O livro Don’t Steal This Book reúne nomes como o Nobel da Literatura Kazuo Ishiguro ou os consagrados Philippa Gregory e Richard Osman.
A The London Book Fair 2026, que aconteceu esta semana em Londres, no Reino Unido, ficou marcada por um episódio, no mínimo, distópico. Cerca de 10.000 escritores juntaram-se para publicar um livro totalmente em branco, um protesto contra a utilização das suas obras sem autorização para treinar sistemas de Inteligência Artificial (IA) ao qual chamaram Don’t Steal This Book (Não Roube Este Livro, em tradução literal).
Vários exemplares de Don’t Steal This Book foram distribuídos naquela que é uma das maiores feiras literárias do Reino Unido, na passada terça-feira, dia 10 de março, precisamente uma semana antes do governo britânico divulgar uma avaliação sobre o custo económico das mudanças propostas na lei de direitos autorais, segundo o The Guardian. A mensagem é clara, e está escrita na capa do livro em letras garrafais a vermelho, acompanhada por uma máscara preta, em alusão ao crime, e uma assinatura lateral que diz “um apelo dos autores“.

A iniciativa foi organizada por um dos nomes mais ativos na luta pelos direitos autorais dos artistas, o compositor e ativista Ed Newton-Rex, e na lista de autores que nela participaram estão nomes conhecidos como o Nobel da Literatura Kazuo Ishiguro, Malorie Blackman, Philippa Gregory, Richard Osman ou Sebastian Faulks. Nos últimos anos, muitos foram os artistas que se impuseram contra a utilização da inteligência artificial nas artes, como música ou cinema.
Ao longo das muitas páginas de Don’t Steal This Book, o leitor não vai encontrar qualquer texto, a não ser os nomes dos milhares de autores que se juntaram à luta contra o governo do Reino Unido, que, como se pode ler no site oficial da campanha, “considera legalizar o roubo de livros em larga escala“, beneficiando as empresas de IA. Também as empresas de inteligência artificial são visadas, por estarem a desenvolver produtos através da cópia de milhões de livros “sem autorização ou pagamento“.
Ed Newton-Rex, que também é o fundador da Fairly Trained, uma organização sem fins lucrativos que certifica empresas de inteligência artificial para uma obtenção mais justa de dados de treino, afirmou que a indústria “construída com base em trabalhos roubados… obtidos sem permissão ou pagamento“. Acrescentou, ainda, que “a IA generativa compete com pessoas cujo trabalho é usado para a treinar, roubando-lhes o sustento. O governo deve proteger os criativos do Reino Unido e recusar-se a legalizar o roubo de trabalhos criativos por empresas de inteligência artificial“.
Foto: Ed Newton-Rex
