O futuro EntreCampos terá muitos escritórios, praças, jardins e, claro, lojas. Espera-se que esteja totalmente finalizado em 2029.
Após duas décadas de impasse e um vazio urbano que marcou o centro de Lisboa, a operação de reconversão dos terrenos da antiga Feira Popular entrou numa nova fase. O empreendimento, agora designado EntreCampos, representa um investimento estrutural promovido pela Fidelidade Property que deverá gerar receitas na ordem dos 1,3 mil milhões de euros. Com conclusão total prevista para 2029, o projeto aposta num traço arquitetónico de exceção, reunindo as assinaturas dos prémios Pritzker Álvaro Siza Vieira e Eduardo Souto de Moura, em parceria com Ana Costa.
A transformação física do local, adquirido pela seguradora em hasta pública no final de 2018 por 274 milhões de euros, já é tangível. Quem passa pela zona deparada-se com um estaleiro em velocidade de cruzeiro, onde operam atualmente 10 gruas. Os trabalhos de fundação, iniciados em 2024, permitiram já a execução de três pisos subterrâneos, antecipando-se que a construção comece a emergir acima dos tapumes a curto prazo. Segundo a administração da promotora, liderada por Miguel Santana, a escala da obra tornar-se-á evidente para os lisboetas muito em breve.
O complexo desenha-se como um ecossistema misto de grandes dimensões, dominado por uma forte componente de escritórios que ocupará 140.000 m2, distribuídos por sete edifícios. A âncora deste segmento será a nova sede do Grupo Fidelidade, situada na Avenida Álvaro Pais. Este edifício inaugural tem data de conclusão apontada para o primeiro semestre de 2026 e encontra-se já totalmente colocado: a seguradora ocupará 70% da área, tendo o remanescente sido atribuído a outras entidades, numa estratégia de manutenção de ativos considerados chave.
A infraestrutura foi concebida sob critérios exigentes de sustentabilidade e tecnologia. O projeto contempla um sistema de geotermia com 450 sondas a 120 metros de profundidade, libertando as coberturas para a produção de energia solar, e garante conectividade digital integral, inclusive no subsolo, visando a atração de talento qualificado. O primeiro dos restantes edifícios de serviços deverá ser entregue no final de 2027.
Para lá da vertente empresarial, o EntreCampos procura coser a malha urbana através de 17.000 m2 de praças e jardins e 20.000 m2 de retalho. A habitação surge em duas frentes distintas: o projeto privado inclui 249 fogos de segmento premium (T0 a T5), cuja comercialização e preços serão conhecidos em 2027; paralelamente, e fora deste perímetro de investimento, a Câmara Municipal de Lisboa avançará com 749 fogos ao abrigo do Programa de Renda Acessível, completando a requalificação da zona.
A Fidelidade Property, que gere ativos em 18 países, projeta que o EntreCampos atinja a plena operacionalidade no início de 2029.
