A editora francesa Nacon pediu a abertura de um processo de reorganização judicial depois de a sua acionista maioritária falhar o pagamento de um empréstimo obrigacionista.
A Nacon entrou formalmente em processo de insolvência após a sua acionista maioritária, a Bigben Interactive, ter falhado o reembolso parcial de um empréstimo obrigacionista, levando assim a empresa a recorrer a um mecanismo judicial de proteção para garantir a continuidade da atividade.
O processo teve origem a Bigben Interactive ter falhado um pagamento de cerca de 43 milhões de euros a obrigacionistas, depois de o seu consórcio bancário ter recusado, de forma tardia, autorizar o levantamento do montante necessário, uma situação que a empresa classifica como resultante de uma “recusa inesperada e tardia do seu consórcio bancário em responder ao pedido de mobilização dos fundos”. Este incumprimento bloqueou liquidez essencial ao grupo e teve impacto direto na estrutura financeira da Nacon.
Perante esta situação, a Nacon reconheceu que os seus ativos disponíveis “não permitem satisfazer as suas responsabilidades exigíveis”, admitindo a impossibilidade de cumprir compromissos financeiros de curto prazo. Como resposta, a empresa avançou com o pedido formal de insolvência junto do tribunal francês, solicitando simultaneamente a abertura de um processo de reorganização judicial.
De acordo com a própria Nacon, o objetivo desta ação é de “avaliar todas as soluções possíveis para assegurar a sustentabilidade da atividade da empresa nas melhores condições, proteger os trabalhadores e preservar os postos de trabalho, renegociando simultaneamente com os credores num quadro calmo e construtivo”. A Nacon acrescenta ainda que este procedimento “permitirá à empresa continuar a sua atividade, renegociar as suas dívidas e desenvolver um plano de continuidade credível e eficaz”.
Caso o tribunal aprove o pedido, a Nacon poderá beneficiar de um período de proteção que pode estender-se até 18 meses, durante o qual as suas responsabilidades financeiras ficam temporariamente congeladas, permitindo a apresentação de um plano de recuperação assente na reorganização da dívida e na reestruturação do modelo financeiro.
Esta crise surge num momento sensível para a editora francesa, ao mesmo tempo que na próxima semana irá realizar o evento Nacon Connect, onde irá apresentar vários projetos em produção e em vias de lançamento, incluindo a versão final de GreedFall 2 e títulos em Early Access. A continuidade de operações da editora não está, para já, suspensa, mas o seu futuro passa a depender diretamente da decisão judicial e da capacidade de alcançar um acordo sustentável com os seus credores.
Recentemente, a Nacon foi responsável pelo lançamento de jogos como Styx: Blade of Greed, RoboCop: Rogue City e Hell is Us, e na sua área de operações conta também com a oferta de um conjunto de acessórios de jogos, como comandos, volantes, auscultadores, teclados, ratos e cadeiras, entre outros.
