Xiaomi 17 Review: Um compacto que se agiganta

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O Xiaomi 17 é, provavelmente, um dos melhores smartphones compactos atualmente no mercado.

Desde o final do passado mês de fevereiro que tenho estado a testar o novo Xiaomi 17, o mais compacto smartphone desta série. Quando o grande destaque vai para o modelo Ultra, pelo seu foco na fotografia, o Xiaomi 17 destaca-se não só pelo seu corpo mais compacto, mas, acima de tudo, pela seu competência.

A mudança visual mais evidente entre o Xiaomi 15 e o Xiaomi 17 é apenas uma, mas para mim é uma decisão acertada. Aquele quadrado preto brilhante que rodeava as câmaras no modelo anterior sempre me pareceu deslocado, quase como se tivesse sido colado à pressa, e só no modelo preto é que não destoava. Neste novo modelo, a Xiaomi troca-o por um quadrado arredondado em vidro fosco, com a mesma cor do chassis, e acrescentou anéis metálicos em torno de cada lente. É um pequeno detalhe, mas que dá ao telefone um aspeto muito mais cuidado e premium. Fora isso, a sensação é de déjà‑vu.

Apesar do visual moderno com traseira e laterais planas, a Xiaomi diz ter dado especial atenção à ergonomia nesta geração. A marca fala “em cantos inspirados no Arco Dourado” e num “design superelíptico”, mas, deixando o marketing de lado, o que posso dizer é que o Xiaomi 17 é realmente agradável de segurar. O tamanho compacto ajuda imenso – um alívio num mercado dominado por telemóveis de grandes dimensões – e nenhum dos cantos ou arestas incomoda na mão. O peso reduzido, com apenas 191 gramas, também contribui para que seja fácil utilizá‑lo só com uma mão, sem aquela sensação constante de que vai escorregar. E essa preocupação não é descabida, já que a moldura anodizada e o vidro traseiro fosco são ótimos a evitar marcas de dedos, mas que, a meu ver, não oferecem muita aderência.

A Xiaomi deixou de incluir a habitual capa de TPU escura e optou por uma capa rígida transparente. Isto significa que a capa não absorve impactos tão bem como o TPU, mas protege de riscos, mantém o clique dos botões e deixa ver a cor do telefone, o que é um ponto positivo. Outro detalhe que reforça a sensação premium são as margens extremamente finas. A Xiaomi já tinha mostrado o processo LIPO no Xiaomi 15T Pro, mas aqui foi melhorado, resultando em bordas de apenas 1,18 mm. Na prática, dá ao telefone um aspeto muito elegante e torna a experiência de visualização mais imersiva, mesmo com um ecrã relativamente pequeno.

Xiaomi 17
Xiaomi 17 com a capa rígida que é fornecida

Em termos de durabilidade, o Xiaomi 17 mantém a estrutura reforçada da geração anterior, com uma moldura de alumínio 6M42 e o Xiaomi Shield Glass 3.0 na frente, que a marca afirma ser muito mais resistente a quedas do que o vidro temperado comum. Durante o tempo em que o testei, tanto a moldura como o vidro traseiro e o ecrã permaneceram impecáveis, e até a película pré‑instalada mostrou ser surpreendentemente resistente. A certificação IP68 continua presente, o que é sempre bem‑vindo, mas já não impressiona num topo de gama Android.

O ecrã LTPO AMOLED de 6,3 polegadas com a proporção 19,6:9 acabou por ser uma das partes que mais gostei no Xiaomi 17. A alta resolução (2656 x 1220 pixeis) deixa tudo super definido e a taxa de atualização variável entre 1 e 120 Hz faz com que a navegação pareça sempre fluida. Também não tive razões de queixa na calibração de cores, já que estamos a falar de um ecrã de 12 bits. Como é habitual, temos acesso ao modo Cor Original Pro, que tenta manter as cores realistas, e o Vivido, que puxa mais pela saturação. No modo mais neutro, os resultados foram excelentes, quase total cobertura sRGB e um Delta E de 0,81, o que significa que as cores são extremamente fiéis. No dia a dia, nota-se mesmo essa consistência, e mesmo sob luz solar muito forte, o seu brilho máximo de 3500 nits deixa tudo ficar extremamente nítido.

O ecrã do Xiaomi 17 conta ainda com um sensor ultrassónico para o desbloqueio biométrico. É mais rápido, mais fiável e funciona mesmo com os dedos húmidos, algo onde os sensores óticos tendem a falhar com frequência. Para além disso, o facto de ter sido colocado mais acima no ecrã torna o gesto de desbloquear muito mais natural. Até o processo de configuração é mais rápido do que o habitual, o que só reforça a sensação de qualidade.

No som, o Xiaomi 17 cumpre, mas não impressiona. O volume é bom e não notei distorção, mas o equilíbrio não é perfeito e os graves dependem quase exclusivamente do altifalante inferior. Para quem dá prioridade ao áudio, há opções mais fortes no mercado e, apesar do Xiaomi 17 fazer um trabalho competente, não se destaca nesta área.

Xiaomi 17
Xiaomi 17

O Snapdragon 8 Elite Gen 5 confirma o que já esperava, ou seja, vai ser o motor da maioria dos smartphones topos de gama de 2026. No Xiaomi 17, o desempenho é excelente, embora a diferença para o chip do ano passado não seja tão significativa como o seu nome sugere. Em termos práticos, é o melhor que temos no universo Android, com todas as aplicações a abrirem quase instantaneamente, e os testes de benchmark confirmam que este Xiaomi 17 só não é mais rápido que o iPhone 17 Pro Max em desempenho de núcleo único. Ou seja, não existe aplicação que este smartphone não possa executar como os melhores smartphones no mercado, e o mesmo é válido nos jogos. Por exemplo, durante os testes joguei Genshin Impact com as definições todas no máximo e o telefone manteve‑se impecável, sempre nos 60 fps, sem aquecimentos preocupantes ou quebras de fluidez. Algo que, lá está, só é possível graças ao processador da Qualcomm. E se lhe juntarmos 12GB de RAM LPDDR5X e armazenamento interno UFS 4.1, temos, mesmo, o que de melhor existe atualmente no mercado.

A título de curiosidade, a unidade que recebi para testes conta com 512GB de armazenamento interno, que é a única versão disponível oficialmente no mercado nacional.

Com o Xiaomi 17, a fabricante voltou a apostar na sua rede Offline Communication, que desta vez surgiu ainda mais reforçada. Apesar de não ter conseguido testar a funcionalidade, pela falta de ter mais do que um equipamento compatível, continua a ser necessário ter um SIM registado. A ideia é simples e permite que se comunique com outro equipamento com suporte para essa funcionalidade, mesmo que esteja a mais de um quilómetro de distância, e sem depender da rede móvel. A funcionalidade teve a sua estreia com a série Xiaomi 15T e, como seria de esperar, só ganha força à medida que mais equipamentos a incluem. Não é algo que vá mudar o dia a dia da maioria das pessoas, mas pode ser útil em zonas isoladas ou para quem prefere manter certas conversas longe das infraestruturas tradicionais.

A nível de bateria, é o departamento onde a Xiaomi decidiu não acompanhar a tendência dos rivais. Enquanto outras marcas já oferecem modelos com baterias gigantes, a Xiaomi ficou-se pelos 6.330 mAh. Mas não pensem que a autonomia desaponta, já que ainda está muito acima da média, apesar de ficar algo longe da sua versão chinesa com os seus 7.000 mAh.

Aliás, a autonomia surpreendeu‑me, já que consegui praticamente dois dias de utilização intensa com uma única carta. Foram raros os dias em que cheguei ao final do dia com menos de 50% de bateria, e mesmo com uma utilização intensa, como email, redes sociais, vídeos, fotografias e muito mais. E quando é necessário recarregar, o carregamento rápido compensa parcialmente a diferença de capacidade. O Xiaomi 17 oferece suporte para o carregamento rápido com fio de 100W e 50W sem fios, o que significa que, em pouco mais de 20 minutos, temos bateria para um dia inteiro de utilização. Já o carregamento dos 0 aos 100% leva pouco menos de uma hora, o que a meu ver é excelente.

Para os interessados, o novo smartphone da Xiaomi oferece suporte para o carregamento reverso com fio de até 22,5W. Para quem quiser utilizar a bateria do smartphone, por exemplo, para carregar os auriculares, este oferece uma velocidade de carregamento muito superior ao da concorrência, já que habitualmente esse carregamento está limitado de 5W.

Xiaomi 17
Xiaomi 17

Como não podia deixar de ser, o Xiaomi 17 mantém a aposta forte na fotografia, com quatro câmaras Leica de 50MP, entre elas uma telemacro flutuante com zoom 2,6x, para além de gravação em 4K a 60 fps com Dolby Vision. O que mais me chamou a atenção é que, ao contrário da maioria dos topos de gama, aqui todos os sensores, incluindo o frontal, contam com 50MP e recorrem ao pixel‑binning para melhorar o desempenho em fracas condições de luz e aumentar o alcance dinâmico. Nota‑se sobretudo no sensor ultra‑angular e na câmara de selfies, que normalmente ficam para trás. E mesmo não sendo a versão Ultra, este equipamento beneficia bastante da parceria com a Leica. As duas predefinições de cor continuam presentes: Leica Vibrante, que é a que mais gosto e utilizei a maior parte do tempo nos meus testes, e a Leica Autentico, mais suave e natural. No modo Retrato, há agora um ajuste Master Portrait que complementa o perfil Leica Portrait e tenta reproduzir tons de pele de forma mais fiel.

A lente principal usa o chamado design ótico Leica UltraPure, com sete elementos, um deles em vidro, e revestimentos que ajudam a reduzir reflexos e melhorar a nitidez. Na prática, funciona muito bem. As fotos com boa luz são excelentes, com cores equilibradas e pouco ruído. O sensor principal mudou para o Light Fusion 950, mas perde a tecnologia LOFIC presente nos modelos superiores, que oferece um alcance dinâmico superior. Ainda assim, o Xiaomi 17 lida muito bem com cenas de alto contraste. À noite, a nitidez cai um pouco e o vídeo em Dolby Vision fica limitado a 4K/60 fps, enquanto alguns concorrentes já chegam aos 120 fps. Mas gosto do facto da Xiaomi não tentar clarear artificialmente as sombras, como a Google faz com os Pixel, e o contraste mais marcado dá às imagens um ar mais dramático e profundo.

O zoom telefoto de 2,6x não impressiona tanto e a qualidade degrada‑se a partir dos 10x, mas a lente flutuante compensa com uma macro fantástica, já que é possível fotografar detalhes a apenas 10 cm com resultados surpreendentes. O modo Retrato também beneficia das distâncias focais naturais, com bom recorte e bokeh convincente. A única área que não me surpreendeu foi a da câmara frontal, que, apesar de usar o mesmo sensor da ultra‑angular, apresenta cores menos consistentes. Ainda assim, não estou a dizer que tira más fotografias, só achei que os resultados fossem mais surpreendentes, uma vez que estamos perante um sensor de 50MP.

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Xiaomi 17

A Xiaomi parece cada vez mais inclinada a seguir a Apple, e isso nota‑se muito no software do Xiaomi 17. O HyperOS 3 tem excelentes ideias, mas algumas são tão semelhantes ao iOS que é difícil ignorar. Outras marcas fazem o mesmo, como a Honor que tem o MagicOS 10 e que é mesmo muito semelhante ao iOS, mas a Xiaomi não fica atrás. O HyperIsland é o exemplo mais óbvio: uma animação em forma de pílula que surge à volta da câmara frontal para mostrar atividades em curso. A implementação da Xiaomi tem a vantagem de permitir alternar rapidamente entre tarefas, o que acaba por ser prático, mesmo que a inspiração seja evidente.

A personalização é um dos pontos fortes do HyperOS, embora a organização das opções nem sempre seja intuitiva. A Xiaomi continua a esconder funcionalidades básicas do Android, mas compensa com extras interessantes, como ecrãs de bloqueio mais elaborados e janelas flutuantes que tornam a multitarefa mais flexível. O envio de ficheiros para outros dispositivos funciona bem, mesmo para os da Apple, e apesar de o Xiaomi 17 trazer algumas aplicações desnecessárias, está longe da experiência carregada de anúncios dos modelos mais baratos da marca. Aqui, pagar mais traduz‑se numa experiência de software mais limpa e menos intrusiva, mas ainda não totalmente.

No que toca à inteligência artificial, a Xiaomi mantém um perfil mais discreto. O Gemini Live já vem instalado e as ferramentas proprietárias da marca conseguem editar imagens, resumir documentos e ajustar textos com resultados muito interessantes, mas ainda não tão bons como os da Samsung.

As atualizações é outro dos pontos onde a Xiaomi está a tentar melhorar e, com o Xiaomi 17, promete cinco grandes atualizações do sistema operativo e seis anos de atualizações de segurança. É um avanço interessante, mas ainda continua um pouco atrás dos líderes do mercado, que já oferecem suporte mais prolongado. Mas será que alguém vai utilizar o Xiaomi 17 para lá de 2032? Estaremos cá para ver.

Xiaomi 17
Xiaomi 17

Para quem procura um smartphone compacto com desempenho de ponta, poucas são as marcas que conseguem oferecer algo semelhante ao Xiaomi 17. Estamos a falar de um equipamento que custa atualmente 1.099€, mas que oferece um design muito interessante, um ecrã de topo, um desempenho digno dos melhores smartphones do mercado, fotografia assinada pela Leica e com qualidade inegável, e uma autonomia que faz inveja à grande maioria dos smartphones.

Óbvio que há pequenos aspetos que ainda podem ser melhorados, mas nenhum deles estraga realmente a experiência que o Xiaomi 17 oferece. Seria ótimo ter acesso à gravação em 4K a 120 fps com Dolby Vision, um ecrã capaz de ir ainda mais longe em brilho máximo, uma teleobjetiva com maior alcance, uma certificação IP mais completa e um compromisso de software mais prolongado, além de uma identidade de interface mais própria. Mas fica para um próximo modelo.

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Este produto foi cedido para análise pela Xiaomi

Joel Pinto
Joel Pinto
Joel Pinto é profissional de TI há mais de 25 anos, amante de tecnologia e grande fã de entretenimento. Tem como hobbie os desportos ao ar livre e tem na sua família a maior paixão.
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