Arrancam as obras de 1,2 milhões de euros na antiga Escola do Cerco, em Campanhã. O novo espaço vai concentrar radiologia, saúde oral e podologia num edifício sustentável.
A antiga Escola do Cerco, em Campanhã, prepara-se para ganhar uma nova vida dedicada à saúde pública, num investimento municipal que ultrapassa os 1,2 milhões de euros. O Município do Porto aprovou a reabilitação do terceiro pavilhão deste complexo escolar, cujas obras arrancam já esta quarta-feira, dia 18 de fevereiro, com o objetivo de integrar e complementar a oferta das unidades de saúde que ali já operam, nomeadamente a Unidade de Saúde Familiar Novo Sentido e a Unidade de Cuidados na Comunidade.
O novo projeto aposta na centralização de serviços essenciais, instalando no edifício renovado a Unidade de Recursos Assistenciais Partilhados (URAP) e o Centro de Diagnóstico Integrado (CDI). Para a população local, esta expansão traduz-se num acesso facilitado, num único espaço, a valências como saúde oral, podologia, espirometria e exames de radiologia, evitando deslocações desnecessárias a outras infraestruturas da cidade e concentrando a resposta clínica na freguesia.
Do ponto de vista arquitetónico, a intervenção, que abrange uma área de 660 m2, privilegia uma estratégia de preservação em detrimento da demolição integral. A estrutura original em betão será mantida, mas o interior sofrerá uma reorganização total em torno de um novo pátio central, desenhado para funcionar como fonte de luz natural e eixo de circulação fluida entre os gabinetes médicos. A estética exterior respeitará a harmonia do conjunto edificado existente, mantendo os tons de cinza e a característica pérgula de madeira que assegura a ligação à via pública.
A sustentabilidade assume um papel preponderante nesta empreitada, estritamente alinhada com as exigências do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A obra destaca-se pela aposta na economia circular, prevendo-se que cerca de 60% das betonilhas de enchimento sejam produzidas a partir da triagem de resíduos da própria demolição. Além da instalação de painéis fotovoltaicos na cobertura e caixilharias de alto desempenho térmico, foram selecionados materiais de baixo impacto ambiental e origem reciclada para os acabamentos interiores, como pavimentos vinílicos e divisórias.
O edifício, que deverá estar concluído no prazo de um ano, foi ainda desenhado para garantir a total inclusão dos utentes. O projeto elimina barreiras arquitetónicas no interior e reconfigura o espaço exterior, assegurando lugares de estacionamento dedicados a pessoas com mobilidade reduzida, bem como postos de carregamento para veículos elétricos estrategicamente posicionados junto às rampas de acesso.
Foto: Luís Moura/GO Porto
