Sobrelotação, atrasos e supressões continuam a marcar o serviço da Fertagus, afetando diariamente milhares de utentes do concelho do Seixal.
O Presidente da Câmara Municipal do Seixal, Paulo Silva, reuniu-se esta semana com a Fertagus, concessionária da ligação ferroviária entre as duas margens do Tejo, com o objetivo de exigir respostas concretas e imediatas para os problemas que afectam diariamente milhares de utentes do concelho do Seixal. A degradação do serviço, que o próprio autarca constatou, marcada por comboios sistematicamente sobrelotados, atrasos recorrentes e supressões frequentes, tem gerado um elevado número de reclamações e criado condições de circulação que não garantem conforto nem segurança a quem depende deste transporte para se deslocar.
Este encontro surge na sequência da contestação crescente da população, que culminou numa petição pública a exigir melhorias urgentes no serviço prestado. Para além das queixas formais, foi feito um acompanhamento direto da realidade vivida pelos utentes, através de viagens realizadas em horas de maior afluência, permitindo observar e ouvir quem utiliza diariamente o comboio para ir trabalhar. Dessa observação resultou a constatação de um cenário de grande compressão humana, com pessoas sem espaço para se moverem, em condições consideradas incompatíveis com um serviço público essencial.
Durante a reunião, Paulo Silva disse que a Fertagus reconheceu a existência de constrangimentos, atribuindo-os sobretudo ao aumento da procura e a limitações impostas pela Infraestruturas de Portugal. Segundo a concessionária, troços onde anteriormente a circulação se fazia a cerca de 90 quilómetros por hora passaram, por imposições técnicas, a ser percorridos a velocidades muito inferiores, chegando aos 10 quilómetros por hora, o que provoca atrasos sucessivos e acumulação de passageiros nas estações. Foi também explicado que a aquisição de novo material circulante implica prazos de entrega na ordem dos sete anos, o que levou a empresa a optar pela compra de material usado. Devido à bitola da linha, essa aquisição só é possível no mercado espanhol.
Nesse contexto, a Fertagus referiu ter conseguido adquirir apenas duas carruagens em Espanha, que necessitam de adaptação e certificação em Portugal, estando a sua entrada ao serviço prevista apenas para o segundo semestre de 2027. Cada uma dessas carruagens terá capacidade para cerca de 380 passageiros, pelo que o impacto desta incorporação no aumento da oferta será reduzido. A empresa admite a possibilidade de vir a adquirir mais material usado, uma vez que está prevista, em 2026, a entrega de novos comboios à operadora espanhola, o que poderá libertar unidades atualmente em circulação.
A Fertagus afastou a hipótese de regressar aos horários anteriormente praticados e indicou que, a curto prazo, qualquer melhoria dependerá sobretudo de intervenções na infraestrutura ferroviária, nomeadamente da redução dos chamados afrouxamentos, permitindo uma circulação a velocidades mais elevadas e com menor probabilidade de atrasos. Foi ainda mencionado que, em 2025, a empresa realizou um inquérito aos utentes, no qual a maioria manifestou satisfação com o serviço, com resultados superiores aos registados no ano anterior.
Após a reunião, foi reafirmada a intenção de continuar a acompanhar a situação e a manter a pressão institucional e cívica, sublinhando a urgência de encontrar soluções eficazes para a mobilidade na margem sul do Tejo, em particular no transporte ferroviário. A Câmara Municipal do Seixal já solicitou reuniões com o Ministro das Infraestruturas e com a Secretária de Estado da Mobilidade, considerando que o problema exige respostas estruturais, articuladas e urgentes, estando também prevista a solicitação de um encontro com a Infraestruturas de Portugal.
