Até 102 horas perdidas no trânsito em Portugal: Bolt lança simulador para mostrar o peso de ter carro na cidade

- Publicidade -

A Bolt lançou um simulador em navegador que coloca os utilizadores em situações recorrentes de posse de automóvel, de forma a questionar a necessidade de ter um carro na cidade.

Em Portugal, os condutores que circulam nas principais cidades podem chegar a perder até 102 horas por ano no trânsito durante as horas de ponta, valor que se traduz em semanas quase inteiras presas em filas de viaturas. Segundo o mais recente Índice de Tráfego da TomTom, o país aparece no 15.º lugar entre os estados europeus com maior nível de congestionamento, num quadro em que a mobilidade urbana se mostra cada vez mais pressionada.

O índice aponta para um agravamento generalizado do tráfico em 2025, com as cidades portuguesas a seguirem essa tendência. No Porto, o índice de congestionamento atinge 46,9%, o que se traduz em 102 horas perdidas no trânsito por condutor ao longo do ano. Lisboa segue logo a seguir, com 39% de congestão e 95 horas consumidas nas horas de ponta, enquanto o Funchal regista 34,7% e Braga 33,6%, valores que contribuem para um panorama nacional de circulação cada vez mais lenta.

O impacto não se fica apenas nos minutos desperdiçados: a velocidade de deslocação nas horas de pico é drasticamente reduzida. Em Lisboa, um trajeto de 15 minutos em hora de ponta corresponde a apenas cerca de 5 quilómetros, um valor que representa menos de metade do que seria percorrido em condições normais de circulação. Em Braga, o mesmo intervalo de tempo passa de 11,2 quilómetros em circulação livre para 6,6 quilómetros em hora de pico, ilustrando como o tempo de deslocação se dilata nas cidades portuguesas.

No contexto europeu, Portugal surge, assim, como o 15.º país mais congestionado do continente, num ranking em que lideram Malta e a Grécia. A nível global, apenas 34 das quase 500 cidades analisadas conseguiram melhorar os seus tempos médios de deslocação face ao ano anterior, o que reforça a noção de que a pressão sobre as redes rodoviárias urbanas é generalizada.

Para tornar visíveis alguns dos custos, muitos deles invisíveis, de ter um carro na cidade, a Bolt desenvolveu o Car Ownership Simulator, um simulador interativo gratuito acedido via browser. O projeto não é um jogo de entretenimento no sentido tradicional, mas sim uma experiência pensada para expor de forma prática e concreta alguns dos constrangimentos do dia a dia de quem depende de um automóvel particular. O simulador permite aos utilizadores experienciar situações como ficar parado num engarrafamento, tentar estacionar o veículo, lavá‑lo enquanto as condições exteriores dificultam o trabalho ou abastecer o depósito sem ultrapassar um orçamento pré‑definido.

A Bolt indica que o objetivo do simulador é traduzir em sensação cotidiana o que, muitas vezes, fica reduzido a números estatísticos. Segundo Mário de Morais, diretor‑geral da Bolt em Portugal, as estatísticas de trânsito são relativamente fáceis de ignorar, mas a experiência de sentir que semanas inteiras de um ano desaparecem em filas de trânsito é outra coisa. A proposta por trás do Car Ownership Simulator é que o utilizador, mesmo que de forma lúdica, perceba o que significa perder minutos todos os dias a estacionar, a abastecer ou a ficar imobilizado no trânsito, e que, por reflexo, passe a questionar a necessidade de ter um carro como solução principal para a mobilidade individual.

O simulador centra‑se em quatro cenários recorrentes para quem conduz diariamente nas cidades portuguesas: ficar parado num engarrafamento, fazer uma manobra de estacionamento, lavar o carro enquanto as condições exteriores dificultam o trabalho e abastecer com um orçamento pré‑definido. Em cada um destes cenários, o utilizador pode avançar o tempo e observar como o simples ato de conduzir todos os dias se traduz num acúmulo de pequenas perdas de tempo e de dinheiro.

Durante a utilização do simulador, os jogadores podem ainda ter acesso a um desconto na primeira viagem realizada através da plataforma Bolt, numa lógica de incentivo à experiência de mobilidade partilhada como alternativa ao uso de um automóvel próprio. A proposta não é promover um serviço específico, mas sim fomentar uma reflexão sobre os custos de ter um carro na cidade, tanto em termos de tempo como de recursos financeiros, e sobre as possíveis alternativas para a mobilidade quotidiana.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
- Publicidade -

Deixa uma resposta

Introduz o teu comentário!
Introduz o teu nome

Relacionados