CP avança com a compra de 12 comboios de alta velocidade, com opção para mais oito. Entregas começam em 2031 e terminam em 2032.
A CP – Comboios de Portugal lançou um concurso público para a aquisição e manutenção de comboios de alta velocidade destinados ao transporte de passageiros, num investimento com preço base de 504 milhões de euros. A entrada ao serviço das novas unidades está prevista até 2032, em articulação com a conclusão da futura linha de alta velocidade entre Lisboa e Porto.
O concurso, publicado a 20 de maio, prevê a compra de 12 automotoras de alta velocidade, incluindo peças de reserva e ferramentas específicas, bem como uma opção adicional para a aquisição de mais oito unidades. O contrato inclui ainda um serviço de manutenção integral assegurado pelo fornecedor durante os dois anos seguintes à entrega do primeiro comboio, assim como a formação de equipas da CP para garantir a manutenção futura.
O prazo para entrega de propostas termina a 2 de julho, estando a decisão de qualificação dos concorrentes prevista para 44 dias depois. Segundo o calendário definido, o contrato deverá ser assinado no primeiro trimestre de 2027.
A entrega do primeiro comboio de alta velocidade está prevista para o primeiro trimestre de 2031. As restantes unidades deverão ser entregues a um ritmo mensal, permitindo concluir o processo até ao terceiro trimestre de 2032.
Estes comboios deverão assegurar a ligação Lisboa-Porto em cerca de 1 hora e 15 minutos, com velocidades a rondar os 300 km/h. Cada automotora terá capacidade para mais de 500 passageiros, incluindo lugares adaptados a pessoas com mobilidade reduzida e espaços dedicados ao transporte de bicicletas.
Ao nível do conforto e serviços a bordo, os novos comboios de alta velocidade deverão estar equipados com sistemas de infotainment, ligação Wi-Fi, tomadas USB-C e sistemas de videovigilância.
Do ponto de vista técnico, o material circulante será compatível com a atual bitola ibérica, ficando preparado para futura operação em bitola europeia através da substituição dos rodados, o que permite maior interoperabilidade na rede ferroviária.
A entrada em operação destes comboios coincide com a conclusão da infraestrutura de alta velocidade Lisboa-Porto, atualmente em desenvolvimento pela Infraestruturas de Portugal (IP). O objetivo é garantir o arranque do serviço comercial de alta velocidade assim que a linha estiver concluída.
Este investimento surge num contexto de liberalização do setor ferroviário, obrigando a CP a posicionar-se num mercado com maior concorrência. A empresa está a estudar a criação de uma rede integrada que articule a alta velocidade com os restantes serviços ferroviários, tendo em conta toda a infraestrutura nacional.
O lançamento do concurso sofreu um atraso de cerca de um ano, na sequência da crise política que levou à realização de eleições em 2025. Ainda assim, o Governo mantém a previsão de que os comboios estarão disponíveis em simultâneo com a conclusão da nova linha.
