Falta de professores atinge o Norte e coloca Porto como segunda região mais afetada

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A falta de professores agravou-se no segundo período letivo. O Porto é agora o segundo distrito com mais alunos sem aulas, num problema que afeta todo o país.

O agravamento da escassez de professores no final do segundo período escolar está a reconfigurar o mapa das carências no sistema educativo português, com o distrito do Porto a ascender à segunda posição das regiões mais afetadas, numa lista que continua a ser encabeçada por Setúbal.

A análise aos dados atuais indica que o défice de profissionais, que historicamente se concentrava com maior incidência no sul de Portugal, alastrou de forma efetiva a todo o território nacional. O grupo dos cinco distritos com maior carência de docentes fica completo com Lisboa, Faro e Santarém. A subida do Porto, região que habitualmente ocupava o quarto lugar neste indicador, é explicada por uma conjugação de fatores demográficos. Ao Diário de Notícias (acesso pago), Francisco Gonçalves, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), disse que, embora o norte concentre o maior volume de profissionais de educação, apresenta simultaneamente o corpo docente mais envelhecido, o que se traduz num número mais elevado de aposentações e de baixas médicas. Em termos quantitativos, a estrutura sindical regista um aumento de 10% no volume de horários a concurso durante este período letivo, por comparação com o período homólogo do ano transato.

A realidade vivida no interior das escolas confirma a transversalidade e a complexidade do problema. Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), relatou ao mesmo jornal que a dificuldade na contratação e substituição de professores abrange todas as áreas disciplinares, assumindo particular gravidade nas disciplinas nucleares, como o Português e a Matemática. O representante dos diretores escolares enquadra esta carência numa dinâmica estrutural de perdas contínuas, em que centenas de profissionais abandonam mensalmente o sistema por via da reforma, sem que exista um rácio de novos diplomados suficiente para colmatar essas saídas. Perante este cenário, a ANDAEP, embora reconhecendo a intenção do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) na aplicação de medidas de mitigação, defende a urgência de intervenções mais profundas. A associação estabelece como prioridades a valorização salarial, face ao nível de responsabilidade exigido, e uma redução drástica da carga burocrática, por forma a libertar o tempo dos docentes para a atividade estritamente letiva.

Para além da gestão dos recursos humanos, mantém-se a opacidade quanto ao impacto exato desta crise na população estudantil. Um ano após o ministro Fernando Alexandre se ter comprometido a divulgar o número oficial de alunos sem aulas, a tutela continua sem apresentar essa estatística. A justificação oficial para este atraso prende-se com limitações do sistema informático atual. O Ministério argumenta que a identificação rigorosa destas falhas depende de um processo de digitalização e centralização dos sumários, uma vez que a leitura direta dos registos atuais não permite distinguir estruturalmente entre as aulas não dadas por ausência prolongada de professor atribuído e as aulas não dadas por faltas pontuais justificadas.

Para contornar este obstáculo técnico, a Fenprof propôs um método de levantamento direto, baseado no preenchimento de dados pelas direções de cada agrupamento, uma alternativa metodológica que foi recusada pela tutela.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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