GiFi Portugal: site oficial desativado, redes sociais “mortas” e pelo menos uma loja fechada

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O futuro da GiFi em Portugal não tem nada de risonho. Chegada ao país em 2023, a empresa já fechou a loja de Matosinhos e a de Aveiro deve ir pelo mesmo caminho.

Portugal é, cada vez mais, um país para investimento estrangeiro. E não, não falamos apenas de imobiliário, mas também para a abertura de novas cadeias de lojas. Porém, nem tudo é positivo, e há empresas que abandonaram, ou estão prestes a abandonar o país. É o caso da francesa GiFi.

Para quem não está a par, a GiFi é uma empresa familiar que tem como principal objetivo oferecer, aos mais pequenos e aos adultos, uma experiência de compra inesquecível e repleta de surpresas, através de uma oferta centrada em produtos para o lar e toda a família. Isto era o que se podia ler no site oficial, entretanto desativado.

No mesmo site, o Grupo GiFi afirmava-se também “líder incontestável na distribuição a retalho de produtos de baixo custo para o lar e família contando já com mais de 35 anos de experiência de atividade no setor”.

A oferta proposta abrangia o lar, a decoração, os presentes e o tempo livre, assim como outros universos da especialidade. “O objetivo é os portugueses terem ao seu dispor um rol de Ideias Geniais, com preços ultracompetitivos e que, simultaneamente, vão ao encontro das suas necessidades pessoais, familiares e profissionais. Somos uma marca pioneira no segmento de “Smart Discount”, temos um legado de mais de 40 anos de experiência e trabalhamos diariamente, para fidelizar um público multigeracional. O nosso conceito assenta numa gama de produtos contemporâneos, irreverentes, diferenciadores, que surpreendem o cliente, sempre com a premissa do melhor preço: 65% dos artigos GiFi não são superiores a 5€, pois reconhecemos o impacto que a atual conjuntura financeira, produz na vida de cada um. A GiFi mantém também uma relação de proximidade, com a indústria nacional e está já a trabalhar, com fornecedores portugueses, numa estratégia de fortalecimento da sua cadeia de distribuição”, dizia na altura, em comunicado de imprensa, Franck Allard, Diretor Internacional da GiFi.

Em relação ao preço, a GiFi dizia ser imbatível nesse campo, uma vez que trabalha sem intermediário. “Temos a nossa própria central de compras, o que nos garante a melhor relação qualidade/preço”, garantia a cadeia gaulesa. No fundo, mais uma loja como a KiK ou a TEDi.

Em Portugal, a GiFi começou por abrir uma loja no Matosinhos Retail Park, em Matosinhos, em março de 2023 e, em novembro do mesmo ano, inaugurou um segundo espaço, desta vez no no Aveiro Center, em Aveiro. E quando se pensava que os anos seguintes iriam ser de sucesso para a GiFi, não foi nada disso que aconteceu. É que, para além do site oficial não estar a funcionar, a loja de Matosinhos está também encerrada. De acordo com o Google Maps, a loja de Aveiro ainda está de portas abertas, o que é de estranhar, dado que as redes sociais da GiFi Portugal “morreram” em dezembro do ano passado, uma vez que não são atualizadas nessa altura.

Lojas GiFi transformam-se em supermercados Grand Frais em França

A verdade é que tudo começou no país de origem, onde a rede francesa GiFi tem vindo a enfrentar um período de transformação marcado pelo encerramento de várias lojas. O grupo atribuiu os encerramentos a lojas deficitárias e a uma estratégia de concentração de recursos nas unidades mais rentáveis, com o objetivo de aumentar a eficiência operacional e adaptar-se às novas exigências dos clientes. Apesar de ter beneficiado, em janeiro de 2024, de um reescalonamento da dívida através do Comité Interministerial para a Reestruturação Industrial, e de ter alterado a direção operacional com a saída do fundador Philippe Ginestet, a empresa continuou a enfrentar dificuldades, com a concorrência crescente de cadeias como Action, Maxibazar e plataformas online como a Temu, registando prejuízos pelo segundo ano consecutivo, apesar de um volume de negócios de 1,2 mil milhões de euros em 2024.

Em França, pelo menos 32 lojas GiFi serão convertidas em supermercados Grand Frais a partir de junho de 2026, além de ir encerrar outros espaços.

A empresa enfrenta desafios estruturais, como atrasos no pagamento a fornecedores, saída de colaboradores e a pressão da concorrência, fatores que contribuem para um cenário de instabilidade interna. A recuperação financeira da cadeia depende do apoio dos credores, que acordaram um perdão de dívida de 470 milhões de euros, complementado por garantias de 270 milhões por parte do fundador, e um financiamento adicional de 150 milhões para estabilizar a situação.

A Gifi continua a gerir uma rede de cerca de 700 lojas em 17 países, mas o grupo enfrenta grandes desafios, incluindo stocks elevados e prejuízos de dezenas de milhões de euros. Em Portugal, muito dificilmente a GiFi terá novamente alguma expressão, e não sabe o que acontecerá às duas lojas físicas em território nacional.

Alexandre Lopes
Alexandre Lopes
Licenciado em Comunicação Social e Educação Multimédia no Instituto Politécnico de Leiria, sou um dos fundadores do Echo Boomer. Aficcionado por novas tecnologias, amante de boa gastronomia - e de viagens inesquecíveis! - e apaixonado pelo mundo da música.
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