Fim do passe de 40€ da CP agrava custos para quem viaja nos comboios urbanos da Linha do Douro.
A Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa resolveu descontinuar o passe ferroviário monomodal de 40€ para os passageiros da Linha do Douro, na região do Tâmega e Sousa no final e janeiro. A medida obriga agora quem utiliza os comboios urbanos a optar por uma assinatura combinada de 50€, representando um encargo adicional para quem depende destas deslocações diárias.
O título agora extinto, que vigorava desde julho de 2019 ao abrigo do Programa de Apoio à Redução Tarifária nos Transportes Públicos (PART), permitia o acesso exclusivo à rede da CP por um valor mais acessível. Com o seu desaparecimento, os utentes veem-se limitados a duas opções: o Passe Ferroviário Verde, com um custo de 20€, ou o passe combinado CP e Andante, fixado nos 50€.
A polémica reside nas limitações operacionais da opção mais económica. Embora o Passe Verde represente uma redução significativa de preço, este título é válido apenas para comboios regionais e inter-regionais. Os portadores deste passe estão impedidos de viajar nos comboios urbanos da Linha do Douro, que constituem a espinha dorsal da mobilidade pendular na região.
Na prática, isto significa que um passageiro que necessite da frequência e rapidez do serviço urbano terá forçosamente de adquirir o passe de 50€. Para muitos residentes que não utilizam a rede intermodal da Área Metropolitana do Porto (incluída neste passe combinado), esta mudança traduz-se num aumento mensal de 10€ por um serviço extra de que não usufruem, apenas para manterem o acesso ao comboio que já utilizavam.
A disparidade na oferta é notória. Enquanto o serviço urbano garante 44 ligações diárias, fundamentais para a flexibilidade de horários de quem trabalha ou estuda, o Passe Verde dá acesso a apenas 11 comboios por dia (10 inter-regionais e um regional) no trajeto Porto-Marco.
