Carl Pei acredita que os agentes de IA vão substituir a navegação tradicional e que vão transformar a forma como interagimos com o smartphone.
Durante uma conferência no SXSW, realizada em Austin, Carl Pei, o co-fundador e CEO da Nothing, apresentou uma visão ousada para o futuro dos smartphones. Para Pei, estamos a aproximar‑nos de uma era pós‑iPhone, em que combinação de ecrã inicial, ícones e aplicações a que estamos habituados, pode deixar de ser o centro das experiências móvel. Em sua substituição, Pei prevê que irão surgir agentes de inteligência artificial capazes de compreender intenções e agir autonomamente em nome do utilizador.
De acordo com o responsável, o valor deixará de estar numa aplicação individual, mas sim na capacidade do sistema de interpretar necessidades e executar tarefas sem intervenção manual. Carl Pei descreve este processo em três fases: primeiro, a IA que responde a comandos explícitos; depois, agentes que aprendem hábitos, objetivos e preferências; e, finalmente, um sistema operativo que conhece profundamente o utilizador e age de forma pro-ativa. Pei aproveitou para criticar o atual modelo dos smartphones, praticamente inalterado há duas décadas, baseado em ecrãs cheios de ícones e navegação manual. Para ele, o futuro não passa por agentes a clicar em interfaces pensadas para humanos, mas sim por interfaces desenhadas para agentes, permitindo que estes operem de forma mais eficiente e natural.
Apesar da visão ambiciosa, Carl Pei reconhece que a transição não será imediata, nem mesmo dentro da Nothing. No entanto, acredita que a mudança é inevitável e se os agentes de IA se tornarem coordenadores de serviços, as aplicações deixarão de ser protagonistas e passarão a funcionar em segundo plano, como simples componentes de um ecossistema mais inteligente e autónomo.
