A Ministra da Cultura anunciou alterações legais para impedir o fecho de mais cinemas. Em janeiro, o país contava com menos 112 salas face ao ano anterior.
O Governo prepara-se para alterar a legislação referente à desafetação das salas de cinema, numa tentativa de travar a vaga de encerramentos que atinge o país. A Ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, anunciou a intenção de envolver diretamente os municípios e o Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) no processo de decisão, garantindo que a extinção destes espaços culturais deixe de ser um mero procedimento burocrático.
O objetivo passa por avaliar o impacto territorial de cada encerramento, compreendendo as razões e os contextos específicos que motivam os pedidos de desativação por parte dos proprietários, e também perceber que tipo de espaços no país podem ser adaptados para exibição cinematográfica.
Esta mudança foi comunicada durante uma sessão pública promovida pelo Ministério da Cultura na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, desenhada para debater a atual crise na exibição cinematográfica. Para analisar o cenário e propor medidas concretas, foi já constituído um grupo de trabalho setorial, cujas conclusões oficiais serão apresentadas durante o mês de março. A nova estratégia governamental visa fundamentar as decisões executivas com base na realidade de cada região, assegurando a proteção do acesso à cultura à escala local.
A urgência da intervenção legislativa encontra reflexo direto nos indicadores estatísticos mais recentes. Após um volume ímpar de pedidos de desafetação registados ao longo do ano de 2025, os dados oficiais do ICA revelam que, em janeiro, operavam apenas 450 salas em Portugal. Este número traduz a perda de 112 espaços de exibição face ao período homólogo e resultou num cenário de deserto cultural em diversas zonas do território nacional, deixando atualmente cinco capitais de distrito totalmente desprovidas de exibição comercial regular de cinema: Beja, Bragança, Guarda, Portalegre e Viana do Castelo.
