A nova regulamentação europeia vai forçar fabricantes a redesenhar smartphones, computadores portáteis e gadgets para permitir a troca fácil das baterias.
Depois da implementação obrigatória do USB-C, a União Europeia está prestes a impor uma nova mudança na eletrónica de consumo. A partir de 18 de fevereiro de 2027, uma vasta gama de dispositivos vendidos no espaço europeu terá de permitir que os utilizadores removam e substituam as suas baterias utilizando apenas ferramentas simples ou de baixo custo. A medida, integrada na nova regulamentação europeia de baterias, pretende combater o desperdício eletrónico e devolver aos consumidores o controlo sobre a longevidade dos seus equipamentos.
Durante mais de uma década, a indústria caminhou no sentido oposto. Para tornar os dispositivos mais finos, resistentes à água e estruturalmente mais rígidos, as fabricantes optaram por baterias seladas e difíceis de aceder. Esta abordagem, embora vantajosa do ponto de vista estético e técnico, tornou a substituição da bateria praticamente impossível para o utilizador comum, levando muitos aparelhos ainda funcionais a serem descartados prematuramente. A nova legislação não exige o regresso literal das tampas removíveis dos telemóveis dos anos 2000, mas estabelece novos critérios, como o facto da bateria poder ser retirada sem recurso a equipamento profissional, sem calor excessivo, sem solventes e sem risco para o utilizador. Elementos como parafusos comuns, uma chave de fendas ou até uma ferramenta incluída na caixa serão suficientes, desde que o processo seja acessível e devidamente documentado.
O impacto vai muito além dos smartphones. Dispositivos como consolas portáteis, auscultadores, leitores de livros digitais, colunas Bluetooth e outros acessórios terão de ser redesenhados para cumprir as novas regras. Para além disso, as fabricantes serão obrigados a disponibilizar baterias de substituição durante vários anos após o lançamento de cada produto, garantindo que a reparação continua possível ao longo do tempo.
Para os consumidores, a mudança poderá ser decisiva, dado que a degradação da bateria é uma das principais razões para a substituição de dispositivos que, de resto, continuam plenamente funcionais. Ao facilitar a troca desta componente, a União Europeia espera reduzir custos, prolongar a vida útil dos aparelhos e diminuir significativamente o volume de lixo eletrónico gerado todos os anos.
