Avaliação técnica de 120 dias determinará a viabilidade de transformar antigas zonas de mineração em centros de produção de energia solar e eólica, poupando os solos agrícolas.
O Governo anunciou a realização de um estudo técnico, com um prazo de 120 dias, centrado na instalação de projetos de energias renováveis em antigas áreas mineiras degradadas. Esta decisão governamental, enquadrada na estratégia nacional de transição energética, foca-se em avaliar a capacidade destes terrenos abandonados para acolher centros eletroprodutores de energia limpa, atenuando a pressão sobre os ecossistemas.
A investigação será conduzida pelo Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), em coordenação com a Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM). O trabalho das duas entidades incide na identificação geográfica e na avaliação técnica das antigas zonas de mineração, analisando a viabilidade de implementação de tecnologias de energia solar fotovoltaica e energia eólica. A par da produção, o estudo do LNEG e da EDM vai examinar o potencial para a instalação de sistemas de armazenamento de energia e as exigências técnicas para a ligação destas novas estruturas à rede elétrica nacional.
A escolha de antigas explorações mineiras para o desenvolvimento do setor das energias renováveis em Portugal obedece a critérios de valorização do território. Ao concentrar a produção de energia limpa nestes espaços previamente artificializados e com limitações de uso devido a passivos ambientais, evita-se a ocupação de solos com elevado valor agrícola, florestal e ecológico. O planeamento procura cruzar a reabilitação ambiental de terrenos contaminados ou esgotados com a expansão da capacidade energética nacional.
De acordo com a Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, o objetivo central desta medida passa por transformar passivos ambientais em ativos estratégicos. O levantamento técnico procurará desenhar soluções concretas para converter os solos degradados em polos de produção sustentável, fomentando a requalificação ambiental.
O estudo governamental prevê ainda o mapeamento de localizações com aptidão para a criação de comunidades de energia renovável e para projetos de autoconsumo destinados a empresas eletrointensivas, tendo em vista a criação de oportunidades económicas e sociais nas regiões intervencionadas.
