A localização definitiva das pistas do novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete sofreu alterações, suscitando um debate entre a viabilidade da engenharia e a proteção de uma das maiores reservas de água doce da Península Ibérica.
A localização definitiva das pistas do novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete sofreu alterações, suscitando um debate técnico entre a viabilidade da engenharia civil e a necessidade de proteção ambiental. Inicialmente projetadas para a secção mais à esquerda da infraestrutura militar, diz a SIC Notícias que as pistas foram agora desviadas para o lado direito, situando-se nas freguesias de Santo Estêvão e Canha.
Com esta nova configuração geográfica, as infraestruturas ficarão paralelas à Estrada Nacional 10 e à A13. Existe ainda a possibilidade técnica de deslocar o projeto mais a poente, o que traria vantagens ao nível hidrogeológico, geotécnico e na proteção dos aquíferos e linhas de água envolvidas.
A hidrologia local e as condições do terreno apresentam desafios imediatos à construção. As chuvas intensas das últimas semanas provocaram o transbordo de uma pequena barragem existente no campo de tiro. Além disso, a superfície do terreno, classificada como quase plana, é atravessada por uma ribeira que passará junto à futura pista 2 e cruzará a área destinada às pistas 3 e 4. Para que a obra avance nestes moldes, será necessário desviar as linhas de água, uma intervenção estrutural que ditará o encarecimento do projeto.
No plano ambiental, os especialistas alertam para os riscos associados à edificação sobre uma das maiores reservas de água doce da Península Ibérica. A ocupação da superfície afetará a zona de armazenamento deste vasto lençol freático, levantando o risco de contaminação das águas e de comprometimento dos recursos hídricos da região. Por outro lado, a perspetiva da engenharia civil assegura que a concretização da obra não levanta dúvidas técnicas. Jorge Paulino, professor do Inistituto Superior Técnico, garante que existem soluções de engenharia para construir um aeroporto em qualquer localização, destacando casos reais no Extremo Oriente, como o aeroporto de Macau, construído no estuário do Rio das Pérolas, ou o de Hong Kong, onde uma ilha foi completamente desbastada para a construção da pista.
De forma a acautelar o desenvolvimento do projeto, o Governo publicou a localização final das pistas e decretou restrições nos concelhos abrangidos. Durante um período de dois anos, ficam impostos limites à construção, a loteamentos, a obras de urbanização, à ampliação ou alteração de edifícios e a trabalhos de remodelação de terrenos. A avaliação definitiva dos riscos e das soluções apresentadas fica agora a aguardar o Estudo de Impacte Ambiental, que já foi solicitado e demorará um ano a ser concluído.
