O Cedrus Curated propõe uma nova relação com a arte contemporânea, integrando-a num escritório na Avenida da Liberdade.
A Avenida da Liberdade, em Lisboa, é conhecida sobretudo pelo seu peso institucional e comercial, mas há um espaço que, fora do horário de expediente, altera essa lógica. Num edifício construído na década de 1940, um escritório corporativo passa a funcionar também como plataforma para arte contemporânea, através do projeto Cedrus Curated.
A iniciativa resulta de uma parceria entre a curadora Roshi Kamdar e a Cedrus Capital e foi apresentada no último ano. O conceito afasta-se do modelo tradicional de galeria, ao integrar obras de arte diretamente no ambiente de trabalho. Em vez de uma exposição organizada segundo um percurso definido, as peças surgem distribuídas por diferentes zonas do escritório, incluindo áreas de circulação e salas de reunião.
Esta configuração permite que a experiência artística aconteça de forma informal e progressiva, acompanhando o uso quotidiano do espaço. Durante o dia, o local mantém a sua função empresarial; fora desse contexto, assume uma dimensão expositiva, ainda que sem uma separação formal entre os dois momentos.
O edifício onde o projeto está instalado mantém elementos da sua traça original, que são articulados com intervenções contemporâneas. A proposta curatorial tira partido dessa coexistência, evitando uma leitura rígida ou museológica e privilegiando antes uma relação direta entre as obras, a arquitetura e os utilizadores.

Roshi Kamdar, que assina a curadoria, desenvolve uma prática que cruza diferentes áreas, nomeadamente design de interiores, programação cultural e arte contemporânea. Nascida em Teerão, construiu um percurso internacional com passagens por países como Estados Unidos, Reino Unido, Itália e Suíça. A sua formação começou no direito, mas evoluiu para uma carreira centrada na criação e gestão de projetos culturais.
Ao longo do seu percurso, trabalhou com instituições como a Tate e a Royal Academy of Arts, e desempenhou funções de ligação entre o setor cultural e o mercado de luxo enquanto embaixadora de arte e cultura da Value Retail. Nesse contexto, esteve envolvida no desenvolvimento de projetos que cruzam exposição, narrativa e experiência comercial.
Atualmente a partir de Lisboa, mantém colaboração com diferentes agentes do setor criativo, incluindo artistas, arquitetos e marcas.
No Cedrus Curated, a sua abordagem traduz-se na inclusão de artistas contemporâneos portugueses num contexto que não é exclusivamente expositivo. As obras são colocadas em espaços de uso corrente, o que altera a forma como são observadas e interpretadas.
Além da dimensão curatorial, o projeto introduz também uma componente de circulação e aquisição de obras fora dos canais tradicionais. Ao permitir que peças sejam experienciadas num ambiente funcional, o escritório passa a desempenhar um papel que ultrapassa a sua função original.
O Cedrus Curated insere-se, assim, numa tendência mais ampla de integração da arte contemporânea em contextos do quotidiano. Ao deslocar a experiência artística para um espaço de trabalho, contribui para uma reconfiguração da forma como a arte é apresentada e vivida em meio urbano.
