Final Fantasy VII Remake na Nintendo Switch 2 é mais uma impressionante conversão para a consola híbrida, que se faz sentir em casa quase como um exclusivo Nintendo.
Outrora exclusivo da PlayStation 4, Final Fantasy VII Remake – a primeira parte da ambiciosa trilogia remake de Final Fantasy VII – expandiu-se agora para a Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2, numa conversão que não é só “bem-vinda” ao chegar a novos jogadores, é também perfeita, pelo menos na consola da Nintendo. E um excelente indicador de que Final Fantasy VII Remake corre de forma excecional na Nintendo Switch 2 é até o recente anúncio de que Final Fantasy VII Rebirth, a sua sequela, chegará já na primeira metade do ano também à consola da Nintendo, revelando a confiança da equipa da Square Enix em entregar uma experiência verdadeiramente otimizada na consola híbrida da Nintendo.
Com um a demo lançada anteriormente na Nintendo eShop, já dava para ter alguma noção do que seria o desempenho de Final Fantasy VII Remake na Nintendo Switch 2, mas a verdade é que na altura desse lançamento não senti o mesmo que acabei por sentir com a versão final, que me parece bem mais aprimorada, não só em fluidez como também em qualidade de imagem. Com uma apresentação muito mais cinemática e tecnologicamente avançada face ao jogo original de 1997, Final Fantasy VII Remake deu um novo folgo à sub-série Final Fantasy com o seu lançamento original em 2020, abrindo as portas um mundo mais detalhado, personagens mais complexas e uma exploração narrativa mais profunda, que expande menos de cinco horas de jogo no original para mais de 30 no seu remake. Neste relançamento para as novas plataformas, todo novo conteúdo permanece. Mas apesar de parecer exatamente o mesmo até por olhos bem treinados, ver este jogo em modo portátil confere-lhe, ainda assim, uma nova “aura” next-gen, evocando também aquela magia de voltar a pegar no jogo pela primeira vez. Um feito impressionante, até porque não foi a primeira vez que joguei Final Fantasy VII Remake em modo portátil, pois já o havia feito na Steam Deck da Valve onde já corria de forma eximia.
Em modo portátil, Final Fantasy VII Remake tem pouco para se criticar. “Simplesmente funciona”. Há, claro, algumas limitações, mas estas são compreensíveis e justificáveis considerando as capacidades da máquina da Nintendo. Aqui, estamos perante uma apresentação limitada a 30FPS e uma resolução que se não equivale aos 1080p do ecrã da máquina, pelo menos parece. A qualidade de imagem é impecável, sem aquele efeito desfocado de resoluções baixas e está particularmente melhorado face à versão original, com texturas melhoradas já introduzidas na versão lançada para a PlayStation 5. Já no que toca à fluidez, apesar de termos limite nos 30FPS, são uns 30FPS que equilibram de forma fantástica as qualidades cinemáticas do jogo, com um motion blur perfeito e tempos de resposta virtualmente impercetíveis, que ajudam a suportar a ação rápida e frenética do estilo de combate do jogo.

Estas qualidades traduzem-se de forma semelhante para o jogo na doca da consola, ligado à TV. Em televisões e monitores de resoluções 1440p ou 1080p, o jogo aparenta-se de forma muito semelhante ao apresentado no ecrã da consola, já em 4K – e de grandes dimensões-, é clara a degradação da resolução, apesar de uma excelente implementação de anti-aliasing, que apenas revela artefactos mais distrativos em pormenores granulares como cabelos de personagens. Ainda assim, a qualidade de imagem aparenta ser muito superior à versão nativa da PlayStation 4. Os 30FPS, no entanto, mantém-se, não havendo opções de desempenho para este título na versão da Nintendo Switch.
Por esta altura Final Fantasy VII Remake dispensa qualquer apresentação, até mesmo por quem não jogou. O impacto cultural do remake pode não atingir as alturas do jogo original, mas as discussões em tornos ao sistema de combate são uma constante, com alguns fãs a argumentarem que é um dos melhores sistemas de combate em JRPGs de ação e outro a contestarem o regresso aos jogos por turnos. Na Nintendo Switch 2, Final Fantasy VII Remake joga-se de forma fantástica, com o seu misto de ação hack-and-slash e com opções momentâneas de estratégia, onde podemos controlar as várias personagens da nossa equipa e temos que tomar ações para preencher barras que nos dão acesso a ataques e habilidades especiais para usar com o nosso MP. O ritmo de jogo é aliciante e frenético, mas pode por vezes causar frustração para jogadores menos aptos até mesmo em dificuldades fáceis. E é aqui que entra uma das grandes novidades deste relançamento, que chegou também em forma de patch às versões já existentes.

No modo de opções do jogo encontra-se agora uma suite de opções chamada Streamlined Progression, que incluem opções de acessibilidade e de progressão casual do jogo. Estas opções não são obrigatórias e são orientadas para jogadores que não têm grandes habilidades em jogos de ação ou para jogadores que querem repetir o jogo de forma mais relaxada e com foco na história. Entre elas, encontram-se opções de HP e MP sempre no máximo, opção de dar sempre danos máximos, ter itens infinitos, formas mais fáceis de obter habilidades de armas, Materia com os níveis máximos, entre outras. Este conjunto de opções prima também por algum nível de granularidade, sendo possível ativar e desativar opções especificas, dando ao jogador alguma personalização e controlo do seu estilo de jogo. Apesar de contestáveis, este tipo de opções são, aos meus olhos, sempre bem-vindos, porque dão a oportunidade aos jogadores de poderem experienciar jogos que de outra forma estariam limitados, ao mesmo tempo que não impacta quem procura uma experiência de jogo mais pura e alinhada com a visão dos autores.
Apesar de não ser uma novidade, Final Fantasy VII Remake na Nintendo Switch 2 chega na sua versão Intergrade, a mesma versão que fez a estreia do jogo no PC e em formato nativo na PlayStation 5. Para além de melhorias e afinações a nível técnico, Final Fantasy VII Remake Intergrade inclui também a expansão Intermission, que deve ser jogada após os eventos da campanha principal, e que coloca os jogadores ao controlo de Yuffie, um dos membros do elenco principal do jogo original e da sequela, Rebirth.
Final Fantasy VII Remake para a Nintendo Switch 2 é, como muitas outras conversões nesta altura do campeonato, uma espécie de versão definitiva do jogo. Tecnicamente pode ser a menos capaz de todas as versões existentes, mas não é por isso que não deixa de impressionar, em particular no seu modo portátil onde prima da qualidade de um jogo exclusivo da Nintendo. No que toca a conversões para a Nintendo Switch 2, é até uma das mais impressionantes até à data, a par de jogos como Cyberpunk 2077, tornando-o num jogo essencial para qualquer fã de Final Fantasy com acesso à Nintendo Switch 2.

Cópia para análise (versão Nintendo Switch 2) cedida pela Square Enix.
