Após a entrega do Estudo de Impacte Ambiental, o Governo reconhece o avanço do projeto do novo aeroporto de Lisboa, valida a localização em Alcochete e aponta reservas quanto ao dimensionamento do NAL.
O Governo confirmou hoje a escolha do Campo de Tiro de Alcochete como local de implantação do novo aeroporto de Lisboa (NAL), no quadro da resposta ao relatório ambiental enviado pela concessionária ANA – Aeroportos de Portugal.
Numa carta‑resposta ao processo da ANA, o Governo reconhece que o Estudo de Impacte Ambiental, entregue em 16 de janeiro de 2026, constitui o segundo de quatro relatórios intercalares da candidatura ao NAL, cujo prazo final de apresentação está fixado para janeiro de 2028. O executivo destaca o avanço técnico alcançado, apesar das dificuldades inicialmente reportadas pela concessionária na realização dos trabalhos de campo, e assume que o projeto recuperou o tempo perdido sem, contudo, ignorar ajustes pendentes.
A localização do NAL foi definida na extremidade nascente do Campo de Tiro de Alcochete, solução que o Governo considera em linha com a alternativa preferencial estudada pela Comissão Técnica Independente (CTI) e com a opção que, em 2010, obteve uma Declaração de Impacte Ambiental favorável, ainda que condicionada. O executivo reforça que, do ponto de vista ambiental, o Estudo de Impacte Ambiental a entregar à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) em julho deve integrar de forma coerente os antecedentes relevantes, incluindo o processo que culminou na declaração de 2010 e as conclusões da Avaliação Ambiental Estratégica da CTI.
O Governo sublinha ainda a necessidade de uma articulação efetiva com os municípios envolvidos, encarando a sua participação como essencial para uma integração territorial adequada do futuro aeroporto. No âmbito do Plano Diretor atualizado, o executivo regista que a concessionária já integrou as alterações às especificações mínimas do NAL acordadas preliminarmente, mas aponta a necessidade de reconfigurar o Pier Swing para garantir maior flexibilidade operacional.
Em relação às projeções de tráfego, o Governo reitera reservas face às estimativas apresentadas pela ANA, considerando que os pressupostos utilizados são demasiado conservadores e que não refletem de forma suficientemente clara a evolução do setor nem o potencial de procura associado ao novo aeroporto. O risco de um subdimensionamento do NAL é apontado como uma preocupação central, pelo que o executivo exige à concessionária uma revisão das projeções.
Os próximos passos da candidatura passam pela entrega do Relatório Técnico até 16 de julho de 2026 e pelo envio do Estudo de Impacte Ambiental à Agência Portuguesa do Ambiente, também previsto para julho. O Governo deixou claro que a carta‑resposta não corresponde, por si só, à aceitação formal da candidatura completa, que será analisada nos termos definidos no Contrato de Concessão. Ainda assim, reitera o compromisso de basear o processo em transparência, rigor técnico e defesa do interesse público, disponibilizando o documento para consulta pública no site do IMT – Instituto da Mobilidade e dos Transportes.
