Leve, robusto, com autonomia muito acima da média e carregado de software, o Watch GT Runner 2 é a evolução mais convincente da Huawei no mundo dos smartwatches para corrida.
Ao longo dos últimos anos, a Huawei tem lançado um conjunto de smartwatches interessantes, mas até agora nenhum me surpreendeu tanto como o Watch GT Runner 2. Apesar da marca ter vindo feito um excelente trabalho nesse segmento, este modelo parece ser finalmente um culminar ao juntar tudo aquilo que muitos procuram num relógio inteligente. E apesar do nome sugerir que se trata de um produto pensado apenas para corredores, rapidamente percebi que é muito mais versátil do que isso, merecendo também a atenção de quem prefere relógios menores e com forte presença no pulso.
O Huawei Watch GT Runner 2 oferece uma sensação completamente diferente daquilo que estamos habituados num smartwatch da Huawei, é o tipo de relógio que apetece usar o dia inteiro, todos os dias, e não apenas durante as sessões de treino. A sua caixa é totalmente construida em titânio, não só a parte central como acontece na grande maioria dos modelos, e isso nota‑se assim que pegamos nele. Para manter o GPS a funcionar sem interferências, a Huawei optou por colocar uma junta em torno do ecrã, e conseguiu integra‑la de forma tão discreta que acaba por fazer parte do charme do relógio, pele menos para mim, e na cor que recebi para testes, a Dust Blue.
O relógio é surpreendentemente elegante, com apenas 10,7 mm de espessura, se ignorarmos a saliência do sensor cardíaco, que existe para garantir que os sensores ficam bem encostados à pele e conseguem leituras mais fiáveis. O titânio ajuda muito no peso, já que a caixa pesa apenas 34,5g e mesmo com a bracelete continua mais leve do que a maioria dos smartwatchs para desporto de alto nível. No meu pulso, o Watch GT Runner 2 até pareceu pequeno ao início, mas os detalhes em azul no mostrador, na coroa e na própria vedação do ecrã dão‑lhe personalidade sem o tornarem intimidante. A bracelete AirDry é feita num tecido muito respirável que a marca afirma ter mais 25% de ventilação face à de fluoroelastómero, e é confortável, fácil de ajustar e ainda mais fácil de trocar graças aos pinos de libertação rápida. E como são de tamanho padrão, dá para utilizar qualquer bracelete de terceiros sem complicações.

Com o Watch GT Runner 2 a Huawei mantém a tradição de apostar em ecrãs AMOLED muito nítidos e com brilho mais do que suficiente para qualquer situação. O seu ecrã circular de 43,5 mm é um prazer de utilizar graças à sua resolução que faz com que até os ícones mais pequenos fiquem perfeitamente legíveis, mesmo sem aproximar o pulso da cara. Alguns mostradores pré‑instalados tiram excelente partido disso, mostrando várias métricas. Durante o tempo em que o utilizei, o vidro não ganhou um único risco, algo que já esperava, tendo em conta que a Huawei recorre à segunda geração do vidro Kunlun, que é mais leve e fino do que o cristal de safira, mas transmite a mesma sensação de robustez e resistência a quedas. O seu brilho máximo de 3000 nits faz com que a visibilidade no exterior seja impecável. Mesmo com óculos de sol nunca tive dificuldade em ver o ecrã com amplos ângulos de visão e cores com um impacto visual muito forte. É verdade que o painel não se funde totalmente com a moldura, como acontece nos modelos mais caros da marca, mas continua a ser suficientemente fino para não destoar.
A interface do HarmonyOS aproveita bem esta qualidade de imagem. Não é preciso recorrer a mostradores com fundos pretos para disfarçar limites, e a Huawei não teve medo de utilizar cor em abundância. A navegação segue o padrão habitual, com deslizar para os lados para abrir widgets em ecrã completo, deslizar para cima mostra notificações e deslizar para baixo dá acesso às definições rápidas. À esquerda, temos direito a alguns cartões úteis como meteorologia, música e agenda. Já a sua coroa digital abre a gaveta de aplicações, onde estão todas as aplicações de saúde e fitness. Cada uma pede autorização individual para aceder aos sensores, algo que sinceramente preferia ver tratado logo na configuração inicial. Pelo menos, tudo corre de forma fluida e sem tempos de espera. E para além das funções de treino, há várias utilidades extra, como a reprodução de música (no telemóvel ou no próprio relógio), obturador remoto da câmara e chamadas diretamente no pulso. A navegação sem telemóvel também funciona bem, desde que se instalem os mapas certos através da aplicação complementar. O ponto menos positivo continua a ser a App Gallery, que ainda oferece poucas aplicações de terceiros.
Quem utiliza um smartphone da Samsung agora tem a sua vida mais facilitada, já que o Huawei Health está disponível na Galaxy Store, e o mesmo é válido para utilizadores de smartphones da Honor, com a aplicação a estar disponível na App Market, e no iPhone a aplicação está disponível na App Store. E o mesmo é valido para quem tem um smartphone da Huawei, mas aqueles que dependem da Google Play Store têm de passar por um processo que continua um pouco mais chato, já que é preciso instalar a aplicação manualmente e conceder as permissões uma a uma. É algo que é claramente menos intuitivo, mas nada que não se resolva em poucos segundos e alguns clicks.

Quem me conhece sabe que não sou um corredor nato, faço apenas algumas corridas semanais, já que estou num processo de iniciação e de habituação do corpo. No entanto, devido à grande variedade e profundidade das funcionalidades deste smartwatch da Huawei, fizeram-me calçar os ténis de corrida muito mais vezes do que inicialmente tinha planeado. O Huawei Watch GT Runner 2 monitoriza métricas profissionais, calculando a potência de corrida em watts com base na nossa velocidade, frequência cardíaca e até na resistência do ar. O modo Maratona é a grande novidade, ajudando os utilizadores a prepararem-se ao fornecer orientações durante a corrida sobre aspetos como reabastecimento e ritmo.
A interface do HarmonyOS foi reformulada para apresentar os dados de forma mais clara após a corrida, com uma grande quantidade de informações disponíveis para quem deseja maximizar o seu desempenho. No entanto, ainda tenho um longo caminho a percorrer antes de poder afirmar se as previsões de tempo da corrida estavam corretas ou não. O plano de treino com IA conseguiu fazer muito pouco por este (ainda) não-corredor em apenas algumas semanas. A deteção do limiar de lactato em tempo real também está presente e utiliza o novo, e mais preciso, módulo de sensor TruSense. A marca afirma que a precisão máxima é de 94%, equivalente à de uma cinta peitoral. Ainda assim, é preciso ter em atenção que a aplicação complementar da Huawei está tão interessada em vender planos de condicionamento físico pagos como qualquer outro dispositivo vestível atual, e é irritante que certos atalhos premium pareçam fixos no ecrã inicial. Há uma infinidade de informações para explorar, e a apresentação multicolorida ajuda a evitar que páginas e páginas de estatísticas se tornem muito complexas para corredores iniciantes.
E se numa fase inicial pensava que o Watch GT Runner 2 era apenas bom para corrida, fiquei surpreendido ao perceber que ele demonstrou ter um desempenho igualmente bom também em outros tipos de exercícios. Ele pode ser emparelhado com equipamentos de ginástica habilitados para Bluetooth e não fica nada atrás do Watch GT 6 Pro na capacidade de estimar a Potência Limiar Funcional (FTP) virtual ao pedalar, sem a necessidade de pedais com medidor de potência caros. A precisão do GPS também é impressionante, com um desvio de distância menor do que a grande maioria dos smartwatchs que já testei, o que permitiu reconhecer com mais facilidade em que lado da estrada eu estava. No ginásio é igualmente útil, com métricas muito interessantes.

A autonomia sempre foi um dos trunfos dos relógios da Huawei, e no Watch GT Runner 2 isso não é diferente. Apesar do ecrã ter apenas 43,5 mm, o que normalmente iria limitar bastante o espaço interno, a marca conseguiu encaixar uma bateria de 540mAh. Na prática, isto traduz‑se num relógio que aguenta facilmente duas semanas em utilização mais contida, cerca de 32 horas de treino contínuo com GPS, e algo intermédio para quem segue um plano de treinos regular. No meu caso, consegui 11 dias de utilização até ter de pousar o Watch GT Runner 2 na sua base magnética. Obviamente, se utilizarmos a função de ecrã sempre ativo, o consumo de bateria vai ser superior, por isso durante os meus testes mantive o gesto de levantar o pulso para ativar o ecrã, e mesmo assim o relógio continuou a superar facilmente a grande maioria dos modelos de marcas concorrentes.
No geral, senti que a autonomia acompanha perfeitamente o posicionamento do relógio, já que se trata de um modelo pensado para quem treina muito, mas que também quer algo fiável para o dia a dia sem estar constantemente a pensar no carregador.

Depois de duas semanas com o Huawei Watch GT Runner 2, posso afirmar que é um dos smartwatches para desporto (não apenas corrida) mais completos e equilibrados que alguma vez utilizei. Tem um design leve mas robusto, um excelente ecrã, autonomia muito acima da média, funcionalidades de treino muito bem implementadas e um software realmente muito completo. Não é o smartwatch mais barato do mercado já que custa 399€. Ainda assim, o seu preço posiciona-o muito abaixo do preço dos seus principais rivais, e ainda transmite a sensação de ser um relógio feito para durar muitos anos e de ser o companheiro ideal para os treinos.

Este produto foi cedido para análise pela Huawei
