Nova Academia LAB Jean Louis David aposta na qualificação de mais de 400 profissionais com formação técnica e competências de gestão e liderança.
A marca Jean Louis David, parte do grupo Provalliance, que inclui também a The Barber Company e as barbearias Cortes de Lisboa, está a consolidar um conceito que vai muito além da barbearia tradicional. Esta semana, num evento no qual o Echo Boomer esteve presente, foi apresentada a Academia LAB Jean Louis David, um espaço que combina barbearia, salão e formação num único local, pensado desde a origem como uma estrutura multifuncional, capaz de servir clientes, acolher equipas, receber imprensa e ainda funcionar como palco para eventos internos, apresentações e ativações da marca. A própria configuração do espaço revela essa ambição: há zonas técnicas, áreas de desfile, pontos de formação, espaços dedicados à lavagem masculina e até uma zona que funciona como passarela para mostrar equipas, coleções e novidades.
O projeto, localizado em Arroios e que exigiu um investimento superior a 500.000€, levou dois anos a ser desenvolvido e nasce com uma lógica muito precisa: oferecer um serviço de atendimento ao público, mas integrá-lo num ecossistema de aprendizagem e desenvolvimento interno. Em vez de limitar o espaço a uma função única, a marca quis criar um “apartamento multifuncional”, onde a experiência do cliente convive com a formação de equipas, a realização de eventos e a apresentação de novas criações. A ideia foi desenhada para responder a diferentes necessidades ao mesmo tempo, desde o serviço diário até encontros com jornalistas, influencers, amigas da marca e equipas internas.
A identidade visual da Academia LAB Jean Louis David também foi construída com intenção. Ao contrário dos restantes barbeiros da cadeia, cujas paredes são decoradas com murais feitos à mão por um artista de arte urbana, este corner apresenta uma solução distinta, tornando-se o único da marca com essa configuração específica. A diferença não é apenas estética: reforça a singularidade do local e ajuda a marcar uma separação entre este espaço e os restantes pontos da rede. Essa opção visual acompanha a lógica de um sítio versátil, pensado para ter presença própria e funcionalidade própria.
No centro do projeto está também a formação. A marca refere que recorre à Universidade de Aveiro para a formação inicial das equipas, sobretudo para gerentes e colaboradores que precisam de bases técnicas e de processos estruturados. Mas esse primeiro passo não esgota o trabalho interno. Há ainda uma segunda camada de aprendizagem, centrada naquilo que é descrito como hiper experiência do cliente, isto é, protocolos de atendimento, postura, sequência de serviço e qualidade relacional, mais do que apenas técnica de corte ou de execução. Essa formação prática decorre no próprio espaço, ao longo de cerca de uma semana, com acompanhamento de uma pessoa responsável por aquele ambiente.
A filosofia do serviço assenta numa ideia simples: atender bem, com método, sem desligar o atendimento da formação contínua. O espaço funciona como barbearia e salão, com uma tabela de preços ligeiramente diferente da de um salão convencional e ajustada ao contexto da zona onde está inserido. A área está a ganhar dinamismo, o que reforça a pertinência de um modelo que procura responder ao ambiente envolvente sem perder a identidade própria. É uma aposta num serviço de proximidade, mas com um posicionamento que se quer organizado e profissional.
A versatilidade do local é um dos seus traços mais fortes. O espaço serve para apresentações de equipas, lançamentos de coleções, reuniões periódicas e eventos corporativos. A marca explica que, de dois em dois meses, reúne quase 80 pessoas das suas equipas para sessões de apresentação e alinhamento, usando o local como infraestrutura de campanha, encontro e mobilização interna. Ao mesmo tempo, pode acolher eventos para influencers, apresentações de inovação e encontros de espírito de equipa, transformando-se num ponto de ligação entre a operação diária e a comunicação da marca.
Há ainda uma dimensão tecnológica e pedagógica que ajuda a completar o retrato. A mesa de música, ou mesa de mistura, é usada como espaço de formação para tudo o que é digital e para sistemas de front office, com formadores acreditados para preparar gestores e equipas na utilização dessas ferramentas. Essa camada técnica junta-se à parte mais prática da academia, onde se trabalha a criação de produtos, o desenvolvimento de vestuário e a preparação de modelos e clientes para formação. O espaço não é, portanto, apenas uma loja ou um salão: é também um centro de experimentação, produção e aprendizagem contínua.
Outro ponto relevante é a forma como a marca encara a sua base de modelos de formação. Trata-se de uma base extensa, com grande rotação e com um custo de serviço que ronda valores acessíveis, na ordem dos 10 a 15€ para um corte, aproximando o preço do custo real das pessoas envolvidas. Esse modelo torna o serviço atrativo sem o transformar num negócio centrado na venda de formação externa. A lógica é outra: formar as próprias equipas, que já são cabeleireiros com experiência, garantindo serviços de qualidade e criando ao mesmo tempo uma estrutura bastante dinâmica de procura e participação.
As zonas técnicas foram desenhadas para garantir funcionamento independente e silêncio entre áreas de trabalho. Há duas salas completamente separadas e insonorizadas, permitindo que num lado se trabalhe com secadores enquanto no outro se realiza coloração, sem interferência sonora. Essa organização mostra uma atenção cuidadosa à funcionalidade, à concentração técnica e à eficiência do atendimento. O laboratório está ainda ligado a outras áreas, incluindo uma zona dedicada à estética, mas apenas na vertente que faz sentido para o cabeleireiro, como manicure, gel e gelinho.
A marca afasta, por isso, serviços que considera desalinhados com o seu foco, como depilação ou depilação a laser. A fronteira é clara: trata-se de uma estética integrada no serviço principal, pensada para poupar tempo ao cliente e tirar partido dos momentos em que está a fazer outro procedimento, como coloração ou tratamento capilar. Essa lógica responde a uma mudança de comportamento do consumidor, cada vez mais orientado para soluções que conciliem conveniência e eficiência. O próprio discurso apresentado destaca essa ideia de otimização do tempo como elemento central da experiência.
A componente humana da operação também aparece como prioridade. A marca sublinha a importância de formações não apenas técnicas, mas também orientadas para soft skills, liderança, gestão de equipas e desenvolvimento de carreira. Há colaboradores identificados como alto potencial, que podem vir a tornar-se gerentes, e para esses casos existem percursos de upskilling desenhados para reforçar competências de gestão, análise e coordenação.
Essa estratégia ganha ainda mais relevância num setor onde a diversidade das equipas está a mudar. A empresa refere que há cada vez mais imigrantes a trabalhar consigo, com destaque para profissionais brasileiros na área da estética e para profissionais de origem do leste, incluindo russos, especialmente em nail art.
Fotos: Graziela Costa
