Xiaomi 17 Ultra Review: Um novo nível

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O Xiaomi 17 Ultra impressiona no hardware como nenhum outro, mas que ainda precisa de melhorar o HyperOS.

O Xiaomi 17 Ultra é o principal equipamento da Xiaomi para este ano. Lançado em conjunto com o Xiaomi 17, o equipamento é altamente focado na fotografia, sem deixar de lado tudo aquilo a que um smartphone topo de gama é proposto. No entanto, a grande novidade, é que ao contrário do Xiaomi 15 Ultra que conta com quatro sensores fotográficos na traseira, este novo modelo conta com “apenas” três sensores fotográficos na traseira.

À primeira vista, podia parecer que a Xiaomi deu um passo atrás, mas, na verdade, fez exatamente o contrário. A marca sempre foi uma das que mais apostou em zoom ótico avançado, e no Xiaomi 17 Ultra leva essa ideia ainda mais longe ao introduzir o maior sensor telefoto que alguma vez equipou um dos seus smartphone, cobrindo uma faixa de zoom entre 3,2x e 4,3x. Mas o Xiaomi 17 Ultra não fica limitado ao sensor telefoto, já que também foi o primeiro smartphone a chegar ao nosso mercado com um sensor de 1 polegada com a tecnologia LOFIC, uma espécie de HDR por hardware capaz de expor praticamente tudo de forma impecável. E essa pode muito bem ser a verdadeira revolução deste aparelho.

Xiaomi 17 Ultra
Xiaomi 17 Ultra ao lado do Xiaomi 15 Ultra

Se comparado com o seu antecessor, ficamos a perceber que o Xiaomi 17 Ultra passou por um processo de emagrecimento, já que pesa 219 gramas e mede 162,9 x 77,6 x 8,29 mm. Esse redução de peso, acima de tudo, torna o equipamento muito mais confortável de utilizar durante longos períodos de tempo. Mas essa redução tem um preço, já que como o corpo ficou mais fino, o módulo de câmara ficou ainda mais robusto, com o seu centro de gravidade a deslocar‑se ligeiramente para a parte superior. Se não o segurarmos bem, especialmente quando o usamos com apenas uma mão, há um risco real dele cair para trás. Esteticamente, confesso que o brilho da estrutura na versão verde não me convence totalmente. É um gosto pessoal, já que o considero demasiado chamativo e acaba por tirar alguma elegância ao conjunto. A meu ver, as versões branca e preta são muito mais discretas e equilibradas.

A moldura metálica tem agora linhas mais suaves, algo que vemos em muitos equipamentos Android que seguem a tendência iniciada pelo iPhone. O resultado é um telefone muito agradável de segurar, e isso é o que realmente importa, embora visto de frente ou de lado, o design perde-se um pouco no mar de semelhanças que domina o mercado. Há, no entanto, um detalhe que faz toda a diferença, os botões de volume são separados e circulares, com um “+” e um “–” bem visíveis. A ideia é excelente, mas há um senão, o botão de energia também foi encurtado e, como passa a ter um tamanho mais curto e com resposta tátil muito semelhantes aos botões de volume, é fácil confundir os três botões quando tentamos bloquear o ecrã ou ajustar o som sem olhar. Já na parte inferior encontramos o habitual para um smartphone topo de gama, como a bandeja para SIM físico (com suporte para eSIM), porta USB‑C 3.2 com saída de vídeo e a grelha do altifalante principal.

Quando é preciso desbloquear o equipamento, o desbloqueio através do sensor de impressões digitais ultrassónico que está integrado no ecrã é instantâneo. Para além disso, esse sensor está colocado numa posição perfeita, já que o dedo polegar cai ali naturalmente. E já que falei no ecrã, o mesmo é gigante, com 6,9 polegadas. Apesar do tamanho, as margens finíssimas ajudam a manter o corpo do telefone surpreendentemente compacto. Por baixo do vidro temos um painel OLED LTPO de 12 bit com matriz RGB, ou “HyperRGB”, como a Xiaomi referir um brilho máximo de 3500 nits em cenários específicos. Na prática, estes valores só aparecem em pequenas áreas do ecrã, com conteúdo HDR e em condições muito específicas. No uso real, o brilho ronda os 2000 nits, e comparando com outros smartphones topos de gama, parece‑me um valor bastante credível. Mesmo sem medições técnicas, a visibilidade confirma isso. E, sinceramente, é mais do que suficiente. No dia a dia raramente precisamos de mais de 1300 a 1400 nits, mas ter margem extra ajuda, sobretudo porque o Xiaomi 17 Ultra não utiliza um vidro com tratamento anti-reflexo muito avançado (é o habitual Xiaomi Shield Glass 3.0). Assim, o brilho elevado compensa os reflexos sob luz solar direta.

Xiaomi 17 Ultra
Xiaomi 17 Ultra

O Xiaomi 17 Ultra é um verdadeiro monstro de desempenho. No seu interior temos o Snapdragon 8 Elite Gen 5 que é acompanhado por 16GB de RAM LPDDR5X e armazenamento interno UFS 4.1. Claro que, para o uso diário, como mensagens, redes sociais, navegação e afins, isto é claramente “demais”. Um processador de gama média cumpre muito bem esse papel. Mas ter este chip da Qualcomm significa longevidade e margem de desempenho para muitos anos. Permite jogar com gráficos no máximo durante muito tempo e oferece potência mais do que suficiente para o processamento de IA local. Contudo, há um detalhe que temos de ter em consideração, já que por cá a Xiaomi ainda não explora totalmente a IA integrada no dispositivo. O NPU está lá, mas boa parte do seu potencial fica adormecido, a menos que se usem aplicações específicas. Ainda assim, olhando para o futuro, é uma vantagem clara ter este poder disponível.

Outro grande destaque é a bateria de 6000 mAh, dividida em duas células. Suporta carregamento rápido de 90W por cabo e 50W sem fios. Para quem viaja, há uma excelente notícia, já que a velocidade máxima de carregamento com fio mantém‑se mesmo com carregadores de terceiros compatíveis com PPS. E durante as semanas que o testei, com trabalho, viagens e uso intenso, consegui sempre chegar ao fim do dia com mais de 25% de bateria. Só em dias realmente longos, perto das 20 horas de utilização, senti necessidade de dar uma carga rápida de 20 a 30% para garantir tranquilidade até ao final da noite. Com uso moderado, dois dias de autonomia são perfeitamente possíveis. Durante algumas viagem, abusei do hotspot, do Dual SIM e de outras funções que consomem bastante energia, precisamente para testar os seus limites, e o equipamento aguentou‑se muito bem. Quanto às temperaturas, notei que o Xiaomi 17 Ultra aquece um pouco mais do que outros modelos com o mesmo processador. Contudo, nunca chega a tornar-se desconfortável de segurar, ou em valores alarmantes.

Do lado do software, a marca segue a mesma linha da geração anterior e promete quatro grande atualizações do sistema operativo Android e seis anos de atualizações de segurança, que a meu ver, é uma política equilibrada e sensata. Obviamente que não chega aos sete anos prometidos por alguns concorrentes, mas, se a Xiaomi garantir cinco ou seis anos de atualizações estáveis e bem otimizadas, já será um excelente compromisso. O verdadeiro desafio é a consistência, se o ritmo de desenvolvimento abrandar após o primeiro ano, os números deixam de ter valor prático. Por exemplo, a Honor é um bom exemplo disso, já que anunciou sete anos de suporte, mas na prática vimos que os seus equipamentos topos de gama começam a receber atualizações com menos frequência depois do primeiro ano após o lançamento. Por isso, mais do que promessas, importa olhar para o que existe agora, e isso significa focar-se no HyperOS 3. O HyperOS continua a ser uma das interfaces mais fluidas do universo Android. As animações são incrivelmente bem trabalhadas, quase obsessivamente polidas, e o motor háptico está tão bem integrado que cada interação parece pensada ao detalhe. Visualmente, é impossível ignorar a inspiração em ecossistemas concorrentes, mas isso já se tornou norma no mercado. E, desde que a experiência seja boa, a inspiração deixa de ser um problema.

Infelizmente nem tudo é positivo. Tal como em outros modelos recentes da marca, encontramos widgets de terceiros pré-instalados que parecem parte do sistema, mas que, ao serem abertos, revelam anúncios do TikTok, TEMU e afins. O mesmo acontece com o falso “teste de velocidade” ou com a aplicação de gravação de voz. Consigo tolerar essa situação num smartphone 300€, mas num equipamento que custa 1349.99€, é simplesmente inaceitável. O mais preocupante é que até o Game Turbo, o menu flutuante dedicado a jogos, agora conta com publicidade. Em vez das estatísticas úteis de CPU e GPU, aparece uma lista de aplicações recomendadas por um serviço chamado “Game Bird”. Em vez de reduzir estes anúncios nos modelos premium, parece que o HyperOS está a seguir o caminho oposto. Por outro lado, a inteligência artificial da Xiaomi, especialmente aquela que está integrada na galeria, é simplesmente brutal. Com um toque, é possível transformar completamente o céu de uma foto, ajustar a iluminação de toda uma imagem, remover reflexos, pessoas ou animais, ou até recriar partes em falta do enquadramento. Funciona surpreendentemente bem e, quando utilizada com moderação, pode melhorar bastante uma fotografia. Por fim, a minha impressão do HyperOS no Xiaomi 17 Ultra é mista, já que temos elementos brilhantes e extremamente bem executados, mas também sombras difíceis de ignorar, sobretudo num smartphone desta gama.

Xiaomi 17 Ultra
Xiaomi 17 Ultra

Mas onde o Xiaomi 17 Ultra marca realmente a diferença, é na questão fotográfica e na sua nova teleobjetiva que é capaz de oferecer um zoom ótico contínuo real entre 3,2x e 4,3x. No centro desta proeza está um sensor Isocell HPE de 1/1,4″, atualmente o melhor que se pode encontrar numa lente secundária de um smartphone. Para se ter uma noção do nível atingido, este sensor tem praticamente o mesmo tamanho dos sensores principais do Galaxy S26 Ultra e do iPhone 17 Pro. Ou seja, a Xiaomi colocou numa lente secundária aquilo que muitos utilizam como sensor principal. A tecnologia por trás deste zoom contínuo foi inicialmente desenvolvida pela Sony, que ajudou a colocar dentro do módulo fotográfico três grupos de lentes “flutuantes” que se movem fisicamente para permitir o zoom mecânico. É uma evolução direta da tecnologia introduzida no antigo Xiaomi 13 Pro, agora muito melhorada. A meu ver, o futuro é promissor, já que não é difícil imaginar um único sensor grande a cobrir uma faixa ótica de 1x a 5x. Se isso acontecer, será uma mudança de paradigma na fotografia móvel. Mas, voltando ao presente, esta primeira implementação ainda tem algumas limitações físicas. A principal é a abertura variável. Quanto maior o zoom, mais a abertura fecha, passando de f/2.39 para f/2.96. Mesmo assim, convém referir que a 4,3x, a abertura é idêntica aquela que temos no Galaxy S26 Ultra, que utiliza um sensor quase três vezes mais pequeno. Isto mostra o quão agressivamente a Xiaomi está a investir em hardware fotográfico e, neste momento, estão claramente à frente. No entanto, a grande novidade está na câmara principal. A Xiaomi mantém o sensor de 1 polegada, mas abandona a Sony e aposta na Omnivision, que desenvolveu o novo sensor com tecnologia LOFIC. Esta solução, originalmente criada para câmaras de cinema, funciona como um “HDR por hardware”. Cada um dos 50 milhões de pixeis tem um pequeno condensador que armazena o excesso de luz que normalmente seria perdido. Um elemento onde até agora as fabricantes dependiam das exposições e algoritmos complexos para compensar este limite físico. Com o LOFIC, a gama dinâmica é obtida diretamente no sensor, sem truques computacionais, algo que faz eliminar artefactos e inconsistências. E a vantagem é ainda maior em vídeo. Muitos smartphones tiram fotos incríveis, mas falham em cenas de contraluz quando passam para vídeo, porque o processamento em tempo real não acompanha. Com o LOFIC, a exposição é perfeita e instantânea, mesmo em cenários extremos. E pode ser combinada com Dolby Vision para resultados ainda mais impressionantes. A Xiaomi não inventou nada, uma vez que a tecnologia já existia, mas era muito cara e difícil de “miniaturizar”. A Xiaomi e a Omnivision simplesmente trouxeram-na de volta, e os resultados mostram que valeu a pena. Não é por acaso que Sony e Apple já estudam formas de implementar o mesmo nos seus próximos modelos.

A colaboração com a Leica quase passa despercebida no meio de tanta novidade, mas continua a ser muito importante. Apesar da Leica não fabricar as lentes, define padrões e orienta o design ótico. A nova teleobjetiva, por exemplo, usa mais elementos de vidro e recebeu a designação “APO”, reservada pela Leica para lentes com correção cromática de topo. Já a lente ultra‑angular, continua a ser o patinho feio do conjunto. Já tinha perdido qualidade no Xiaomi 15 Ultra e, nesta geração, não recebeu qualquer melhoria. No uso real, quase não faz falta, com uma câmara principal tão poderosa, raramente há motivo para recorrer à ultra‑angular. No vídeo, as melhorias são claras e o LOFIC dá um salto enorme na exposição, o foco automático é rápido e o bitrate é excelente. A captura de áudio também impressiona, com quatro microfones de alta qualidade, tornando-o no smartphone que qualquer um quer levar para um concerto ao vivo, já que permite a sua gravação praticamente sem distorção.

Por fim, a câmara frontal mantém os 50MP da geração anterior e continua a oferecer excelentes selfies, com vídeo até 4K a 60 FPS e foco automático, algo que muitos concorrentes ainda não têm. A estabilização ótica também está presente tanto na câmara principal como na teleobjetiva, como seria de esperar num smartphone deste nível.

Xiaomi 17 Ultra
Xiaomi 17 Ultra

No campo multimédia, o Xiaomi 17 Ultra mantém o nível elevado que já esperávamos. Os dois altifalantes estéreo oferecem um som muito bom, praticamente idêntico ao excelente desempenho do 15 Ultra. A conectividade também está no topo, já que temos Wi‑Fi 7, Bluetooth 5.4 e tudo o que se espera de um smartphone topo de gama moderno. Mas a grande novidade aqui é mesmo a inclusão do UWB (Ultra Wideband). Esta tecnologia abre portas para um ecossistema muito mais inteligente, desde rastreadores de alta precisão até integração com automóveis, algo que já é comum na China para chaves digitais. É um passo estratégico que pode vir a ser muito mais importante do que parece à primeira vista. A lista de especificações conta ainda com saída de vídeo via USB‑C 3.2 (embora ainda falte uma interface de desktop dedicada), certificação IP68/69 e suporte completo a Dolby Atmos para áudio espacial.

Xiaomi 17 Ultra
Xiaomi 17 Ultra

No conjunto, o Xiaomi 17 Ultra é um verdadeiro topo de gama em todos os sentidos. É daqueles smartphones que, assim que se abre a câmara, deixam qualquer pessoa boquiaberta. Os resultados são extraordinários, impulsionados por hardware que simplesmente não existe em mais nenhum dispositivo móvel. A Leica contribui com o toque final no software, mas o mérito maior está mesmo na engenharia da Xiaomi e dos seus parceiros. O preço, claro, acompanha essa ambição, já que estamos a falar de 1349,99€.

E se não fossem os problemas irritantes de software que mencionei anteriormente, eu próprio classificaria o Xiaomi 17 Ultra como perfeito. Este é o tipo de smartphone que é altamente versátil para qualquer tipo de utilização. A tecnologia LOFIC impressionou‑me muito, tal como a teleobjetiva com zoom contínuo, que ainda tem alguma margem de evolução, mas que já está num patamar que muda completamente o jogo.

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Este dispositivo foi cedido para análise pela Xiaomi.

Joel Pinto
Joel Pinto
Joel Pinto é profissional de TI há mais de 25 anos, amante de tecnologia e grande fã de entretenimento. Tem como hobbie os desportos ao ar livre e tem na sua família a maior paixão.
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