incluem o Circles integrado e foram pensados para acompanhar o crescimento digital da criança.
No caso do WUUM ONE, trata-se de um equipamento de cinco polegadas que “rompe” com o conceito tradicional de smartphone ao ser classificado como um dispositivo evolutivo. Equipado com um ecrã mate concebido especificamente para a proteção ocular dos mais novos, o aparelho foi desenhado para acompanhar a maturidade da criança e o nível de conforto da família. As suas funcionalidades técnicas podem ser bloqueadas ou libertadas gradualmente através da aplicação de controlo parental, permitindo que o dispositivo funcione inicialmente como um simples leitor de música MP3 ou câmara fotográfica isolada. À medida que o jovem evolui, o dispositivo pode ser configurado para o modo de fins de semana ou receber permissões para chamadas e dados, transformando-se num smartphone pleno apenas quando os tutores o decidirem. O equipamento vem ainda dotado de conectividade NFC, ranhura para eSim e sistema de localização GPS integrado.
Para o ambiente estritamente doméstico, a SPC detalhou o WUUM TAB, um dispositivo que partilha da mesma filosofia de ecrã mate para reduzir a fadiga visual, mas focado na centralização das atividades de lazer. Dotado de um processador octa-core e de uma capacidade de armazenamento interno de 128GB, este tablet foi projetado para acomodar os momentos de jogos e o visionamento de séries sob a supervisão direta da aplicação familiar, evitando que estas tarefas migrem para o smartphone e causem distração fora de casa. O WUUM TAB será acompanhado por uma capa protetora robusta, desenhada especificamente para a ergonomia das crianças.
O WUUM ONE chegou ao mercado por 179,90€, disponível em duas cores, enquanto o WUUM TAB tem um preço recomendado de 179,90€, com desconto de lançamento até 1 de julho. A SPC pretende expandir este ecossistema nos próximos meses, reforçando a sua aposta no segmento familiar através de novos dispositivos infantis, nomeadamente novos smartphones e smartwatches, com os WUUM Watch, Wild Match, Wild Star e Wild Cool.
