Revolut avisa: Telegram é a nova “estrela” das burlas com crescimento recorde de 233%

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As plataformas da Meta mantêm, contudo, um papel central no ecossistema da fraude online, diz a Revolut.

O Telegram foi, em 2025, a aplicação onde mais acelerou a fraude ligada a pagamentos autorizados em tempo real, com um aumento de 233% face ao ano anterior, de acordo com o mais recente relatório de segurança da Revolut. Apesar deste crescimento, as plataformas da Meta continuam a concentrar a maior fatia das ocorrências, sendo responsáveis por 44% de todas as burlas reportadas à instituição no último ano. Globalmente, as burlas de compras mantêm-se como o tipo de fraude mais frequente, representando 57% dos casos, enquanto os esquemas de emprego surgem como a categoria com a evolução mais rápida.

No documento recentemente divulgado, a Revolut analisa a forma como as táticas de burla se têm transferido das redes sociais tradicionais para aplicações de mensagens privadas e encriptadas. A fintech conclui que os criminosos estão a explorar a natureza reservada destas plataformas para escalar rapidamente os esquemas, beneficiando da perceção de segurança que muitos utilizadores associam à encriptação. O Telegram é identificado como a fonte de fraude com maior crescimento no segmento dos pagamentos autorizados em tempo real, passando a representar 21% de todas as burlas reportadas. O relatório nota ainda que 58% das burlas de emprego a nível global já têm origem nesta aplicação.

As plataformas da Meta mantêm, contudo, um papel central no ecossistema da fraude online, ocupando pelo quarto período consecutivo a posição de principal origem das burlas assinaladas à Revolut, com um peso agregado de 44%. O TikTok surge em plano secundário, mas com uma evolução significativa: embora o volume total de ocorrências continue abaixo de serviços mais estabelecidos, a proporção de burlas iniciadas nesta aplicação é hoje seis vezes superior à registada no mesmo período do ano anterior. Esta dinâmica reforça a ideia de que os burlões acompanham de perto as mudanças nos hábitos de consumo digital.

O relatório enquadra também a situação portuguesa. Em Portugal, 25% das burlas reportadas em 2025 tiveram origem no Telegram, em linha com a tendência global de migração para plataformas de mensagens encriptadas. As burlas de compras foram o tipo de fraude mais comum entre os clientes nacionais, representando 53% dos casos comunicados. No entanto, quando se olha para o impacto financeiro, são as burlas imobiliárias que se revelam mais penalizadoras: em média, cada vítima perdeu 2.665,32€, contra 388,36€ por vítima em esquemas de compras.

As conclusões da Revolut cruzam-se com investigações recentes sobre os incentivos económicos das grandes plataformas digitais para alojarem conteúdos fraudulentos. De acordo com um estudo da Juniper Research citado no relatório, as redes sociais terão gerado cerca de 4,4 mil milhões de euros em receitas provenientes de anúncios fraudulentos dirigidos a utilizadores europeus em 2025. Estes números alimentam o debate sobre a necessidade de reforçar a responsabilidade das plataformas no controlo da publicidade e dos conteúdos que publicam.

Neste contexto, a Revolut saúda as novas regras antifraude em preparação na União Europeia, incluindo as medidas previstas no futuro Regulamento de Serviços de Pagamento e o novo quadro europeu de combate à fraude online. A empresa alerta, porém, que a velocidade com que a fraude se propaga através das plataformas digitais exige uma resposta mais célere. Defende, por isso, o reforço das obrigações de supervisão e de responsabilidade das grandes tecnológicas, bem como a priorização de medidas preventivas mais ambiciosas para travar o avanço das burlas antes de estas chegarem aos consumidores.

A fintech afirma encarar a fraude e o risco de coação dos clientes por organizações criminosas com a máxima seriedade, salientando que quase um terço da sua força de trabalho está dedicado à prevenção de crimes financeiros. Nos últimos seis meses, a empresa apresentou quatro novas iniciativas para responder a ameaças cada vez mais sofisticadas. Entre elas está o Scam Buster, um chatbot baseado em inteligência artificial criado para emitir alertas personalizados aos clientes antes de efetuarem uma compra, utilizando dados de conversação para antecipar o tipo de burla em causa e ajustar o aviso em função desse risco.

Outra ferramenta apresentada é o Street Mode, que permite aos utilizadores definir “localizações de confiança” para as suas transações, aplicando salvaguardas adicionais quando os pagamentos são feitos fora desses locais. A Revolut introduziu também um sistema de identificação de chamadas dentro da própria aplicação, concebido para ajudar o utilizador a perceber de imediato se está a falar com a empresa ou com um burlão que a tenta imitar.

O relatório de Segurança do Consumidor e Crime Financeiro da Revolut baseia-se em dados anónimos da plataforma relativos ao período compreendido entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2025. A análise abrange todas as fraudes reportadas à empresa nesse intervalo temporal, embora a própria instituição reconheça que uma parte substancial dos casos de burla nunca chega a ser formalmente comunicada pelos consumidores.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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