Com 10 episódios, 3000 Depois de Cristo recorre à inteligência artificial para analisar a sociedade contemporânea.
A RTP Play disponibiliza a 9 de abril a série 3000 Depois de Cristo, um projeto documental de antologia resultante do programa RTP Lab. A produção, estruturada em 10 episódios independentes, recorre à inteligência artificial para a geração de imagens. A narrativa decorre no ano 3000, utilizando o distanciamento temporal temporal e o formato documental para analisar problemáticas concretas da sociedade contemporânea.
O argumento distribui a ação por 10 contextos distintos. Através do recurso ao absurdo, o guião incide sobre questões da atualidade. Os temas centrais explorados ao longo da temporada incluem a evolução da própria inteligência artificial, as dinâmicas políticas, a guerra, o fanatismo, a desigualdade, a desintelectualização, o conceito de morte e a crise ambiental associada ao uso de plástico. O formato atua como um mecanismo de observação do presente, enquadrado num cenário futurista.
Para Rui Neto, autor e realizador de 3000 Depois de Cristo, a série constitui um exercício prático sobre as metodologias de criação audiovisual contemporânea. O desenvolvimento do projeto baseou-se num trabalho de escrita fundamentado na observação do quotidiano. Posteriormente, as ferramentas de inteligência artificial foram integradas com o propósito de executar a componente visual da narrativa, testando modelos de produção paralelos aos processos televisivos convencionais.
A execução técnica esteve a cargo da Toca Produtora, sob a produção de Rute Moreira. A introdução de modelos gerativos no fluxo de trabalho exigiu a articulação entre o processamento tecnológico e a intervenção editorial. O método aplicado assegurou que as vertentes criativas da escrita e da gravação da locução se mantivessem dependentes da ação humana, restringindo a utilização da tecnologia gerativa à conceção gráfica e imagética que compõe a obra, acessível no catálogo da plataforma de streaming do serviço público de televisão.
