Eurostat revela redução global, avanços na eficiência e contrastes marcantes entre países e atividades económicas.
A União Europeia consumiu 56,1 milhões de terajoules de energia em 2023, uma descida de 4,1% face ao ano anterior. De acordo com os dados do Eurostat, quase três quartos deste total foram utilizados por empresas e administrações públicas, enquanto as famílias representaram 27,7% do consumo. O setor manufatureiro manteve‑se como o maior consumidor, com 14,3 milhões de terajoules, embora tenha registado uma queda de 5,5% em relação a 2022 e de 12% face a 2014. A indústria química, a produção de metais básicos e a refinação de petróleo destacaram‑se como atividades particularmente intensivas.
O fornecimento de eletricidade, gás, vapor e ar condicionado apresentou a maior melhoria de eficiência, reduzindo o consumo em quase nove pontos percentuais num ano. Em contraste, o transporte e o armazenamento aumentaram o gasto energético em 8,1%, acumulando uma subida de 15% desde 2014. Os serviços e outras atividades económicas mantiveram um peso mais moderado no total.
No setor doméstico, responsável por 15,6 milhões de terajoules, o aquecimento e a refrigeração continuam a dominar, representando 53% do consumo, seguidos do transporte particular, com 38%. As restantes necessidades, como eletrodomésticos, somam 9%.

A intensidade energética, indicador que relaciona energia consumida com valor acrescentado, revelou fortes disparidades entre Estados‑Membros. Estónia e Irlanda lideraram as melhorias, com reduções superiores a 40%, impulsionadas por quedas acentuadas no consumo ou por aumentos expressivos na produtividade. No extremo oposto, Malta e Lituânia registaram aumentos, refletindo menor eficiência. Portugal posicionou-se entre os países com melhores resultados, com -25,2% de consumo. No conjunto da União Europeia, a intensidade energética caiu para 75% do nível observado em 2014, resultado de um crescimento económico contínuo acompanhado por menor consumo energético.
