Tribunal de Sintra aprovou o Plano Especial de Revitalização do Gato Preto. Portugal fica apenas com cinco lojas em funcionamento.
O Gato Preto, cadeia portuguesa de lojas de decoração e artigos para o lar, vai iniciar uma nova etapa depois de o tribunal de Sintra ter homologado o seu Plano Especial de Revitalização (PER), revelou o ECO. A decisão abre caminho à reestruturação financeira da empresa, que implica o perdão de cerca de 40 milhões de euros por parte dos credores, o encerramento de duas terças partes das lojas em Portugal e a saída total do mercado espanhol.
O plano prevê o fecho de dez das quinze lojas – há lojas que já fecharam – que a marca mantém no país, concentrando a operação nos espaços considerados mais rentáveis – Almada, Alcochete, Matosinhos, Viseu e Amadora -, com o objetivo de atingir vendas de 4,6 milhões de euros em 2026. A empresa, que emprega atualmente mais de 150 pessoas, estima que o processo implicará a saída de várias dezenas de trabalhadores e o pagamento de cerca de um milhão de euros em indemnizações. Para suportar esses encargos, planeia vender um armazém localizado na periferia de Lisboa, avaliado em 1,2 milhões de euros.
A reestruturação inclui ainda a saída definitiva de Espanha, onde o Gato Preto opera desde o início dos anos 2000. As cinco lojas naquele país – quatro na Andaluzia e uma em Madrid – irão encerrar, permitindo redirecionar os recursos para o comércio eletrónico, considerado essencial na nova estratégia da empresa.
O tribunal reconheceu a viabilidade do plano e determinou que a decisão se aplica a todos os credores, mesmo aos que não participaram nas negociações. As dívidas totais ascendem a 50 milhões de euros, sendo que o perdão de 40 milhões inclui 26 milhões de euros de créditos subordinados detidos pelo grupo Aquinos, atual proprietário do Gato Preto, resultantes do fornecimento de produtos e serviços, que serão integralmente anulados.
Os bancos, por sua vez, aceitaram perdoar menos de 10 milhões de euros, ficando o compromisso da empresa de liquidar os restantes 2,4 milhões – cerca de 20% do montante – num prazo de cinco anos, com 12 meses de carência.
Também os fornecedores verão recuperada apenas uma parte reduzida dos montantes em dívida, cerca de dois milhões de euros num total próximo dos dez milhões, a pagar igualmente em cinco anos.
Nos últimos anos, o Gato Preto atravessou uma sequência de prejuízos agravada por fatores externos. Em 2025, registou um resultado negativo de 11 milhões de euros.
