Zalando cresce 17% em 2025 e anuncia recompra de ações de 300 milhões de euros

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Com mais de 60 milhões de clientes e 90% do conteúdo de marketing gerado por inteligência artificial, a Zalando apresentou os seus melhores resultados de sempre em 2025 e projeta crescimento entre 12% e 17% para 2026.

A Zalando apresentou esta quinta-feira, dia 12 de março, num evento online ao qual o Echo Boomer assistiu, os seus resultados anuais de 2025. A empresa registou um crescimento de receitas de quase 17% face ao ano anterior, com o resultado operacional ajustado (EBIT ajustado) a atingir os 591 milhões de euros, situando-se no limite superior do intervalo de orientação atualizado em agosto, que previa entre 550 e 600 milhões de euros. A nível do segmento de consumidor direto (B2C), a plataforma – que inclui a Zalando e a About You – alcançou um volume bruto de mercadoria (GMV) superior a 17,5 mil milhões de euros e um EBIT ajustado de mais de 530 milhões de euros.

Um dos marcos do ano foi a conclusão da aquisição da About You, que permitiu à empresa ultrapassar os 60 milhões de clientes ativos distribuídos por três aplicações distintas – Zalando, Zalando Lounge e About You. Segundo os co-diretores executivos Robert Ganz e David Schröder, as três aplicações têm propostas de valor diferenciadas: enquanto a Zalando é centrada em marcas, a About You e a Lounge orientam-se para tendências e promoções, partilhando contudo a mesma infraestrutura de dados, logística e pagamentos. A base de clientes apresenta uma sobreposição cada vez menor entre as aplicações, o que, segundo a empresa, contribui para alargar o alcance total da plataforma na Europa.

O programa de fidelização Plus, cuja implementação transeuropeia foi impulsionada ao longo de 2025, contava no final do ano com mais de 16,8 milhões de membros, os quais foram responsáveis por quase metade do GMV da Zalando no quarto trimestre. A empresa sublinha que a frequência média de encomendas dos membros do programa tem registado um incremento progressivo em cada trimestre, comparativamente ao grupo de controlo.

A inteligência artificial foi apresentada pela gestão como um elemento estrutural do negócio, com impacto tanto na eficiência operacional como no crescimento comercial. O dado mais citado durante a conferência foi o facto de 90% dos conteúdos de marketing de produto visíveis nas aplicações da Zalando – nomeadamente imagens de campanha, teasers e descrições de produto – serem atualmente gerados por inteligência artificial, quando um ano antes esse valor era próximo de zero. Esta mudança permitiu aumentar o volume de conteúdo de campanha em 70% sem incremento proporcional dos custos, e reduziu o tempo de produção de seis semanas para apenas alguns dias.

No domínio da logística, os modelos de IA aplicados à previsão de prazos de entrega melhoraram a sua precisão em 22% num único ano. No que diz respeito à programação e ao desenvolvimento de software, os cerca de 3.000 especialistas técnicos da empresa registaram um aumento superior a 20% no número de alterações de código por pessoa, num ambiente de infraestrutura que a própria empresa descreve como de grande complexidade.

No campo do crescimento, os modelos proprietários de correspondência entre produtos e clientes resultaram num aumento de 13% nos artigos adicionados a cestinhos e listas de desejos. As soluções de apoio à escolha de tamanho, alimentadas por medições corporais reais de mais de um milhão de clientes – com 20.000 novos registos por semana -, reduziram as devoluções relacionadas com tamanho em mais de 8%. O assistente de compras da Zalando, que integra funcionalidades de conversação e personalização, chegou ao final de 2025 com seis milhões de utilizadores, quatro vezes mais do que no ano anterior.

Ao nível do segmento de serviços a empresas (B2B), a Zalando anunciou durante a conferência uma parceria estratégica alargada com a Levi’s, que passa a utilizar a plataforma de software Scale para operar o seu negócio direto ao consumidor na Europa e na América do Norte. Esta é a primeira parceria empresarial da Zalando no mercado norte-americano, sendo apresentada pela gestão como validação da capacidade transfronteiriça da sua pilha tecnológica. Um responsável da Levi’s presente na conferência referiu que a decisão assenta em três pilares: a combinação de tecnologia e conhecimento específico do setor da moda, a necessidade de velocidade e inovação, e a continuidade de uma relação preexistente com a Zalando no canal B2C.

O negócio B2B no seu conjunto registou receitas superiores a mil milhões de euros em 2025, com um crescimento de 14,6% face ao ano anterior e uma duplicação do EBIT ajustado. A divisão inclui o Zeos, para logística de fulfillment em 14 localizações que servem 29 mercados europeus; o Scale, plataforma de software para retalho direto ao consumidor; e o Tradebyte, que conecta marcas a mais de 90 mercados online em todo o mundo. A empresa serve atualmente mais de 1.200 retalhistas com os seus serviços B2B, gerando um GMV total de cerca de 11 mil milhões de euros, dos quais 35% provêm de operações fora da plataforma Zalando.

A parceria com a retalhista britânica Next foi apresentada como caso de referência: ao consolidar o inventário continental europeu da Next na infraestrutura logística da Zalando e servindo encomendas a partir de um único stock partilhado para múltiplos canais, a Next registou um aumento de 33% nas vendas internacionais online e uma redução de 6,5% nos custos de fulfillment.

A gestão também abordou com detalhe o chamado comércio agêntico – a possibilidade de os consumidores efetuarem compras diretamente através de agentes de inteligência artificial e chatbots -, que descreveu como um canal ainda incipiente na Europa mas com potencial significativo. Estimativas citadas durante a conferência apontam para que este canal possa representar 15% do total do comércio eletrónico mundial até 2030. A Zalando é, segundo a própria empresa, um dos apenas dois grupos europeus integrados no programa de parceiros iniciais do Universal Commerce Protocol da Google, protocolo que pretende estabelecer normas para o comércio agêntico.

Sobre a sua posição face a plataformas chinesas como a Shein e a Temu, Ganz afirmou que a proposta de valor da Zalando assenta na qualidade e na experiência, com um catálogo de 7.000 marcas, e que existe uma sobreposição limitada com operadores centrados no preço baixo. Ganz acrescentou ainda que no decurso de 2025 serão aplicados novos encargos na União Europeia sobre importações diretas de baixo custo provenientes da China, incluindo uma taxa de 3€ por artigo, o que na sua perspetiva poderá alterar a dinâmica competitiva no mercado europeu.

Sobre o comércio social – exemplificado pelo TikTok Shop -, Ganz descreveu-o como um canal eficaz para criação de notoriedade mas pouco adequado para gerar rentabilidade, citando a fragmentação de agentes que reclamam margens (plataforma, criador, operações) e a impossibilidade prática de construir cestos de compras com múltiplos artigos, condição necessária para suportar os custos logísticos na Europa. A empresa afirmou ter testado o canal durante 18 meses antes de chegar a essa conclusão.

Para o exercício de 2026, a Zalando projeta um crescimento do GMV e das receitas entre 12% e 17% face ao ano anterior, apoiado na integração plena da About You, no crescimento da base de clientes B2C e na expansão dos negócios B2B. O EBIT ajustado deverá situar-se entre 660 e 740 milhões de euros, incluindo 40 milhões de euros em sinergias decorrentes da transação com a About You. O CAPEX previsto situa-se entre 240 e 300 milhões de euros.

Adicionalmente, a empresa anunciou um programa de recompra de ações de até 300 milhões de euros. Dimitrova explicou que a preferência pela recompra em detrimento de dividendos se deve à maior flexibilidade que este instrumento oferece em termos de montante e calendário. Quanto aos objetivos de médio prazo para 2028, a empresa reiterou a sua orientação de CAGR entre 8% e 13% para o GMV e para as receitas, e uma margem de EBIT ajustado entre 6% e 8%. A empresa adiantou ainda que as sinergias com a About You atingirão uma taxa anual de 100 milhões de euros em 2028, um ano antes do previsto inicialmente.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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