A GAC apresentou em Portugal o AION UT, um elétrico desenhado em Milão e fabricado pela Magna na Áustria. Os preços começam nos 26.560€.
A marca chinesa GAC estreou uma estratégia explícita “na Europa e para a Europa” e apresentou hoje em Portugal o AION UT, um elétrico concebido e adaptado ao mercado europeu, produzido em parceria com a austríaca Magna e desenhado no GAC Milan Design Center em Milão. O projeto europeu foi apresentado como mais do que exportação de modelos: envolve uma estrutura física e logística no Velho Continente – sede, escritórios em cidades-chave, armazéns de peças e um centro de design em Milão – com o objetivo declarado de ganhar credibilidade junto do consumidor europeu e assegurar prazos de entrega curtos e apoio pós-venda eficaz.
O AION UT foi descrito como um veículo compacto a nível exterior, mas generoso no interior, com 4,27 m de comprimento, 1,85 m de largura e 1,50 m de altura, e uma distância entre eixos de 2,75 m que, segundo a apresentação, garante espaço suficiente para acomodar confortavelmente três adultos no banco traseiro. A bagageira anuncia 440 litros com os bancos na posição normal e até 1.163 litros com os bancos rebatidos, complementada por uma oferta de até 24 soluções de arrumação interiores, pensadas para o quotidiano do condutor europeu e para reduzir desordem dentro do habitáculo. O design, liderado por Stéphane Janin no centro de Milão, pretende combinar referências asiáticas e europeias para produzir um interior e exterior “simples, moderno e contemporâneo” pensado para as preferências locais.
O AION UT conta com uma bateria de 60 kWh que, segundo os dados apresentados, permite uma autonomia urbana anunciada de 622 km e um consumo urbano de 11,5 kWh por 100 km; a potência máxima declarada é de 150 kW (204 cv), com aceleração 0–100 km/h em 7,3 segundos. Quanto ao carregamento, o modelo aceita carregamento em corrente alterna a 11 kW e em corrente contínua até 87 kW, com um tempo de 30–80% em corrente contínua estimado em 24 minutos.
A GAC colocou também o foco na usabilidade e tecnologia a bordo: painel de instrumentos de 8,88 polegadas, ecrã de infoentretenimento de 14,6 polegadas com Apple CarPlay e Android Auto de série, e um sistema de navegação que estima o alcance remanescente e permite filtrar postos de carregamento por potência (até 50 kW, 50–100 kW, acima de 100 kW) para orientar a procura do utilizador conforme necessidades reais de carregamento. Existe ainda uma aplicação móvel com mais de 40 funcionalidades que permite controlar remotamente funções do veículo e um controlo por voz que, no lançamento, funcionará apenas com a língua inglesa – ainda que tenha sido dito que será feito um esforço para incluir as línguas das regiões onde o carro será comercializado.
A nível de conforto, o AION UT vem desde a versão de entrada com bancos dianteiros aquecidos, bancos dianteiros ajustáveis eletricamente e volante aquecido. O carro traz também teto panorâmico, ar condicionado com bomba de calor (para maior eficiência energética), bancos com acabamento premium e múltiplas opções de personalização interior e exterior.
A gama anunciada do AION UT para Portugal contempla três versões: Premium Green (limitada à cor verde, a partir de 26.560€), Premium (mesmo equipamento com maior variedade de cores, a partir de 27.360€) e Luxury (com mais equipamentos, a partir de 29.360€), ficando explícito que determinadas combinações de cor (verde e vermelho com teto branco) estarão restritas à versão Luxury. Em termos de acabamentos exteriores, o AION UT chega com sete cores, e as opções interiores são preto ou creme, sem restrições de combinação entre exterior e interior, segundo a explicação da equipa.
A garantia foi outro ponto realçado: oito anos ou 160.000 km e com uma referência específica à bateria de alta voltagem garantida por 8 anos ou 200.000 km.
A escolha da produção na Europa foi justificada com o apoio da Magna, a parceira industrial responsável pela fabricação na Áustria, referida na apresentação como garantia de qualidade e compatibilidade com os standards europeus de construção automóvel – a decisão foi contextualizada como parte da estratégia de “estar na Europa” para conseguir aceitação e solidez no mercado, em vez de uma abordagem remota e centralizada fora do continente. A existência de um armazém central de peças em Roterdão e operações em Amsterdão e Milão foram apresentadas como prova de compromisso com prazos de entrega curtos e capacidade logística para suportar a rede de vendas e pós-venda na Europa.
De resto, importa salientar que as primeiras unidades do AION UT deverão chegar no início do verão.
